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Em entrevista ao jornal A Tarde desta segunda-feira (7), o presidente do Conselho Regional de Economia, Gustavo Pessoti, afirma que a economia baiana tem uma forte representatividade dos serviços na determinação do seu produto interno bruto (PIB), respondendo por cerca de 72% do PIB estadual (SEI), mas o agravamento das condições econômicas do país também está sendo sentido por este setor, até mesmo pela correlação com o nível de emprego e renda.

Por outro lado, o campo trás boas notícias. Segundo Pessoti, “o setor da agropecuária vem apresentando uma forte recuperação das perdas sofridas em 2016. As expectativas são de um crescimento próximo a 40% na safra de grãos, fazendo com que o agronegócio seja o fiel da balança nas perspectivas econômicas do estado. Acredito que a economia baiana deverá apresentar um crescimento econômico situado entre 0,5 e 1% em 2017”.

Ele reconhece ainda que o Brasil sofre de má gestão financeira, havendo alguns equívocos na condução macroeconômica do país. O aumento de impostos – que vem assustando o consumidor -, para ele, não é o maior problema, “mas, sim a má aplicação dos recursos em políticas públicas e o uso do dinheiro para corrupção”. Como solução, o economista defende uma reorganização dos gastos públicos nas esferas estadual, municipal e federal.

Quanto ao mercado internacional como possível propulsor da economia nacional, Pessoti afirma que há poucos riscos e algumas possibilidades. “Apesar dos baixos preços das commodities, que começaram lentamente a se recuperar em 2017, o Brasil deverá ter um superávit de US$60 bilhões. Não chega a ser um sobrefôlego, em função do baixo dinamismo da demanda interna, mas, é importante ter saldo positivo na balança comercial, sobretudo, para diminuir o ‘aperto’ das transações correntes do país. O câmbio ainda está competitivo e pode ser um fator exógeno importante para a recuperação econômica, principalmente do setor industrial”, esclarece.