Entrevista: Clinio Bastos – Presidente da Associação Brasileira de Entretenimento – Bahia (ABRE-BA)

“Essas transformações, novidades que o Carnaval traz, fazem parte do histórico da festa. Sempre trazemos atrações que surgem e se consolidam nesse período. Além disso, uma das características do nosso Carnaval é a espontaneidade do nosso povo ”                                                                                             

 

ABMP: Em novembro, o TJ-BA liberou a realização de shows na Itaipava Arena Fonte Nova, em decisão que impacta diretamente o mercado do entretenimento. Como a associação enxerga esse passo?

C.B: 
É um passo importante. Primeiro, porque confirma a vocação original de qualquer arena multiuso. Houve uma preocupação para que a arena cumprisse todas as determinações legais, para que assegurasse que os eventos acontecessem sem interferências e prejuízo à comunidade, que é uma das coisas mais importantes do entretenimento – que a gente possa dar segurança e conforto às pessoas que participam do evento e a quem convive no entorno.

Obviamente, essa liberação dá uma segurança ao empresário e ao produtor de entretenimento, para investir com tranquilidade, tendo um equipamento com boa infraestrutura e sabendo que não terá nenhuma eventualidade no percurso, que impeça a realização do evento. Provavelmente o setor terá mais alternativas para trazer investimentos para a Bahia. E a Arena, que já recebe grandes públicos, poderá ser incluída na grade de eventos nacionais e até mesmo internacionais.

 

ABMP: O Carnaval baiano vem passando por transformações nos últimos anos, sobretudo em relação ao crescimento das festas nos camarotes. Você acredita que o Carnaval como um todo precisa passar por alguma reformulação?

C.B: Essas transformações, novidades que o Carnaval traz, fazem parte do histórico da festa. Sempre trazemos atrações que surgem e se consolidam nesse período. Além disso, uma das características do nosso Carnaval é a espontaneidade do nosso povo, coisas que surgem da nossa rua. Os nossos blocos nada mais são que manifestações que nasceram da espontaneidade do nosso povo.

Sempre tivemos Carnaval para dois públicos, desde que eu era menino. As famílias reservavam os locais na calçada, onde colocavam as suas cadeiras. As pessoas idosas assistiam sentadas. Com o tempo, teve um processo natural de desenvolvimento dos camarotes, que hoje se consolidaram. Há espaço para todos – aquele que gosta do chão da rua e o que quer assistir. E obviamente passou a ter entretenimento no camarote, porque o Carnaval é longo. Você não mantém uma pessoa em pé por horas, apenas assistindo. Passa a existir uma série de serviços dentro do camarote. Mas precisamos ter um equilíbrio entre a rua e o camarote. Um não pode canibalizar o outro, e é isso que faz o nosso Carnaval diferente de todo o Brasil. É um Carnaval que atinge todos os públicos: quem gosta de assistir e quem gosta de participar.

 

ABMP: Hoje Salvador está preparada para receber grandes eventos de entretenimento? Você avalia que alguma outra medida precisa ser tomada para conseguir atrair mais investimentos para este mercado?

C.B: 
Acredito que com essa liberação da Arena, a gente passa a ter um espaço que pode agregar mais oportunidades ao entretenimento. Mas acho que Salvador carece de uma grande casa de shows. Hoje temos o Teatro Castro Alves, que é uma casa maravilhosa, mas que pode ser pequena para uma grande turnê de grandes espetáculos. E também temos que lembrar que a Arena Fonte Nova tem uma agenda paralela de jogos de futebol. Agora, por exemplo, se tudo der certo, Bahia e Vitória estarão na série A em 2017. Teremos então uma agenda extensa na Arena, e isso torna mais difícil o agendamento de eventos.

Carecemos de uma grande casa de shows e o retorno de um centro de convenções em Salvador. Precisamos urgentemente disso. Hoje o maior problema que estamos vivendo é não termos o centro de convenções funcionando. Precisamos de um centro que atenda às necessidades não só de eventos locais, mas, sobretudo, nacionais e internacionais, que movimentam toda uma rede, desde os setores do turismo e hoteleiro a diversas empresas do entretenimento, que estão no entorno da estrutura necessária a um evento desse porte.

 

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