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Entrevista: Pedro Tourinho – Fundador da MAP Brasil e da Agência Soko

“Não existe mais o online e off-line. Como empresário e gestor de imagem, sempre incentivo a participação deles nas conversas em pauta nas redes sociais, transmitindo sempre o melhor de si e suas verdades…”                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

Pedro Tourinho, nascido em Salvador, criou em 2003 uma das primeiras agências de promoção da cidade, a Ogan. A partir da sua passagem pela rede Wal-Mart após a compra dos supermercados Bompreço, o publicitário foi morar em São Paulo, onde, com sucesso, passou pelo grupo ABC, Rede Record e a extinta empresa de eventos das organizações Globo, a GEO. Após temporada de estudo em Los Angeles, Pedro hoje mora no Rio de Janeiro e é uma referência quando o assunto é entretenimento. Atuando como empresário, desenvolve um grande trabalho à frente da MAP Brasil e Soko.


ABMP:
Dentre os clientes da Soko estão a Netflix, C&A e Orloff, empresas de grande porte e segmentos distintos. Como trabalhar essas marcas garantindo qualidade de cobertura e retorno de investimento? Quais são os maiores desafios e como o profissional deve se portar diante de nichos diferentes para conseguir ter uma visão ampla de cada segmento?

P.T: Realmente, trabalhamos com segmentos bem diferentes. Portanto, utilizamos métricas claras de investimento e retorno, traçando perfil do público que terá interesse na história específica de cada um desses clientes. E como cada uma tem trajetórias e momentos diferentes de produtos a serem comunicados e colocados na mídia, trabalhamos com planejamento baseado em clusters de interesse, lembrando sempre de ter uma visão agnóstica do storyteller, ou seja, não tratamos diferentes os grandes ou menores veículos de mídia, procuramos sempre usá-los da melhor forma para contar as nossas histórias.

ABMP: A Soko é uma agência de PR nova, mas que já conquistou prêmios internacionais, como o Leão de Ouro do Festival de Cannes. A que se deve esse sucesso?

P.T: Nunca imaginei na minha vida ganhar o Leão de Ouro em Cannes, principalmente por se tratar de uma agência de PR. A campanha mais recente da Skol (Toca Raul) é nossa e foi feita como uma ação de PR para a internet, que será exibida na TV no intervalo do programa Fantástico. Essa sucessão de resultados tem muito a ver com nossa lógica de trabalhar PR, através da história e uso de métricas estabelecidas, principalmente na questão de avaliação de resultados e calibragem do público alvo. Esse é um dos segredos. O fato de termos uma equipe incrível, que recentemente desenvolveu uma área chamada creating data, possibilitando a aproximação do setor criativo com o de dados e pesquisas, com certeza tornou todo o processo mais eficiente.

ABMP: Juntamente com Marina Morena e Amanda Gomes, você criou a MAP Brasil, que desde 2016 atua no mercado nacional de agências de talentos. Como você parou nesse segmento e como foi o processo de busca de clientes como Chay Suede, Anitta, Paulo Miklos, Bruno Mazzeo, Regina Casé e Thayla Ayala?

P.T: Estou próximo do mercado cultural há alguns anos. Sou amigo de muitos artistas e, além disso, sou publicitário e produtor cultural, o que permitiu essas relações laterais. Percebi que sempre existiu um GAP muito forte de profissionalismo e visão empresarial de carreiras artísticas, de enxergá-los como marca. Por esse motivo abri a MAP, com o objetivo de cuidar da imagem, carreira e agenciamento publicitário desses artistas. Foi um processo de perceber que cada cliente tem um perfil, que existia um atraso neste mercado e de que eu precisava empreender para resolver esse problema.

ABMP: Em que aspecto a instabilidade do Ministério da Cultura e visão negativa da população em relação as leis de incentivos fiscais afetam o seu trabalho com o casting ligado a produção de shows, filmes e peças de teatro?

P.T:
Ministério da Cultura e leis de incentivo são questões diferentes. Os atores não se beneficiam de forma direta desses incentivos, pois são destinados a indústria e mercado, não pessoa física. O que essa visão negativa pode trazer de ruim é a diminuição da quantidade de trabalho, passando a inviabilizar novas produções, afetando diretores de arte, roteiristas e atores, pois são os únicos não beneficiados diretamente com as leis de incentivo.

ABMP: O ano de 2017 foi um marco no meio artístico, quando as mídias digitais firmaram seu potencial para revelar talentos e propagar famosos da rede para os meios convencionais, diferente do que acontecia antes. Hoje existem diversos nomes mais famosos em plataformas digitais do que em meios tradicionais, como TV e rádio, e é notória a mudança acelerada nas formas de comunicação entre artista e público. Há uma orientação nesse sentido para quem está começando na carreira e para as gerações anteriores que não estão inseridas no digital?

P.T:
Não existe mais o online e off-line. Como empresário e gestor de imagem, sempre incentivo a participação deles nas conversas em pauta nas redes sociais, transmitindo sempre o melhor de si e suas verdades, fazendo parte de tudo aquilo através de seus canais de comunicação, fundamental na construção da relação com os fãs. Por isso, oriento para aqueles que estão começando a carreira e até aqueles que estão há mais tempo no mercado que não se isolem do diálogo. É importante também que isso seja feito de uma forma confortável, que o deixe bem em meio a tudo aquilo.

Foto: Reprodução

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