Entrevista: Ricardo Alban – Presidente da FIEB

“Até o momento, não verificamos sinais concretos de recuperação da produção industrial baiana. É preciso acompanhar os dados dos próximos meses para atestar uma possível reversão do quadro negativo atual.”                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

 

ABMP: Entre janeiro e maio de 2017, a produção industrial da Bahia assinalou retração de 6,6%. A que atribui esse recuo e como ele se reflete, na prática, para o trabalhador e empresário?

R.A: A produção industrial baiana tem registrado resultados bastante negativos, encontrando-se na última posição da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Tal desempenho é influenciado pelo alto grau de concentração da nossa matriz industrial, uma vez que apenas cinco setores – Refino, Química, Produtos Alimentícios, Celulose e Papel, Borracha e Plásticos – respondem por 72,2% do Valor da Transformação Industrial (VTI) da Indústria de Transformação da Bahia. No caso do referido período, o setor de Refino, que sozinho representa 29% do VTI da Bahia, foi o que mais contribuiu para a acentuada retração (com queda de 14% no período), além do setor de Metalurgia, com decréscimo de 41% na produção.

 

ABMP: Quais atividades mais atingidas e número de desempregos gerados na indústria, neste período?

R.A: No período de janeiro a maio, o saldo de empregos na Indústria de Transformação baiana foi positivo em 3.178 postos de trabalho, um crescimento de 1,78%, influenciado pelos segmentos: Indústria de Produtos Alimentícios, Bebidas e Álcool Etílico (+2.376) e Indústria de Calçados (+995). Contudo, ao analisar o período de 12 meses, o saldo geral de empregos é de menos 1.229 postos de trabalho (-0,55%) no setor industrial, impactado pelos seguintes setores: Indústria de Produtos Minerais não Metálicos (-1.079), Indústria Metalúrgica (-898), Indústria Mecânica (-684), Indústria Têxtil do Vestuário e Artefatos de Tecidos (-652) e Indústria Química de Produtos Farmacêuticos, Veterinários e Perfumaria (-500). O setor da Indústria de Calçados conseguiu atenuar essa tendência ruim já que apresentou saldo positivo de mais 2.504 novos postos de trabalho, nos 12 meses terminados em maio de 2017.

 

ABMP: Apesar da queda, em maio de 2017, a produção industrial da Bahia cresceu 3,6%, frente ao mês imediatamente anterior. Quais os principais fatores associados ao crescimento e as atividades que mais se destacaram neste período?

R.A: Pelo fato de a base de comparação estar bastante reprimida, qualquer mínima variação positiva reflete no resultado. Esse aumento pontual não retrata a tendência geral. Até o momento, não verificamos sinais concretos de recuperação da produção industrial baiana. É preciso acompanhar os dados dos próximos meses para atestar uma possível reversão do quadro negativo atual.

 

ABMP: Sancionada no dia 13 de julho, a Reforma Trabalhista modificará as relações de trabalho de milhões de brasileiros. Qual o seu impacto na indústria? O que trará de vantagem e desvantagem para o trabalhador e empregador?

R.A: A indústria avalia como um passo importante rumo à modernidade das relações do trabalho. Propicia uma maior liberdade para negociações, como a duração da jornada, flexibilização do horário de almoço e do local de trabalho, formalização de banco de horas e parcelamento maior das férias. E traz uma maior segurança jurídica na relação entre empregados e empregadores, reduzindo-se o elevado nível de judicialização do trabalho no Brasil.

 

ABMP: O que o trabalhador pode esperar para os próximos meses? Há perspectiva de crescimento na indústria?

R.A: 
A recuperação da indústria brasileira e, especialmente, da baiana, está ameaçada. Do ponto de vista local, o quadro é preocupante e agravado pela concentração setorial em segmentos produtores de bens intermediários. Associado a isso, a crise política põe em risco toda uma agenda de competitividade, necessária para reestabelecer a confiança dos investidores e a construção de um padrão sustentado de crescimento da economia.

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