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Entrevista: Rodolfo Tourinho – Primeiro presidente da ABMP

ago/2018

“No fundo, a ABMP significou a reunião das diversas associações do segmento em uma coisa maior e que pensasse o segmento como um todo. Essa fusão foi muito positiva e possibilitou a transformação das relações e trouxe muito mais transparência.”                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

 

ABMP: Em dezembro de 1997, há quase 21 anos na Praia do Forte, durante o Fórum da Propaganda, foi sugerida a fundação da Associação Baiana do Mercado Publicitário (ABMP). Como se deu esse processo de inauguração e quais eram as maiores necessidades dos segmentos de mercado na época?

R.T: Realmente, a ideia surgiu no Fórum da Propaganda em Praia do Forte. Tínhamos algumas ideias para movimentar mais o mercado da propaganda da Bahia e precisávamos também dar uma maior transparência a esse mercado, na época muito comandado pela ABAP. Então surgiu essa ideia de fazer uma associação que englobasse todos os setores do mercado no sentido de que unidos poderíamos fortalecê-lo como um todo, pois tínhamos vários problemas na comunicação entre os associados, principalmente, em relação à cobrança de valores entre fornecedores, agências e outros segmentos de mídia. Essas ações tinham como foco deixar o cliente mais seguro em relação às empresas envolvidas com a ABMP, realizando os procedimentos de forma clara e transparente. E por ter essa premissa, tivemos o apoio irrestrito de todos.

 

ABMP: Independente do âmbito ou setor, inaugurar uma instituição nunca é fácil. Fale um pouco sobre a receptividade e adesão dos setores de mercado em relação à ABMP quando fundada. As expectativas e objetivos traçados foram rapidamente alcançados?

R.T: A recepção e adesão foram imediatas. Começamos um processo de reuniões para discutirmos os nossos problemas onde cada um colocou as suas dificuldades na mesa. Tínhamos na época diversos associados de todos os setores englobando fotógrafos, agências, gráficas, rádios, televisões, jornais e agências de comunicação. No fundo, a ABMP significou a reunião das diversas associações do segmento em uma coisa maior e que pensasse o segmento como um todo. Essa fusão foi muito positiva e possibilitou a transformação das relações e trouxe muito mais transparência.

 

ABMP: Você esteve na liderança da ABMP entre 1998 e 2003. Analise um pouco sua gestão e, se possível, pontue os principais erros e acertos, além dos legados que perduram até hoje.

R.T: Nesse tempo de liderança, ao lado de André Lemos e Sidônio Palmeira, realizamos um trabalho interessante, e a comunicação fluiu muito bem entre os associados. As decisões foram muito acertadas. Acima de tudo, defendíamos o mercado como um todo e não o interesse pessoal de cada associado. Portanto, credito parte de nosso sucesso ao fato de não termos pendido a nenhum segmento em particular. Além disso, promovemos alguns eventos, encontros e reuniões, que foram proveitosos e contribuíram com essa conotação de mercado como um todo que era a finalidade de nossa gestão. Fizemos alguns eventos como o Festival da Propaganda em Lençóis, no qual incluímos estudantes de todo o Brasil e reunimos cerca de 3 mil pessoas. Outra ação de sucesso também foi a Feira da Propaganda no Centro de Convenções.


ABMP: 
A ABMP completa 20 anos no dia 05 de agosto de 2018. Como você avalia a trajetória da associação durante essas duas décadas?

R.T: O fato da ABMP até hoje existir é uma grande prova da trajetória positiva da entidade, pois, na realidade, que eu saiba, ela só existe aqui na Bahia. Estou fora do mercado baiano há 15 anos. Passei 10 anos trabalhando em Recife e, mesmo sem acompanhar esses últimos anos da associação com muitos detalhes, consigo perceber os avanços. Imagino o quanto foi difícil dirigi-la nos últimos anos com toda essa crise e com o enxugamento do mercado de Salvador. Parabéns a todos que me sucederam!


ABMP: 
Seria possível trazer um panorama do atual momento do mercado publicitário na Bahia? Que momento estamos vivendo e qual o seu olhar sobre nosso cenário perante os outros estados do Norte-Nordeste?

R.T: Todo o mercado publicitário está vivendo um período muito difícil. Essa onda digital está transformando totalmente o setor e todos precisam se preocupar com isso, porque a mudança está ocorrendo de forma gigantesca e de uma rapidez impressionante. Nesse período de transição aparecem os problemas e as oportunidades. Pelo fato dessa transição vir acompanhada de uma crise econômica muito forte, as empresas e os profissionais precisam apurar mais e ficar atentos às novas tecnologias, principalmente pelo fato de que essas transformações acontecem em toda cadeia de produção. Nada é mais o mesmo. Além disso, estamos lidando com ambientes de trabalho cada vez mais enxutos e com receitas também em declínio. Temos, portanto, de repensar estruturas, atentar para o benefício da reforma trabalhista e também da possibilidade do home office que poderão ajudar nos ajustes necessários à sobrevivência da empresa.

ABMP: Através do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), que tem a TV Jornal como afiliada do SBT em Pernambuco, o jornalista Luciano Faccioli, com passagens pela Record, Band e Rede TV!, foi contratado e apresentou o “Faccioli na TV” entre 2014 e 2015, dentro do período em que você foi o Diretor Superintendente. Se tratou de uma ação bastante ousada. Se formos comparar, a sede da TV Globo no Nordeste também está em Recife. Por que a capital Pernambucana sempre está à frente nesse aspecto?

R.T: Minha conduta à frente de emissoras de rádios, televisões e jornais sempre foi ancorada em três pontos: união, criatividade e ousadia. Desde a época em que atuei na Rede Bahia, entre 1998 e 2003, sempre ressaltei a importância de entrar em campo para vencer ou perder, jamais para empatar. Então, nesse período, essa era nossa alma e realizamos muitos trabalhos interessantes de grande sucesso quando Salvador era um polo de novidades, o Festival de Verão, Projeto Pôr do Sol, Rádio Bazar, Projeto Cidadão e um especial de dramaturgia chamado “Danada de Sabida”, citando alguns exemplos.

Essa mesma ousadia e criatividade implantamos em Recife na TV Jornal, em um ambiente extremamente competitivo, que deixou a TV muito próxima de seu público e com bons índices de Ibope. Olhando para trás, vejo que surfamos bem. Fomos ousados e criativos.

 

Foto: Acervo Pessoal

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