Entrevista: Rodrigo Peleteiro – Diretor da Pelir e da Coopercon-BA

ago/2022

“Sustentabilidade hoje é um assunto fundamental na nossa sociedade. Por essa razão, precisamos assumir a responsabilidade de impactar o meio ambiente o mínimo possível, partindo pelo uso racional e eficiente dos materiais até a adoção de procedimentos construtivos mais ecoeficientes.”         

                                                                                                                                                                        

Adoção de energia solar, reaproveitamento de águas da chuva e do dreno do ar condicionado, aprimoramento de técnicas construtivas, posicionamento da edificação para melhor absorção dos ventos e luz solar. Hoje na construção civil não basta apenas criar, executar e concluir projeto. É preciso unir design, eficiência, conforto, sofisticação e ecoeficiência.

E o interesse do brasileiro por empreendimentos ecoeficientes está crescendo. O país já ocupa a sexta posição no ranking mundial de empreendimentos verdes, conforme dados do Green Building Council Brasil, movimento que atua em 80 países e estimula a indústria da construção em direção à sustentabilidade.

Aqui na Bahia, a Pelir Engenharia vem se destacando nesse aspecto. Vencedora do Prêmio Ademi-BA como empresa revelação, a construtora e incorporadora possui outros títulos relevantes com seus empreendimentos construídos em Salvador. O Jaguah Residence, por exemplo, é o primeiro empreendimento baiano certificado pela Caixa Econômica com o nível ouro do programa Selo Azul da Casa Própria, que reconhece o compromisso da empresa com a sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. Além disso, o selo ouro do IPTU Verde, fornecido pela Prefeitura de Salvador, foi entregue ao Oke Horto.

Rodrigo Peleteiro, engenheiro civil, diretor da Pelir e da Cooperativa da Construção Civil do Estado da Bahia (Coopercon-BA), traz sua percepção sobre esse movimento crescente e de como as novidades da área estão impactando positivamente na implantação de práticas sustentáveis e ecoeficientes.

 

 

ABMP: A construção de residenciais ecologicamente corretos é uma oportunidade comercial ou necessidade?

RP: Acredito que as duas coisas. Sustentabilidade hoje é um assunto fundamental na nossa sociedade. Por essa razão, precisamos assumir a responsabilidade de impactar o meio ambiente o mínimo possível, partindo pelo uso racional e eficiente dos materiais até a adoção de procedimentos construtivos mais ecoeficientes.

O interessante é que constatamos essa mudança de comportamento em 2016, quando realizamos, pela primeira vez, uma pesquisa mercadológica de comportamento. Esta constatou que o público declarou que pagaria até mais para morar num empreendimento com responsabilidade ambiental. E como essa pesquisa é feita praticamente todos os anos, constatamos que esse índice vem aumentando. Por isso, estamos nos atualizando, adotando sistemas e procedimentos modernos e sustentáveis, seja no uso do drywall, uso de kits elétricos que economizam mais cobre ou uma fachada que permite mais ventilação e uso mais racional de insumos.

 

ABMP: Quais são os requisitos principais para receber o Selo Azul e IPTU Verde? E o que levou os empreendimentos Oke Horto e Jaguah Residence, a conquistarem?

RP: Os dois programas utilizam como critérios de avaliação objetivos técnicos. Caso o empreendimento queira atingir (os objetivos) e obter os selos, bastam adequar o projeto cumprir os requisitos estabelecidos. No caso do IPTU Verde da Prefeitura de Salvador, por exemplo, há uma ampla análise, que começa pelo preenchimento de uma planilha, no qual descrevemos todas as funcionalidades presentes no empreendimento, como uso de água pluvial e esgoto, e vai até a emissão do Habite-se, que funciona como uma espécie de alvará que autoriza a ocupação do imóvel.

Já no caso do Selo Azul da Caixa, há vários requisitos que precisam ser cumpridos, incluindo aspectos extras, como impacto de entorno do empreendimento. Após o cumprimento dos itens, o selo é entregue. Outra questão está atrelada à redução de juros. Com a conquista do selo, tanto a incorporadora, quanto o morador, gastam menos.

 

ABMP: De que maneira a existência desses selos estimulam as empresas a construírem empreendimentos voltados para a sustentabilidade? É uma tendência para a qual o mercado baiano tem demanda?

RP: Sim, é uma tendência. Tanto que as pesquisas anuais que fazemos comprovam isso. Acredito, inclusive, que isso ocorre pela necessidade e urgência com que a questão socioambiental precisa ser tratada.

Por essa razão, não só a Pelir, outras empresas do ramo estão buscando adequar seus empreendimentos a, pelo menos, obter o IPTU Verde. Dá para afirmar que Salvador hoje é modelo nacional nesse assunto, por conta da aderência das incorporadoras e preocupação dos clientes.

 

ABMP: Como aliar design, performance, modernidade e sofisticação com ecoeficiência?

RP: Todo o cuidado nasce a partir da escolha do terreno no qual o empreendimento será construído. Primeiro, o residencial precisa estar na localização correta, para já cumprir alguns requisitos, relacionadas ao direcionamento do sol e vento. Depois, tem o aspecto arquitetônico e uso racional de materiais. Nesse processo, é fundamental que todo o design do empreendimento esteja alinhado com a pauta de sustentabilidade e desejos da incorporadora, no que diz respeito a modernidade, sistemas construtivos e plasticidade. Somos referências por isso muito por conta dessa preocupação e boas práticas. E isso perpassa por todas as etapas de construção, como nome e detalhes finais.

Por fim, o sucesso dos empreendimentos se dá muito por conta dos arquitetos, projetistas e decoradores escolhidos para integrarem o projeto. Todos precisam estar alinhados e preocupados com a pauta da sustentabilidade.

 

ABMP: O antigo Ibope realizou uma pesquisa e constatou que 94% dos brasileiros estão preocupados com o meio ambiente, e que um empreendimento sustentável larga na frente antes da decisão de compra. Inclusive, outros materiais acadêmicos indicam o impacto positivo de um empreendimento ecoeficiente sobre a saúde humana e o meio ambiente. Olhando para o futuro, quais inovações e ferramentas estão previstas para serem implementadas, para que projetos futuros possam ser hiperssustentáveis ou algo próximo disso?

RP: A partir do momento em que identificamos essa tendência, lá em 2016, passamos a ficar atentos e sempre procurar inovar a cada empreendimento, por isso a obtenção dos selos. Acredito que uma das principais evoluções que tivemos foi com a chegada do BIM (Building Information Modeling), que é uma espécie de plataforma que reúne e mantém informações geradas durante todo o ciclo de vida de um projeto específico, e é utilizado por inúmeros profissionais, como arquitetos, projetistas e engenheiros. Para se ter uma ideia da importância dessa ferramenta, foi permitido a otimização dos nossos projetos, reduzindo gastos com insumos, retrabalho, economia de água e vários outros aspectos.

Também, nossas implementações partem muito de feiras nacionais e internacionais, networking e reuniões, com parceiros que nos rendem muitos frutos. São com essas experiências que temos acesso a novidades e verificamos sua viabilidade na capital da Bahia.

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