Lições aprendidas de dentro de casa!

abr/2020

Há quase 20 dias eu me mudei, para a minha própria casa! Agora vivo aqui, 24 horas por dia, de onde eu escrevo este texto!  O lar virou o meu refúgio, um porto seguro, o local de trabalho, o espaço de lazer e de descanso.  Nunca imaginei que de dentro da minha casa eu aprenderia tanto a meu respeito, sobre a minha relação com o trabalho e com as pessoas.  Acordo todos os dias, com um objetivo claro. Fazer com que a minha rotina, mesmo que de dentro de casa, seja a mais normal possível. Mantenho as minhas atividades regulares, antes de começar a trabalhar. E, ao invés de me deslocar para outro endereço, mudo de ambiente dentro de casa.  Escolhi um lugar para trabalhar, fiz da sacada o meu escritório, e é aqui que produzo todos os dias. Escolhi manter o espírito, que temos na Kantar IBOPE Mídia, de “open space” e “free address”. E assim, mudo a posição da minha cadeira de um dia para o outro para ter um olhar diferente sobre o espaço.   Em dias ensolarados, me viro para a janela onde um horizonte bem menos poluído me oferece uma certa indulgência sobre os tempos em que vivemos.  Assim, como acontecia antes da quarentena, começo o meu dia laboral preparando o meu espaço: a garrafinha de água do meu lado, celular sempre à mão, notebook ligado. Em seguida checo a agenda repleta de reuniões internas, com clientes e com parceiros.   Estou pronta para a jornada do dia! Aparentemente este contexto mostra pouca diferença em relação à rotina de algumas semanas atrás, mas logo os primeiros dias de confinamento, me mostraram uma mudança fundamental no meu papel de executiva ao ver toda a gestão do negócio, sem exceção, sendo feita de maneira remota. De 1 a 2 dias de “home-office” previstos na política da empresa, hoje temos 100% de nossos colaboradores trabalhando de casa, os 5 dias da semana. Em tão pouco tempo, aprendi que é possível fazer a gestão de maneira remota e que alguns princípios e recursos são fundamentais! É preciso ter disciplina de agenda, sistemas integrados e VPNS. Plataformas de conferências com áudio e vídeo funcionando precisam funcionar perfeitamente, assim como a interação frequente e transparente entre gestores e times e as equipes de atendimento com clientes. As reuniões precisam estar organizadas e serem mais objetivas onde é preciso ouvir mais e esperar a vez do outro falar, entre tantas outras coisas. Ao criar um ambiente favorável para o trabalho, apesar do distanciamento físico, conseguimos ir mais além do funcional e operativo. Gradativamente vamos transformando o medo em energia produtiva com novas soluções criativas e decisões para problemas inesperadas. Fruto do engajamento de gestores e equipes em torno de um objetivo comum, confiança mútua e espírito colaborativo. Pode parecer um contrassenso, em um ambiente em que as pessoas estão isoladas, mas nunca foi tão importante construir e fortalecer relações. Sabemos que esta fase vai passar! Não sabemos em quanto tempo, mas seguramente nada será igual a antes. Aprendemos que o trabalho remoto, até por uma questão de qualidade de vida e de produtividade pode e deve fazer, cada vez mais, parte do nosso dia-a-dia. Podemos intensificar a prática ou mesmo estende-la a outras áreas da empresa. Por outro lado, daremos mais valor aquilo que hoje nos faz tanta falta.  Um bom-dia caloroso, o sorriso de quem passa pelo corredor, o cafezinho sem compromisso no meio da tarde acompanhando  das mais incríveis ideias, uma pausa para um descontraído almoço com os colegas de trabalho, uma visita sem agenda a um parceiro ou a um cliente onde a conversa leva ao desenho de um novo projeto, os eventos de mercado onde nos reunimos para discutir o novo,  ou simplesmente para nos vermos. A vida dentro de casa pode ser boa, mas a vida lá fora é muito melhor!  
Melissa Vogel

Melissa Vogel

Colunista

CEO da Kantar IBOPE Media Brasil
Mais artigos

O elefante no labirinto

Dizem por aí que psicoterapeutas e escutadores desenvolvem com o tempo orelhas de elefantes e são capazes de captar sons de baixa frequência, a longa distância. Eu conhecia outro extraordinário talento dos elefantes: sua habilidade de ler o chão, interpretar sinais...

ler mais

Vacina pouca, meu braço primeiro

Quando a gente tem que filmar a vacinação de idosos para que eles não sejam enganados pela malandragem de um agente de saúde cuja intenção secreta é ficar com a dose do imunizante, aí nos damos conta de que a ética que vigora na Grande Família do Brasil é a de...

ler mais

Janeiro: utopias, distopias e recomeços

Não me importo quando me chamam de utópico e sonhador. Encaro o senso de utopia de um jeito positivo, como uma competência criativa, uma capacidade de imaginar a vida para além das contingências. É uma ginástica da imaginação que nos estimula e dá propulsão. Como...

ler mais

Os afetos secretos do Natal

Qual dos Natais que está ganhando mais espaço na preferência das pessoas? O Natal-cultural, com ceia em família, a árvore e pisca-pisca na sala, os amigos-secretos, festas de firma, partilha de presentes? Ou será o Natal-fim-do-ano-fiscal, com fechamento do balancete...

ler mais

A dança dos vampiros no mundo do trabalho

Ouvi este surpreendente relato quando dava treinamento para trabalhadores de uma indústria calçadista gaúcha, creio que em 2008. Era fim de expediente e estávamos a psicóloga Irene, dois gerentes de Gestão de Pessoas e eu numa conversa informal, quando Felipão, um dos...

ler mais

O que querem os negacionistas?

Roque de Itaparica foi o primeiro negacionista com que me deparei em minha vida. Nativo da ilha de Itaparica, era um simpático aguadeiro que ganhava a vida descendo e subindo as ruas calçadas de paralelepípedos da pequena cidade praieira, ainda isenta de carros. Ia de...

ler mais

junte-se ao mercado