Três aniversariantes

fev/2019

É hora de ascender as velhinhas e comemorar. Três importantes veículos de comunicação da terra comemoram este ano marcos cronológicos de sua fundação: Correio *, TV Aratu e Tribuna da Bahia.

O Correio* que nasceu Correio da Bahia, em 15/01/1979, já festeja os seus 40 anos, publicou em janeiro um caderno especial com o registro de seus principais destaques, editorias e institucionais, incluindo mais de meia centena de prêmios conquistados. E ao longo do ano promoverá especiais jornalísticos reforçando o conceito de 40, a exemplo do especial 40 anos de Carnaval com exposição de fotos aberta ao público no Salvador Shopping. Um livro contando a história do jornal é um dos projetos em curso.

Celebrar 40 anos parece pouco para um jornal. Parece. Na Bahia dos mais de 5 mil títulos jornalísticos editados desde 1811 quando surgiu o pioneiro, Idade D’Ouro do Brasil, menos de vinte atingiram a marca dos 40. A efemeridade sempre foi a regra. Celebrar os 40 não é para todos.

Também num dia 15 estreou na Bahia a TV Aratu que deveria se chamar TV Independência, ainda bem que não foi, e acabou sendo TV Aratu, conhecida como a emissora do galinho, graças à força conceitual da marca e que estreou em 15/03/1969, por tanto 50 anos transcorridos. Foi vítima da censura logo na estreia quando autoridades do estado e os proprietários da TV discursavam: chegando a vez de Milton Tavares os militares deram um jeito de interromper o sinal por alguns minutos.

Ao longo de sua história a TV retransmitiu várias redes. Começou independente, foi afiliada Globo, Manchete, CNT e SBT desde 1997, até hoje. Passou também por várias composições acionárias, a última data de 1992, quando a família Coelho assumiu o controle da emissora com Silvio Roberto Coelho como diretor presidente. A TV Aratu prepara, dentre outras ações programadas, uma campanha publicitária, a primeira etapa com a estreia do slogan “50 anos de Avenida”, nas transmissões do Carnaval, ela a emissora oficial da festa.

Também comemora meio século de existência a Tribuna da Bahia que estreou em 21 de outubro de 1969, ano emblemático, viu-se desde o início as voltas com a ditadura, vigorava o AI—5, fundada por Elmano Castro e Quintino de Carvalho. A Tribuna foi pioneira na Bahia na impressão em off-set. As agências de publicidade adoraram a novidade que na prática propiciava maior nitidez aos anúncios. Logo foi adquirida pelo empresário Joaci Goes, hoje Presidente da Academia de Letras da Bahia, e mais tarde por Walter Pinheiro.

Um dia a Tribuna convenceu o escritor João Ubaldo Ribeiro a assumir a direção de redação, escreveu magníficos editoriais, esbanjando talento. O peso da ditadura não esmoreceu a atitude corajosa de seus editores. Logo no número de estreia informava em manchete: “Milhares de políticos são agora inelegíveis”. Não foi o único episódio do gênero.

A Tribuna da Bahia prepara um super caderno especial para outubro e outras ações que serão anunciadas durante o ano. É hora de ascender as velhinhas, comemorar e desejar longa vida aos três aniversariantes.

Nelson Cadena

Nelson Cadena

Colunista

Escritor, jornalista e publicitário.

Mais artigos

Conecchão: eu era, eu sou ou eu serei?

Todo e qualquer lugar do mundo é um berço de conhecimento pra mim. Os Brasis dentro do Brasil são como salas de aulas... e a Bahia, sem dúvida, é uma das minhas aulas prediletas. Aqui nasceram seres humanos extraordinários, como o terapeuta indígena Ubiraci Pataxó. E,...

ler mais

O elefante no labirinto

Dizem por aí que psicoterapeutas e escutadores desenvolvem com o tempo orelhas de elefantes e são capazes de captar sons de baixa frequência, a longa distância. Eu conhecia outro extraordinário talento dos elefantes: sua habilidade de ler o chão, interpretar sinais...

ler mais

Vacina pouca, meu braço primeiro

Quando a gente tem que filmar a vacinação de idosos para que eles não sejam enganados pela malandragem de um agente de saúde cuja intenção secreta é ficar com a dose do imunizante, aí nos damos conta de que a ética que vigora na Grande Família do Brasil é a de...

ler mais

Janeiro: utopias, distopias e recomeços

Não me importo quando me chamam de utópico e sonhador. Encaro o senso de utopia de um jeito positivo, como uma competência criativa, uma capacidade de imaginar a vida para além das contingências. É uma ginástica da imaginação que nos estimula e dá propulsão. Como...

ler mais

Os afetos secretos do Natal

Qual dos Natais que está ganhando mais espaço na preferência das pessoas? O Natal-cultural, com ceia em família, a árvore e pisca-pisca na sala, os amigos-secretos, festas de firma, partilha de presentes? Ou será o Natal-fim-do-ano-fiscal, com fechamento do balancete...

ler mais

junte-se ao mercado