Você está comunicando bem os seus projetos sociais?

maio/2017

Você pode até não se dar conta, mas quase diariamente você tem acesso a formas de contribuir com as instituições filantrópicas e ONGs. Nas urnas dos mercados, no telefonema do call center, nos anúncios das redes sociais, nos correios, na caixa de e-mails ou nas campanhas apoiadas por grandes empresas de comunicação. As instituições que realizam trabalho social precisam sobreviver garantindo recursos para suas ações e, para isso, a contribuição da sociedade é fundamental. Seja com doação única, participação em eventos, voluntariado, valores mensais, ou de nota fiscal, as propostas estão aí. Mas o que faz o consumidor decidir para qual instituição doar recursos financeiros ou seu tempo de trabalho?

A resposta é simples: aquela que consegue estabelecer uma conexão real com o público. E, é claro, isso envolve um trabalho de comunicação planejado e eficaz. Mas ainda precisamos analisar um pouco mais esse contexto.

O que já sabemos é que quando um cliente adquire um produto ou um serviço, ele não está obtendo apenas o objeto ou benefício em si, mas ele está interessado no conceito, no que diz a marca, no que significa usar, vestir ou ser aquela determinada empresa.  E diante do consumidor ativo, que é consciente dos seus direitos e quer reconhecer seus próprios valores naquilo que consome, o trabalho de comunicação, através de estratégias de branding e ações de marketing, é crucial para atribuir valor significativo às marcas.

Neste sentindo, alguns estudiosos apontam a existência de três estágios de relacionamento com o consumidor. Um primeiro estágio, que é assertivo, no qual a marca fala com seu público, explicando seu ponto de vista e dizendo que suas escolhas são as melhores, basta apenas confiar; um segundo momento, dito assimilativo, onde as marcas passam ao nível de diálogo e dá ao consumidor a oportunidade de dizer o que acha importante para o crescimento da empresa; e, finalmente, um terceiro estágio, absorvitivo, onde as marcas passam a ser parte da vida do seu público, motivando não apenas o uso do seu produto, mas também o seu life style.

Quando analisamos essas prerrogativas num contexto de empresas e marcas que promovem ações socais com intuito de angariar fundos, torna-se ainda mais importante que esses negócios tenham um relacionamento estreito com seu público, bem como seu total respeito e confiança. É claro que esse trabalho começa com a prática de políticas de gestão, governança e compliance bem definidas e ativas. Mas, no outro extremo dessa teia, a comunicação precisa dizer ao consumidor que, ali, seus valores são reconhecidos e valorizados e que sua aplicação – monetária ou não – será usada da forma mais correta e eficaz. Que o seu interesse em ajudar está sendo valorizado e os recursos serão bem aplicados.

Mas este caminho precisa ser trilhado através da transparência, do diálogo participativo e da prestação de contas à sociedade, principalmente quando as instituições estão num contexto de desconfiança, onde o seu público já está exposto a casos de desvio de verbas e corrupção. E nem sempre é o maior negócio que vai gerar mais confiabilidade e segurança. Sai na frente aquele que usa as ferramentas de comunicação certas para chegar ao seu público e que consegue estabelecer uma relação concreta e efetiva.

Um bom plano de comunicação, ao final, não só te levará da forma certa ao consumidor. Vai engajá-lo e torna-lo um multiplicador. Nas instituições que realizam trabalhos e ações sociais, aí está o verdadeiro ouro! E não esqueça: de nada adianta realizar uma boa comunicação se o trabalho não for realmente significativo, ou estiver sendo realizado sem gestão criteriosa.

 

Roberto Sá Menezes

Roberto Sá Menezes

Colunista

Provedor da Santa Casa da Bahia, fundador e presidente do Grupo de Apoio à Criança com Câncer da Bahia (GACC-BA), membro do Conselho Fiscal da Associação Obras Sociais Irmã Dulce (AOSID) e do Conselho Consultivo da Confederação das Santas Casas de Misericórdia do Brasil (CMB).

 

Mais artigos

Existe vida depois da Internet?

Espanta aos observadores do comportamento humano a velocidade da disseminação dos aparatos tecnológicos e sua crescente compatibilidade com os usuários. A conectividade mais acessível tornou o ambiente virtual o espaço mais importante para o fluxo dos processos. A...

ler mais

O esporte baiano sem apoio

Todo mundo sabe que os quenianos são os melhores do mundo, ou pelo menos essa é a percepção, na pratica das corridas de fundo: maratona, meia maratona, 10 mil metros. Uma expertise que eles desenvolveram nos últimos vinte anos, antes disso o protagonismo era de outros...

ler mais

Responsabilidade Social: Quem lucra com isso?

O conceito surgiu nas últimas décadas e adquiriu tamanha força e importância, que não deixou espaço para meias palavras ou controvérsias: atualmente, a Responsabilidade Social é parte fundamental das corporações. Somente no ano passado, segundo a pesquisa Benchmarking...

ler mais

Alto astral e bom humor, apesar dos pesares

A cabeça da gente contém um caldeirão de conexões, são muitas informações conflitantes e efervescentes onde se processa o humor. Sua manifestação externa se dará sobre a forma de anedotas, piadas, risadas, manobras mentais   inteligentes cuja função é devolver leveza...

ler mais

VIVA O SABER

Livros, debates, recitais, saraus e do nada, ou com tudo, o desabitado Pelourinho tem suas ruas invadidas por pessoas alegres, com riso estampado na face. Ali estava sendo oferecido algo, que não está presente no cotidiano, as escolas envelheceram. Na Flipelô tudo era...

ler mais

A morte do Teaser

O “teaser” nasceu no século XIX, teve seu auge no século seguinte e morreu de falência múltipla dos órgãos em inicios deste século e hoje permanece insepulto, aguarda talvez um cortejo fúnebre à altura da importância que teve, imagino todo o mercado ostentando...

ler mais

junte-se ao mercado