Um país chamado Bahia

jan/2024

Quem já mergulhou no mar da Bahia sabe que não adianta chegar em Salvador acreditando que títulos e diplomas lhe garantirão um lugar ao sol. Para chegar bem na terra do dendê, é preciso ter “as manha”.

De ‘cara’ é até possível que você ganhe uns convites, apareça em uns coquetéis por aí, seja notícia (ou fofoca!) na cidade, ganhe um acarajé de Regina e até mesmo uma dose de cravinho no Pelô, mas para se manter bemquisto(a), você vai ter que entender a energia do lugar.

Seja no verão ou em qualquer época do ano, não é anormal vermos marcas nacionais descobrindo Salvador como uma ‘oportunidade de negócio’. De repente, não mais que de repente, nasce o interesse em se aproximar dessa gente tão receptiva, calorosa e acolhedora, para então expandir a atuação pelo Nordeste. 

Acontece que muitas empresas ainda não entenderam as especificidades do lugar. Parece defesa para reserva de mercado, mas de nada adianta “ativar” Salvador com agencias e profissionais de outros estados sem entender os seus detalhes. Nós temos jeitos, manias, manhas e comportamentos que não são aprendidos nos livros de Jorge Amado e tampouco nas novelas da Globo.

Foca aqui.

Me lembro certa vez quando gravando para um canal de fora, o diretor soltou um “meu rei” muito simpático como forma de se aproximar da entrevistada.

Dois segundos de silêncio.

Eis que a negona coloca a mão na cintura, levanta o dedo em riste e diz: aqui ninguém fala Meu Rei não, viu?! Isso é coisa sua. Oxe!

É isso.

Eu sei, você sabe, ele não.

Mas o principal é que muitas empresas também não. A regionalização de um bom trabalho deve e precisa ser feita em sintonia com profissionais locais, elevando o grau de aderência e assertividade de entrega. Justificar carência profissional na contratação beira a xenofobia, fortalecendo estereótipos há muito combatidos e altamente ultrapassados.

Hoje, atendendo marcas nacionais e dialogando com profissionais de outros estados, posso garantir que a Bahia não perde em nada quando falamos sobre qualidade de entrega, criatividade, empenho e profissionalismo. O alto nível profissional que exportamos – para todo o mundo –, tem nos colocado em lugares de destaque em todo o país, provando que Nizan sempre esteve certo ao afirmar que “baiano não nasce, estreia”!

Mas para quem não entende dos macetes, fica aqui o meu alerta: rapadura é doce, mas não é mole não.

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Rodrigo Almeida

Rodrigo Almeida

Colunista

Relações Públicas, Mestre em Gestão e Tecnologia Industrial, Professor Universitário e Diretor da agência CRIATIVOS.

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