“O que os olhos não vêem o coração não sente”
Sentado no sofá. Deitado na cama. Passando o dedo na tela. Muitas fotos e vídeos. Meio segundo em cada. Vai ser difícil desse jeito a gente virar o jogo.
Conhecimento é a chave da consciência. O saber nos leva a um modo irreversível de sensibilidade e sensações. E a gente só se movimenta pelas emoções.
Passei 10 dias imersa no ecossistema de inovação de Belém, do Pará, à convite da Confederação Nacional das Indústrias do SEBRAE. A comitiva levou representantes das empresas vencedoras do Prêmio Nacional da Inovação, em que a SOLOS, startup que lidero, foi eleita a pequena empresa que mais inova no Brasil. Na mesma categoria, como grande empresa, venceu a Natura.
Eu trabalho essencialmente em cidades, com resíduos recicláveis, que são materiais inorgânicos. O contraste dessa matéria na natureza assusta. Ainda assim, a urbanização transformou tudo em coisa pouca e a gente as vezes nem percebe o lixo.
Em lugares como Belém os olhos tudo vêem.
Se torna impossível desver a força dos rios, a exuberância das árvores, a diversidade e marcas de seus frutos e gente. É impossível não notar as divergências. Amazônia em pé. Até quando?
A cidade se prepara para ser a capital das discussões sobre o clima durante a COP 30. Belém vai receber 60 mil pessoas ao longo de duas semanas. Os líderes mundiais de países e empresas; estudiosos; entusiastas; um monte de gente para rever resultados e refazer os planos para reverter a crise climática e estabelecer compromissos para adaptação.
Talvez ali onde o esgoto encontra a floresta, talvez ali onde estão 6 dos 10 município com menor IDH do Brasil, talvez ali onde a gastronomia encanta e as pessoas são acolhedoras, talvez ali onde o agro e a mineração derrubam tudo e concentram renda. Talvez ali a COP se torne a nossa única esperança. Onde os olhos possam ver, o coração sentir e a caneta assinar a alforria do desastre anunciado.
_______________
O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Saville Alves
Colunista
“Eu sonho, eu crio, eu faço acontecer”, este é o mantra de Saville Alves, cofundadora da SOLOS, startup de impacto que tem transformado a economia circular em presença na vida das pessoas, dos territórios e de marcas. Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em comunicação social, sua militância iniciou a partir das experiências na universidade pública, quando atuou como uma das principais lideranças em movimentos de jovens empreendedores. Essas vivências levaram Saville a atuar no mercado em empresas como Braskem S.A. e Oi S.A, e no terceiro setor nas ONGs TETO e ARCAH. Essa pluralidade de percepções gerou um olhar que busca harmonia e levou Saville a ser eleita pela Forbes uma das 20 mulheres mais inovadoras das AgTechs.
Menos IA, mais IE
Recentemente, em uma conversa com Pedro Dornas, profissional e aluno da ESPM, falávamos sobre a quantidade de encontros, cursos, palestras e debates que vêm sendo realizados para discutir Inteligência Artificial. Em determinado momento, surgiu uma provocação simples:...
Casa é templo, bem-estar, cuidado consigo, cuidado em estar em família, ancestralidade e respeito
A casa é o nosso templo sagrado de bem-estar, onde praticamos o cuidado com nós mesmos, a união da família, o respeito aos nossos antepassados e a harmonia diária. A casa não é apenas um endereço ou uma estrutura física feita de concreto e tijolos. Ela é a extensão do...
Fui ver Anitta. Encontrei uma aula de gestão, fé e respeito.
Minha decisão de ir ao último show desta temporada de Equilibrium, de Anitta, foi de última hora. Daquelas decisões que a gente toma sem elaborar muito. Eu tinha acabado de formar meus alunos em São Paulo quando resolvi comprar uma passagem. Vim encontrar quem eu...
Atrair, reter e fidelizar: o marketing que praticamos na vida
Aprendemos no marketing que uma marca precisa saber atrair, reter e fidelizar. Mas, quanto mais observo a vida e as relações, mais percebo que essa lógica não pertence apenas aos negócios. Ela está em praticamente tudo: na nossa casa, no trabalho, nas amizades, nos...
O futuro da longevidade não é sobre idade. É sobre relevância
Tive a honra de participar como painelista do Welcome Women Fórum, em um debate sobre “A economia da longevidade inteligente: IA e envelhecimento populacional transformando a educação e o trabalho.” Ao preparar minha participação, percebi que a maior reflexão talvez...
O Ritmo dos Dias e a Arte do Não
Ontem mesmo estávamos limpando o glitter do Carnaval, prometendo que o ano finalmente começaria. Piscou, e o cheiro de milho assado e fumaça de fogueira já anunciava o São João. Mais um piscar de olhos e as bandeirinhas mudam de cor, a Copa do Mundo bate à porta e a...
junte-se ao mercado
