“O que os olhos não vêem o coração não sente”

jun/2024

Sentado no sofá. Deitado na cama. Passando o dedo na tela. Muitas fotos e vídeos. Meio segundo em cada. Vai ser difícil desse jeito a gente virar o jogo.

Conhecimento é a chave da consciência. O saber nos leva a um modo irreversível de sensibilidade e sensações. E a gente só se movimenta pelas emoções.

Passei 10 dias imersa no ecossistema de inovação de Belém, do Pará, à convite da Confederação Nacional das Indústrias do SEBRAE. A comitiva levou representantes das empresas vencedoras do Prêmio Nacional da Inovação, em que a SOLOS, startup que lidero, foi eleita a pequena empresa que mais inova no Brasil. Na mesma categoria, como grande empresa, venceu a Natura. 

Eu trabalho essencialmente em cidades, com resíduos recicláveis, que são materiais inorgânicos. O contraste dessa matéria na natureza assusta. Ainda assim, a urbanização transformou tudo em coisa pouca e a gente as vezes nem percebe o lixo.

Em lugares como Belém os olhos tudo vêem.

Se torna impossível desver a força dos rios, a exuberância das árvores, a diversidade e marcas de seus frutos e gente. É impossível não notar as divergências. Amazônia em pé. Até quando?

A cidade se prepara para ser a capital das discussões sobre o clima durante a COP 30. Belém vai receber 60 mil pessoas ao longo de duas semanas. Os líderes mundiais de países e empresas; estudiosos; entusiastas; um monte de gente para rever resultados e refazer os planos para reverter a crise climática e estabelecer compromissos para adaptação.

Talvez ali onde o esgoto encontra a floresta, talvez ali onde estão 6 dos 10 município com menor IDH do Brasil, talvez ali onde a gastronomia encanta e as pessoas são acolhedoras, talvez ali onde o agro e a mineração derrubam tudo e concentram renda. Talvez ali a COP se torne a nossa única esperança. Onde os olhos possam ver, o coração sentir e a caneta assinar a alforria do desastre anunciado. 

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Saville Alves

Saville Alves

Colunista

“Eu sonho, eu crio, eu faço acontecer”, este é o mantra de Saville Alves, cofundadora da SOLOS, startup de impacto que tem transformado a economia circular em presença na vida das pessoas, dos territórios e de marcas. Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em comunicação social, sua militância iniciou a partir das experiências na universidade pública, quando atuou como uma das principais lideranças em movimentos de jovens empreendedores. Essas vivências levaram Saville a atuar no mercado em empresas como Braskem S.A. e Oi S.A, e no terceiro setor nas ONGs TETO e ARCAH. Essa pluralidade de percepções gerou um olhar que busca harmonia e levou Saville a ser eleita pela Forbes uma das 20 mulheres mais inovadoras das AgTechs.

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