Brasil, país dos influencers!
Não somos mais só o país do futebol ou do samba; somos, também, o país dos influenciadores e das redes sociais.
Atente-se aos dados: de acordo com relatório do Influency.me – 84% das pessoas contam com as mídias sociais no momento da decisão de compra (fonte: ODM Ground + Nielsen Media Research) e 93% dos profissionais concordam que “trabalhar com influencers traz um resultado que nenhum outro tipo de comunicação digital pode trazer (fonte: YOUPIX + Nielsen) e são mais de 500 mil influenciadores no Brasil, sendo que somos o segundo país em número de influenciadores no mundo.
96% dos entrevistados, na pesquisa do Influency.me (entrevistados influencers), consideram que ser influenciador digital é uma profissão e 80% que deveria ser regulamentada.
Para se ter uma ideia, o relatório da Spark (2024), no período analisado de 2023, informa que foram 342 mil publis, com mais de 1,43 bilhões de interações e uma taxa de engajamento de 2,7% (a fonte usada é a Tagger).
Os números são realmente impressionantes e dão uma dimensão desse campo profissional e estratégico de Marketing, que tem se consolidado na última década.
E por que tem tanto influencer no Brasil?
Será que tem resposta para isso?
Quer saber quais são minhas hipóteses para a pergunta? Segue comigo.
O brasileiro aparece constantemente nos rankings mundiais, como grande consumidor de plataformas sociais, e isso se dá porque suas redes de relacionamento sociais sempre foram amplas e variadas, antes mesmo do digital.
Qualquer brasileiro que se preze (desculpem pela generalização) gosta de frequentar clubes, bares, locais religiosos, quadras comunitárias, campinhos, parques, bailes, festas populares entre tantas outras atividades coletivas, sejam elas internas ou ao ar livre. O que está valendo é o ser simpático/a, ser boa gente e conhecer pessoas.
O clima do país incentiva, também, as atividades ao ar livre, facilitando o encontro das pessoas. De maneira geral, o brasileiro é sociável, gosta de conversar e gosta de estabelecer relacionamentos que ultrapassem o meramente profissional.
Além disso, há a própria retroalimentação do mercado, que nota as plataformas sociais digitais e seus influenciadores, como palcos e personagens interessantes para a atividade publicitária, investindo em ações e estratégias para se conectar com mais profundidade com a audiência.
O DNA de sociabilidade do brasileiro parece uma boa explicação do motivo pelo qual há tantos influencers no país e porque são tão impactantes.
Conteúdos qualificados e ágeis
Segundo pesquisa da Opinion Box (2024) sobre o TikTok, 62% dos entrevistados usam a plataforma para se distrair e 51% para se divertir, mas apenas 22% usam para ficar por dentro dos virais.
O dado acima demonstra que a plataforma social é lugar de entretenimento, e complementar e, em muitas situações, substituta das mídias tradicionais, por oferecerem conteúdos ágeis, imediatos e que não necessitam de acompanhamentos mais prolongados, como o caso de uma telenovela. Quer dizer, além das características dos meios, o comportamento das pessoas têm mudado, o que impacta diretamente no tipo de conteúdo que estão consumindo e o que os influencers estão produzindo.
Há, também, uma mudança na profissionalização dos influencers. Alguns influenciadores da área de comédia e entretenimento migraram para conteúdos mais profundos e sérios, como o caso do Felipe Neto, que transformou sua influência em negócio e ativismo. Vários influencers do stand up comedy têm se mostrado críticos, resgatando as heranças de boas e velhas atrações, como a TV Pirata.
Outro bom exemplo é o Átila Iamarino, que se alçou como uma das vozes mais sensatas e científicas durante a pandemia, contribuindo para a divulgação de informações confiáveis.
Quer dizer, parece que os influencers estão mudando, assim como o Brasil também tem mudado. Conteúdos mais qualificados, que têm relevância e acrescentam dados interessantes à vida da audiência têm sido priorizados, porém, não se deixou de lado o bom e velho entretenimento, que nos faz dar tanta risada.
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O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Fábio Caim
Colunista
Branding Creative Thinker
baitech.agency | Branding Dinâmico
Pós-doc, Dr em Comunicação e Semiótica, Publicitário, Psicanalista e Prof. Universitário
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