“O Ganho da Perda”
Quantas vezes já nos pegamos pensando de como seria a nossa vida “ideal”, àquela vida dos nossos sonhos e que nos deixaria realizadas? E, quantas vezes já idealizamos uma situação que estávamos vivendo? Ou melhor, que sofremos tanto quando perdemos algo ou alguém a ponto de acreditar que aquilo nunca mais aconteceria na vida? É aquela história, no final acabamos sempre nos lembrando mais do que perdemos (ou deixamos de ter e viver) do que ganhamos.
Pois então, o meu desafio esse mês é trazer uma reflexão para essas situações: que tal pensarmos nos ganhos que tivemos a partir de uma perda? Ainda mais, do que Deus retirou de nossa vida pois realmente não deveríamos viver aquilo.
Na minha linha de pesquisa, a Economia Comportamental, o ganhador do Prêmio Nobel de Economia, ainda no final da década de 70, afirmou que os indivíduos não são avessos ao risco, e sim as perdas. Neste sentido, Daniel Kahneman também trouxe, posteriormente, que as pessoas tendem a valorizar de 2,0 a 2,5 vezes mais as perdas do que os ganhos. Obviamente que todo foco de estudo e experimentos dele e seus colegas trouxeram uma análise do processo de tomada de decisão das pessoas, mas, será que isto não pode nos ajudar a explicar como lidamos e nos sentimentos com as perdas ou não realização de sonhos em nossas vidas?
Agora, peço que pensem comigo, quando algo acaba em nossa vida as nossas memórias se apegam sempre mais aos momentos bons que vivemos ou tivemos do que os ruins. Tendemos a valorizar muito mais o que perdemos do que pensar que ganhamos algo ao perder. Mais do que isso, muitas vezes, por medo do comodismo, não queremos mudar, renunciar a algo ou tomar decisões para um novo rumo em nossa vida, pois temos medo do que podemos perder muito mais do que nos agarramos a novos ganhos e vitórias que poderíamos ter.
Então trago a reflexão, que tal começarmos a valorizar o que temos e ganhamos? Que tal pensarmos que aquele rumo em nossa vida foi o melhor para a gente e o que vivemos e passou era exatamente o que deveríamos ter tido para valorizarmos, ainda mais, a vida atual? Acredito que, no momento que as pessoas conseguirem ter essa visão serão muito mais felizes e se sentirão muito mais em paz com o seu propósito e com as lindas coisas que Deus tem as proporcionado.
A pandemia nos trouxe essa capacidade de reflexão e valorização do que realmente importa em nossa vida. E, o ano de 2022 que está se aproximando, estará ai para colocarmos na prática de que temos que valorizar muito mais o que e quem temos em nossa vida. Mas sem deixar de agradecer e aprender com quem e o que tivemos. Afinal, nossa vida é um lindo livro que podemos iniciar um capítulo a cada dia que nasce!
Fred Mette
Colunista
Doutora em administração, amante e atuante nas áreas de finanças, marketing, empreendedorismo e inovação. Possui com experiência em consultoria, avaliação de negócios e planejamento estratégico e financeiro. Sócia e idealizadora da U-Plan Startup. Seus interesses de pesquisa incluem, principalmente, psicologia econômica, endividamento e bem-estar financeiro. Atualmente é professora na PUCRS, onde atua como agente de inovação e coordenação de programas de MBAs
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