Lifelong learning. É mesmo para estudar a vida toda?
Sou professor universitário faz um pouco mais de 20 anos e antes disso estudante desde os meus 4 anos de idade, quando entrei no jardim da infância (nem sei mais se existe essa nomenclatura). Ou seja, são praticamente 44 anos de aprendizados.
Infelizmente, por não ter uma memória tão prodigiosa, eu me recordo pouco das aulas que tive no ensino básico, fundamental e médio (que na minha época também tinham outras designações), porém, guardo com carinho o nome de algumas professoras e professores e pequenas e acolhedoras lembranças de situações de aprendizado. Por exemplo, no ensino médio – fiz o curso Técnico em Publicidade e Propaganda na FECAP (Fundação Escola de Comércio Alvares Penteado) – havia uma professora querida que ensinava português que nos chamava de “filhotes”. Talvez, um termo bobo, mas que chegava de um jeito carinhoso aos meus ouvidos.
Fato é que cursei boas escolas e bons cursos, que me prepararam para uma vida de aprendizado. E é sobre isso que quero discorrer. Mas antes, vou tomar como exemplo um pouco da história da minha família.
Meu avô materno foi sapateiro e minha avó materna costureira. Os dois viveram suas profissões durante seus anos produtivos de vida sem que tivessem tido outras possibilidades profissionais. Pelo que minha mãe conta os dois foram excelentes em suas atividades e bem reconhecidos entre seus clientes e amigos.
Já minha mãe teve a oportunidade de ser empreendedora, vendedora, professora, secretária, gerente de loja, gerente de clínica, analista de recursos humanos, aposentada e, possivelmente, tenha exercido alguma outra função da qual não estou ciente. Meu pai foi consultor, economista, empresário e se aventurou um pouco na política.
Eu fui bancário, analista de comunicação, publicitário, professor universitário, consultor, psicanalista, sócio de consultoria, sócio de agência, portanto, empreendedor, além de ter exercido cargos de gestão no ensino superior. Atualmente, ainda exerço muitas dessas atividades.
Opa, muita coisa aconteceu nessa minha família. E o que isso quer dizer?
Quer dizer que a atividade profissional tem se tornado fluída, com inúmeras possibilidades de transformação, em virtude dos constantes desafios que o mundo nos apresenta. A velocidade tecnológica tem impactado as gerações de maneira acumuladora – meus avôs exerceram as mesmas profissões durante suas vidas, já meus pais se organizaram em função dos desafios que lhes caiam ao colo e eu tenho me conduzido através das minhas paixões: orientar e ensinar pessoas e marcas (que é meu propósito).
A “moral” dessas histórias é que precisamos estar preparados para as mudanças, que sempre acontecerão.
É necessário ter uma mentalidade adaptável para encontrar nos desafios a motivação necessária para ultrapassá-los e viver bem com isso. Se me permite um conselho, caro leitor e leitora, a terapia ajuda e muito nesse viver bem, já que ela é um processo de auto-aprendizagem e conhecimento.
Além da terapia, é de suma importância a curiosidade que promove o aprendizado contínuo. É preciso ter um comportamento e uma consciência curiosa em relação à vida e tudo o que ela pode nos proporcionar.
É essa ânsia de saber que está no motor do lifelong learning. É preciso estar constantemente apaixonado pelo saber para aprender (seja qual for o tipo de aprendizagem). É preciso ter noção que o saber nos transforma de um jeito irreversível e nos coloca em um caminho sem volta em relação ao lugar onde estávamos anteriormente.
Que bom, porque é horrível ficar parado quando há tanto a ensinar e tanto mais a aprender.
Ter curiosidade é um bom começo, mas é preciso estar ciente de que o aprendizado contínuo é uma necessidade. Quem quiser sobreviver profissionalmente nos próximos anos deverá ter em mente que as transformações virão de maneira acelerada, exigindo constante renovação de conhecimento.
Realmente, não há escapatória.
Conhecimento sempre foi, para nossa espécie, uma ferramenta de sobrevivência e atualmente se apresenta como um recurso produtivo imprescindível para continuar existindo. Porém, é preciso abrir um parêntese nas minhas colocações – o aprendizado contínuo não está apenas ligado ao aspecto profissional de nossas vidas, também, está associado ao lazer, ao campo afetivo, ao familiar e tantos outros, que mudaram e continuam mudando. Isto é, aprender continuamente nos prepara para viver a vida em sociedade.
O aprendizado permanente oferece melhor compreensão sobre as evoluções, revoluções sociais, culturais e geracionais, portanto, nos possibilita construir mais competências para caminhar com aqueles que estão a vir após os nossos passos (e sempre existirão pessoas para vir após nossos passos).
Se você chegou até aqui, talvez, tenha notado que esse texto foi mais uma exaltação ao poder transformador do aprendizado, do que um texto de orientação para como desenvolver essa capacidade de aprender continuamente. Para isso existem muitas dicas, ferramentas e bons profissionais para lhe ajudar, mesmo assim, ainda darei meus palpites.
Na minha humilde sugestão o ideal é sempre começar por pequenos cursos, experimentando primeiro os gratuitos e depois os pagos, para enfim se aprofundar nos diferentes assuntos de seu interesse. A educação contínua pressupõe se alimentar constantemente de novos dados, para construir diferentes conhecimentos.
Outra boa dica é: leia sempre e leia tudo.
Para terminar, nada melhor do que ser um pouco geek – live long and prosper. Ou melhor – lifelong learning and prospering.
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O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Fábio Caim
Colunista
Branding Creative Thinker
baitech.agency | Branding Dinâmico
Pós-doc, Dr em Comunicação e Semiótica, Publicitário, Psicanalista e Prof. Universitário
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