Não era amor. Era pix. A relação por interesse.

maio/2024

Em um mundo cada vez mais movido por interesses e conveniências, é comum nos depararmos com relacionamentos que se baseiam em trocas e benefícios mútuos, em detrimento de sentimentos genuínos e conexões emocionais reais. O que antes era conhecido como amor, agora muitas vezes se revela como uma relação de conveniência, onde o que importa são os ganhos materiais e as vantagens que cada parte pode obter.

O pix, sistema de pagamento instantâneo que revolucionou a forma como lidamos com transações financeiras, serve como metáfora para esses relacionamentos baseados em interesses. Assim como uma transferência rápida e prática de dinheiro, essas relações podem parecer eficientes e funcionais à primeira vista, mas carecem da essência e da profundidade que caracterizam o verdadeiro amor.

A troca de favores, o dar e receber em busca de benefícios mútuos, torna-se o centro dessas relações. Não há espaço para a entrega desinteressada, para a empatia verdadeira, para a cumplicidade e o companheirismo que sustentam um relacionamento saudável e duradouro. O que existe é apenas a conveniência, o interesse disfarçado de afeto, o egoísmo camuflado de cuidado.

E quando os interesses se desgastam, quando as vantagens se tornam escassas ou insuficientes, tudo desmorona. A ilusão de amor se desfaz, e o que resta são as mágoas, as decepções e a sensação de vazio deixada por uma relação que nunca foi verdadeira. Não era amor, era apenas um negócio disfarçado de relação, uma barganha emocional que não resistiu à prova do tempo.

É importante refletir sobre a natureza dos nossos relacionamentos e questionar se estamos realmente construindo conexões baseadas em valores e sentimentos genuínos, ou se estamos apenas reproduzindo padrões de conveniência e interesse mútuo. O verdadeiro amor vai além do pix, vai além das transações materiais e das trocas superficiais. Ele se sustenta na reciprocidade, na compreensão, no respeito mútuo e na dedicação sincera de ambos os envolvidos.

Portanto, que possamos reconhecer a diferença entre o amor e o pix, entre a verdadeira conexão emocional e a relação por interesse. Que possamos cultivar relações autênticas, baseadas no respeito, na admiração e no cuidado mútuo, para que possamos vivenciar o verdadeiro significado do amor, longe das conveniências e das ilusões que o mundo moderno tantas vezes nos impõe.

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Diego Oliveira

Diego Oliveira

Colunista

CEO da Youpper Insights, professor universitário da ESPM, mestre em comunicação pela Cásper Líbero, publicitário e, principalmente, provocador de mudanças e aceleração social.

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