Viagem a um passado presente
Meio do ano chegando e a gente começa a avaliar o que fizemos da vida (ou o que ela fez de nós) na primeira metade de 2021. São tantas coisas a dizer – e a escrever – e, por isso, vou me ater ao último mês: maio.
As efemêrides são elementos quase obrigatórios do mundo da comunicação, em especial da publicidade. Fazer uso de datas comemorativas é quase que o “beabá” das estratégias de vendas.
O mês já começa com um feriado – Dia do Trabalhador. Na sequência, vem o Dia das Mães, data que era uma das mais rentáveis do comércio antes da pandemia. Outra data histórica do mês cinco é o 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura – celebração polêmica, já que grande parcela da população brasileira (especialmente a negra) reforça que o protagonismo do acontecimento não deve ser dado à uma princesa branca (Isabel) e sim à comunidade preta que já vinha lutando por sua liberdade. Com bem menos ruídos, dia 24 de maio comemoramos o Dia do Vestibulando, bem no período no qual muitos(as) jovens estão se organizando para as provas avaliativas do segundo semestre.
Interessante começar essa minha breve linha do tempo com o Dia do Trabalhador e encerrá-la com o Dia do Vestibulando… Como professor universitário, acompanho diariamente alunas e alunos sedentos por conhecimento e, ao mesmo tempo, com expectativa pra lá de uma arranha-céu com relação ao mercado de trabalho. E o que esperar desse mercado?
Tivemos evoluções e involuções. A economia brasileira sofreu menos com o recrudescimento da pandemia neste início de 2021, em relação ao impacto verificado em março e abril do ano passado. Indicadores de atividade deste ano mostram que a queda da atividade em março ficou abaixo do esperado e foi seguida por recuperação em abril e início de maio.
Ainda assim, os números estão praticamente no mesmo patamar do final do ano passado, e as perspectivas são de uma retomada forte apenas no segundo semestre, com o avanço no programa de vacinação contra a Covid-19.
A recente divulgação dos dados de março da indústria e do comércio contribuiu para que vários economistas revisassem para cima as projeções de crescimento neste ano. Além disso, o Brasil está se beneficiando do forte ritmo de crescimento das duas maiores economias mundiais – Estados Unidos e China – e de um cenário externo que conta ainda com valorização de moedas emergentes e alta no preço de commodities agrícolas e minerais. Isso já se reflete, por exemplo, no dólar.
Infelizmente fomos surpreendidos pelo adiamento da vacinação e inúmeras explicações são noticiadas diariamente. Isso afeta muito a retomada da economia e, inclusive, as campanhas de comunicação que estão no ar ou “no forno”, prestes a serem veiculadas.
Ainda assim, instituições como o Itaú Unibanco revisaram a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021 de 3,8% para 4%. Os números estão bem acima do consenso de mercado (3,1%), segundo a pesquisa Focus do Banco Central. A instituição espera crescimento de 0,4% no primeiro trimestre e queda de 0,1% no segundo, na comparação trimestral.
Mas será que esta gangorra de números fará diferença em nossa rotina? Será que o próximo feriado será uma oportunidade de vendas? Será que os vestibulares do segundo semestre atingirão suas metas? Será que cada mais faixas etárias menores serão contempladas com vacinação contra o coronavírus?
Será que no próximo artigo estarei fazendo abordagens mais otimistas?
Uma coisa é fato: temos que analisar o passado, viver da melhor maneira o presente e construir aquilo que esperamos para o futuro.

Diego Oliveira
Colunista
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