Subserviência, antimaternalismo e a comunicação nossa de cada dia
Faz algum tempo que observo nas mesas de resenhas que tanto gosto de participar que um assunto agora é constante e sempre surge no meio, até mesmo das piadas que estavam ali para ser as mais divertidas no decorrer dos almoços ou jantares, e ele é o cansaço. Mas me refiro aquele cansaço que nos faz perder a piada e a graça. Aquele que desanima e nos faz dizer: na próxima encarnação vou entrar em outra fila pra nascer. Tenho certeza que é mais fácil quando você escolhe a outra fila. Escutei esses dias de uma amiga que ela já está revendo seus trabalhos, que vai diminuir bastante seus custos para se afastar da quantidade de freela que faz para manter a casa. Que não sabe como será, mas que ela precisa tomar uma atitude. Está cansada dos excessos e assédios. De outra escutei que ela sente tanta culpa por não estar com os filhos que faz dias que não consegue trabalhar, está segurando as pontas e administrando com a cliente que se tornou sua amiga, depois de tantos anos atendendo, mas que sobressaltada e com o mal da contemporaneidade, a tão conhecida ansiedade, quando escuta a voz do chefe, pois sabe que, no dia 25, se meta não estiver sido alcançada, o bicho vai pegar. Trago aqui esses dois relatos e te pergunto de forma bem simples se foi logo perceptível o que eles têm em comum, fora a chance dessas pessoas precisarem ser afastadas de seus labores pela falta da saúde mental que muitas vezes chega acompanhada de transtornos psíquicos .
A verdade é que nas minhas rodas de conversas a maioria são mulheres. Sendo assim, somos mulheres que trabalhamos na comunicação e que precisamos também lidar com o maternalismo que acomete a sociedade e que nos adoece. Nesses dois casos, as minhas amigas são mulheres que possuem filhos, uma delas é mãe solo e a outra casada com um homem. Trabalhar em um ambiente descolado, criativo, nunca nos isentou de vivermos as muitas questões de gênero que precisamos enfrentar em nossa Bahia. Vi uma postagem esses dias no instagram que falava o porque precisavamos refletir sobre as inteligências artificiais que são assistentes para nos ajudar serem de mulheres e achei maravilhoso, pois todos dizem: voz de mulher traz aconchego, mas a verdade é que a mulher no subconsciente da sociedade por uma construção cultural, que insistimos em não querer debater, nos coloca como a pessoa que sempre vai servir, que sempre está a postos para ajudar. E ai da mulher que ouse não ser assim! De forma curta e direta essa postagem dizia: tecnologia e comunicação é uma questão de gênero também. Se ligue, você, pessoa descolada e criativa, pois tudo comunica e tudo é política. Nesse caso, a de gênero (equivocada e que existe em manter o status quo dos homens), que é feita para não sermos escutadas, continuarmos subservientes e sempre a postos para performar.
A outra postagem falava sobre o nosso mundo fake do Insta, onde me lembrava que lá no começo víamos muitos cafés, fotos de viagens, fotos de pets, mas que agora ele é tão usado por empresas e por quem deseja ser visto pelas empresas que as pessoas normais não querem usar. Eu me encaixo nessa parte, porque sinto preguiça de postar para performar. Já vivo no trabalho o horror do imediatismo que acomete muitos clientes, sempre em busca do efêmero e instantâneo likes que vão pagar meu ganha pão na postagem da empresa, mas não quero isso na minha página pessoal. Te digo desde já, se ela for a referência de minha vida para eu ter cliente na comunicação, ficarei sem eira nem beira. Eu sou uma mulher política todos os dias e muitas vezes é difícil não ficar uma mistura de indignação com tristeza, quando observo minha sobrecarga e as de minhas amigas. No livro novo de Vera Iaconelli, psicanalista que escreve para a Folha de S. Paulo e faz poucos dias participou do Giro Nordeste, programa da TVE aqui na Bahia. Ela já nos diz no título sobre o que precisamos refletir enquanto sociedade: Manifesto antimaternalista: Psicanálise e políticas de reprodução. O que esse livro de uma médica tem haver comigo e com minhas amigas na área de comunicação? Tudo. Ela pede, assim como a postagem bombada que me impactou no Instagram que ou falamos de gênero ou falamos de gênero. Que o discurso que reduz a mulher a ser subserviente, sempre a postos, e cuidadosa de tudo e todos, precisa acabar. A reprodução de estereótipos de gênero. Lembre dos nomes das assistentes virtuais: Siri, Alexa, Cortana, etc. São um lembrete constante do imaginário coletivo sobre ser mulher. Mas é claro que o óbvio precisa ser dito (tenho uma figurinha no meu zap que diz essa frase e é uma das que mais uso), que um bom marqueteiro (perceba aqui o gênero que tudo pode, falando na nossa língua pátria – regra gramatical – sempre que quisermos falar de homens e mulheres basta usar a palavra no masculino) pode dizer que o público-alvo desses equipamentos que facilita a vida moderna são homens que precisam ganhar tempo e não esquecer dos seus afazeres, para assim relaxarem fumando seu charuto da vitória no final do dia. Ou quando temos uma das grandes lojas varejistas dizendo que tem uma assistente chamada Lu do Magalu pra te ajudar, ou que o banco Itaú agora tem 24 horas no seu zap zap uma voz que vai te ajudar quando você precisar ser atendido. Acho que até essas assistentes virtuais já cansaram de falar e de serem garotas-propaganda sem descanso. Voltando às minhas observações de cronista de botequim da vida real das mulheres na comunicação, minha sugestão é: não podemos nos perder de nós mesmas e isso passa por ler Vera Iaconelli, tentar não ter medo de ser mulher nas empresas e buscar no Google uma campanha publicitária manifesto que o movimento de mulheres artistas Guerrilla Girls fez utilizando cartazes em NYC que diz: As Vantagens de ser uma artista mulher. Vou colocar aqui duas vantagens que se encaixam pra mim como uma luva para nós mulheres da comunicação. Ver suas ideias tomarem vida no trabalho dos outros e saber que sua carreira pode decolar quando você tiver 80 anos. Mas essas dicas servem para você meu amigo aliado, eu garanto que o livro de Iaconelli é bem interessante e como uma feminista que não tem medo de ser quem é, mesmo em tempos de grande cancelamento virtual e real no mercado publicitário, que o case das artistas (que você vai pesquisar no Google) valia um Leão em Cannes, mas não sei se elas tiveram tempo de fazer a inscrição naquele ano.
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Mirtes Santa Rosa
Colunista
Publicitária formada pela Ucsal, Especialista em Comunicação e Gerenciamento de Marcas pela FACOM – UFBA. É uma das idealizadoras e Hosts do Umbu Podcast e do portalumbu.com.br, CEO da Umbu Comunicação & Cultura e acredita todos os dias em comunicação inclusiva, anti racista e democrática.
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junte-se ao mercado
"Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois computadores e uma mesa improvisada com uma porta e dois cavaletes. Hoje, esse negócio se transformou em uma grande agência, que emprega quase 100 pessoas e é referência no Nordeste."

ABMP: Quando falamos em “Conexões Urbanas”, o que esse conceito representa para você e como ele se relaciona com a transformação das cidades?
LC:Para a Eletromidia, o conceito de “Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades.
Salvador é um exemplo dessa dinâmica. Sua força cultural e seus espaços de convivência convidam a população a viver a cidade, seja nos deslocamentos para o trabalho e para a faculdade, seja nos momentos de lazer. Cada percurso reúne diferentes necessidades e oportunidades de encontro.
É nesse movimento que a mídia out-of-home ganha relevância. Ao integrar nossos ativos à paisagem e à rotina urbana, criamos oportunidades para as marcas participarem desse cotidiano. Quando essa presença oferece informação, serviços ou experiências que fazem sentido naquele momento, a comunicação também pode transformar a relação de quem circula com o espaço ao seu redor.
ABMP: Como a publicidade e a comunicação podem contribuir para criar conexões mais relevantes entre marcas, pessoas e espaços urbanos?
LC: A veiculação de campanhas publicitárias cria inúmeras possibilidades de conexão entre marcas e pessoas, seja no varejo, comunicando promoções, seja no âmbito institucional, reforçando atributos e construindo reputação.
Mas também tem sido cada vez mais frequente o desenvolvimento de projetos especiais e interativos, que geram experiências memoráveis, serviços e benefícios para quem circula pela cidade.
Isso é o que chamamos de storyliving, que vai além do storytelling. Em vez de apenas contar uma história, a marca convida o público a vivê-la. É a valorização da experiência presencial: proporcionar momentos de participação e imersão no cotidiano da população.
ABMP: As cidades estão cada vez mais conectadas por tecnologia e dados. Como isso muda a forma de comunicar e interagir com o público?
LC: A tecnologia e os dados ampliaram a capacidade de planejar e avaliar a mídia exterior. Além da localização dos painéis, agências e anunciantes passaram a contar com estimativas de audiência e métricas como alcance, frequência e impactos, que ajudam a entender os públicos que circulam por cada ambiente e a selecionar os pontos mais adequados aos objetivos de uma campanha.
A digitalização também trouxe mais flexibilidade para o conteúdo. Nos ativos de DOOH, o Digital Out of Home, é possível trabalhar diferentes peças e adaptar as mensagens a lugares, horários e contextos. Assim, uma campanha não precisa se comunicar da mesma maneira em todos os pontos de contato: pode considerar o que faz sentido em cada etapa do trajeto.
Para o público, essa evolução pode resultar em uma comunicação mais pertinente ao momento vivido. Para as marcas, significa combinar inteligência de mídia e criatividade para decidir não apenas onde estar, mas o que dizer e como participar da rotina das pessoas. Os dados orientam essas escolhas, e a tecnologia amplia as possibilidades de colocá-las em prática.
ABMP: Qual é o papel do espaço urbano como mídia e como plataforma de experiências para as marcas?
LC: O espaço urbano faz parte da rotina das pessoas. Para as marcas, ele oferece a oportunidade de não apenas serem vistas, mas de estabelecer vínculos em diferentes momentos dessa jornada.
O projeto Abrigo Amigo Claro, em parceria com a Claro, é um exemplo prático disso. Disponível em Salvador e em outras nove cidades do país, ele utiliza nossos painéis digitais para transformar a espera no ponto de ônibus, oferecendo companhia e aumentando a sensação de segurança. É uma forma de a marca participar do cotidiano por meio de um serviço que beneficia diretamente a população.
A Eletromidia está presente em 22 estados e próxima de alcançar 100 cidades. Nossas diferentes verticais permitem acompanhar esses trajetos nas ruas, nos transportes, em elevadores, shoppings, aeroportos e nos voos com a Azul Linhas Aéreas. Mais recentemente, anunciamos também a entrada no segmento de rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo.
É assim que buscamos ressignificar o espaço urbano: como mídia, mas também como plataforma de experiências relevantes para marcas e cidadãos.
ABMP: Como equilibrar inovação, tecnologia e criatividade sem perder a conexão humana na comunicação?
LC: O ponto de partida são as pessoas. Antes de escolher um recurso ou formato, precisamos entender quem está naquele ambiente, o que está vivendo e de que maneira a comunicação pode contribuir para sua rotina.
A Eletromidia investe de forma consistente em inovação, tecnologia e uma cultura orientada por dados. Esses recursos ajudam a identificar oportunidades, planejar campanhas e avaliar resultados. Mas é a criatividade que transforma essa leitura em uma mensagem ou experiência capaz de despertar interesse e fazer sentido para o público.
Esse equilíbrio também passa pela valorização das pessoas e da gentileza nas relações. Na comunicação, significa respeitar o contexto e a disponibilidade de atenção de cada um. Nem sempre a melhor solução será a mais complexa: uma mensagem objetiva, uma informação útil ou um serviço que facilite o cotidiano podem fazer a diferença. A tecnologia deve apoiar essa conexão, e não ser um fim em si mesma.
ABMP: De que maneira a mobilidade urbana e os novos hábitos das pessoas estão influenciando o comportamento do consumidor?
LC: É nos deslocamentos durante a rotina que as pessoas entram em contato com diferentes espaços, serviços e possibilidades de consumo. As cidades têm investido em BRT, VLT, metrô e outros modais de transporte público para melhorar a mobilidade e a experiência dos moradores. Para as marcas, estações e terminais são ambientes propícios para criar conexões e experiências relevantes para quem está em trânsito.
Essa leitura também se aplica aos deslocamentos rodoviários. Recentemente, a Eletromidia anunciou uma joint venture com a Motiva e a EcoRodovias para levar mídia OOH às rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa abre novas oportunidades de contato com as pessoas nesses trajetos.
ABMP: O que torna uma experiência urbana realmente memorável e capaz de gerar conexão com as pessoas?
LC: Creio que existem vários fatores, mas contexto, utilidade e interatividade contribuem muito para isso. O contexto começa por entender onde a pessoa está e o que está vivendo naquele momento. Uma ação pode estar conectada a um evento na cidade, a uma comemoração, a um período específico do mês ou a situações comuns da rotina, como a espera pelo transporte. Quando a marca considera esse momento, a comunicação faz mais sentido para quem a recebe.
A utilidade também é importante: oferecer um serviço, uma informação ou um benefício pode fazer diferença na jornada das pessoas. E, quando existe a possibilidade de interação, elas deixam de apenas ver a mensagem e passam a participar da experiência. É essa combinação que ajuda a criar conexões reais e memoráveis no espaço urbano.
ABMP: Como você enxerga o futuro da comunicação nas cidades: mais digital, mais experiencial ou uma combinação dos dois?
LC: Vejo o futuro como uma combinação dos dois. O digital permite adaptar mensagens a diferentes lugares e momentos, atualizar conteúdos e criar oportunidades de interação. Mas esses recursos só geram uma conexão relevante quando respondem ao contexto e às necessidades de quem está naquele ambiente.
Por isso, a experiência deve orientar o uso da tecnologia. Durante um deslocamento, uma mensagem pode ajudar a descobrir um serviço próximo; em uma espera, um projeto pode oferecer companhia ou informação útil. O futuro não está apenas em ter mais telas ou recursos digitais, mas em usar essas possibilidades para tornar a presença das marcas mais pertinente na rotina das pessoas.
ABMP: Quais são os principais desafios para marcas que querem estar presentes na vida urbana de forma relevante, sem serem invasivas?
LC: O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.
Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.
A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.
O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.
Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.
A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.
