Quem Matou Odete Roitman?
As novelas brasileiras têm lugar cativo na nossa cultura, e o remake de Vale Tudo (2025) prova que essa força vai além do drama. O mistério “Quem Matou Odete Roitman?” se tornou o maior case de faturamento da história da TV Globo, superando R$ 200 milhões em publicidade. O segredo? Uma engenharia de Neuromarketing que faz o cérebro do público trabalhar ativamente para as marcas.
Nesta nova edição, a dinâmica entre as vilãs, Odete Roitman (Débora Bloch) e Maria de Fátima (Bella Campos), atingiu um novo patamar de engajamento, com o público não apenas repudiando, mas celebrando e repostando suas cenas. Isso se deve a uma complexa mistura de neurociência e contexto social: o confronto entre a frieza classista de Odete e a ambição desmedida de Maria de Fátima libera adrenalina e noradrenalina no espectador. Vilãs icônicas representam a transgressão das regras sociais. O público se diverte ao ver o sarcasmo de Odete ou a audácia manipuladora de Maria de Fátima sem sofrer as consequências na vida real, gerando memes e clips virais.
Vale Tudo não vendeu apenas cotas; vendeu inserção constante. Com um volume recorde de cerca de 100 inserções de merchandising, envolvendo cerca de 30 anunciantes, a novela explorou o princípio da familiaridade (Mere Exposure Effect), com merchandising integrado na trama.
A BYD utilizou o próprio universo da TCA, a empresa dos Roitman, para apresentar seus carros elétricos. Além da participação de Marina Ruy Barbosa (garota-propaganda da marca) estrelando a campanha da agência Tomorrow, a marca integrou o motorista da família na sua narrativa. O Uber Moto fez sua primeira parceria em novela com a inserção da personagem Daniela (Jéssica Marques) como mototaxista do aplicativo. Personagens pediram bebidas geladas pelo Zé Delivery em cena, com a ativação sendo estendida para as redes sociais dos atores e um QR code no intervalo. Outras marcas importantes também marcaram presença, como Coca-Cola, Itaú Unibanco, Ambev, Amazon, Vivo, OMO, Boticário, L’Oréal, Hyundai, iFood, Instagram, Nubank e Volkswagen.
O mistério de “Quem Matou Odete Roitman?” foi vendido como uma grande oportunidade comercial, e as marcas não se limitaram à trama, mas aproveitaram o buzz da morte: no intervalo do capítulo subsequente à morte de Odete, a Subway lançou um comercial de timing e humor. A própria atriz, caracterizada como a vilã, apareceu no comercial comendo um sanduíche de 30 cm da rede. A tagline da campanha era: “Com um Sub de 30, quem morre é a sua fome”. A campanha se tornou um viral instantâneo.
A Globo vendeu cotas milionárias para o capítulo da morte, utilizando a pergunta “Quem matou Odete Roitman?” em seu material de divulgação para convidar anunciantes a estarem “nesse momento histórico”. O conteúdo derivado da morte gerou mais de 287 milhões de interações nas redes, segundo o Estudo Ativaweb / PlatôBR, de outubro de 2025, oferecendo doses de dopamina que reforçam o engajamento e a lembrança da marca (recall) no momento da decisão de compra.
O remake de Vale Tudo se tornou o exemplo definitivo de como a curiosidade, a emoção e a oportunidade podem ser mapeadas pelo Neuromarketing para gerar lucro recorde e lealdade inconsciente às marcas. Em meio a tanto sucesso comercial, o Brasil repete a pergunta:
Afinal, quem matou Odete Roitman?
_______________
O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Olivia Berni
Colunista
Neuroestrategista de comunicação e CEO do Neuro Insights News e da Plenamind
Escolher com quem sentar à mesa é o “sim” que seu corpo e sua mente merecem
Durante muito tempo, fomos ensinados a confundir escolha com acúmulo. Quanto mais projetos, convites e presenças, melhor. Mas o corpo sempre soube: nem toda mesa sustenta, nem toda companhia nutre. Quantas vezes você já disse “sim” sabendo que o preço seria o cansaço?...
ENTRE NIETZSCHE E NISKIER. Uma breve reflexão sobre A ALMA IMORAL.
Recentemente, assisti, pela quinta ou sexta vez (não lembro ao certo), a peça A ALMA IMORAL, que, em vias de completar 20 anos, se consolida como uma das peças mais icônicas do teatro brasileiro. E o que impressiona, ainda mais, é o fato de se tratar de monólogo......
O futuro não é ancestral. Mas o presente é. E, talvez o melhor — ou o mais desafiado — seja saber que carregamos essa essência mesmo quando fingimos que não.
A ancestralidade não vive apenas nos livros, nos rituais ou nos símbolos. Ela vive em nós. No jeito de falar, na intuição que orienta, no silêncio que protege, na coragem que surge sem aviso, na sensibilidade que escapa à lógica. O presente que habitamos é atravessado...
Nem toda evolução é expansão. Por que crescer também é saber parar, escolher e sustentar
Durante muito tempo, aprendemos a medir evolução por crescimento visível: mais projetos, mais alcance, mais resultados. Pouco se fala, porém, do custo dessa lógica. O corpo aguenta? A mente acompanha? A vida sustenta? Há um ponto em que expandir deixa de ser...
O preço das promessas e o valor do equilíbrio
Há um momento na vida em que a gente percebe que não dá mais pra se deixar seduzir por promessas. Promessas de reconhecimento, de sucesso, de amor, de pertencimento. Elas vêm embrulhadas em discursos bonitos, em convites empolgados, em projetos que parecem...
WOW Moments: o poder do encantamento na experiência
Em um mundo cada vez mais saturado de informações, produtos e serviços, conquistar a atenção das pessoas é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio está em gerar impacto, em criar lembranças que ultrapassem a lógica da satisfação funcional e toquem a emoção. É...
junte-se ao mercado
