Escolher com quem sentar à mesa é o “sim” que seu corpo e sua mente merecem
Durante muito tempo, fomos ensinados a confundir escolha com acúmulo. Quanto mais projetos, convites e presenças, melhor. Mas o corpo sempre soube: nem toda mesa sustenta, nem toda companhia nutre. Quantas vezes você já disse “sim” sabendo que o preço seria o cansaço?
Chega um momento em que amadurecer é aprender a escolher com quem dividir tempo, silêncio, ideias e afetos. Não por elitismo, mas por cuidado. Você se sente à vontade nos lugares que frequenta? Precisa se explicar demais para caber? Sai renovado ou esgotado?
Escolher com quem sentar à mesa também é renunciar a ambientes onde a escuta não acontece, onde a pressa dita o ritmo e onde o “sim” pesa mais do que deveria. Que mesas você continua ocupando por hábito — e não por sentido?
Existe um descanso profundo em estar onde não é preciso performar. Onde o riso é possível, o silêncio não constrange e a presença é suficiente.
No fim, a pergunta é simples e inadiável: essa mesa te fortalece ou te consome?
Se consome, não é mesa — é cobrança. Levantar também é escolha.
_______________
O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.
Diego Oliveira
Colunista
Diego Oliveira é pensador em marketing, professor e coordenador acadêmico da ESPM, além de doutorando em Comportamento do Consumidor. Colunista do Meio & Mensagem, Let’s Go e ABMP, e palestrante na ETD, pesquisa e debate temas como Brasil Plural, protagonismo digital e comunicação em tempos de incerteza.
Criador dos movimentos Isokan e Qual é o seu Plano A?, além do projeto #DiegoQueDisse, acredita nos múltiplos Brasis — diversos, potentes e em movimento — e conecta inovação, diversidade e impacto social para transformar dados em cultura, decisões mais humanas e caminhos de futuro.
O Ritmo dos Dias e a Arte do Não
Ontem mesmo estávamos limpando o glitter do Carnaval, prometendo que o ano finalmente começaria. Piscou, e o cheiro de milho assado e fumaça de fogueira já anunciava o São João. Mais um piscar de olhos e as bandeirinhas mudam de cor, a Copa do Mundo bate à porta e a...
Antes alguém dizia. Hoje, você escolhe.
Assisti a The Devil Wears Prada quando morava fora do Brasil e, naquele momento, eu não imaginava o quanto o mundo — e o consumo — mudariam dali pra frente. Já ali, de alguma forma, existia uma provocação silenciosa sobre adaptação. E, olhando hoje, fica claro:...
KPIs cheios, caixa vazio.
Tem uma coisa curiosa acontecendo no mercado: nunca se mediu tanto… e, ao mesmo tempo, nunca se vendeu com tanta dificuldade. Dashboards completos, relatórios impecáveis, uma infinidade de KPIs — e, no fim do dia, a pergunta continua ecoando: cadê a venda? Métrica,...
ENTRE NIETZSCHE E NISKIER. Uma breve reflexão sobre A ALMA IMORAL.
Recentemente, assisti, pela quinta ou sexta vez (não lembro ao certo), a peça A ALMA IMORAL, que, em vias de completar 20 anos, se consolida como uma das peças mais icônicas do teatro brasileiro. E o que impressiona, ainda mais, é o fato de se tratar de monólogo......
O futuro não é ancestral. Mas o presente é. E, talvez o melhor — ou o mais desafiado — seja saber que carregamos essa essência mesmo quando fingimos que não.
A ancestralidade não vive apenas nos livros, nos rituais ou nos símbolos. Ela vive em nós. No jeito de falar, na intuição que orienta, no silêncio que protege, na coragem que surge sem aviso, na sensibilidade que escapa à lógica. O presente que habitamos é atravessado...
Nem toda evolução é expansão. Por que crescer também é saber parar, escolher e sustentar
Durante muito tempo, aprendemos a medir evolução por crescimento visível: mais projetos, mais alcance, mais resultados. Pouco se fala, porém, do custo dessa lógica. O corpo aguenta? A mente acompanha? A vida sustenta? Há um ponto em que expandir deixa de ser...
junte-se ao mercado
