Maré de março
Tomara que as águas de março sejam mais alvissareiras para a propaganda brasileira do que o fatídico mês de fevereiro que nos legou três más notícias, algumas tiveram pouca repercussão por aqui. O Carnaval da Bahia se sobrepõe a qualquer fato, ou, evento. Vocês já sabem disso.
A primeira notícia desagradável foi a morte de Júlio Ribeiro, sócio e fundador de algumas agências de publicidade. Foi a Talent que lhe deu visibilidade junto com a célebre campanha ‘Não tem comparação” da Brastemp, um dos clássicos da nossa propaganda em todos os tempos. Júlio Ribeiro foi um mestre. O seu legado foi ter valorizado o planejamento e as estratégias de longo prazo e a sua atitude ética como compromisso de transparência nos negócios. Por esse motivo nunca aceitou atender contas públicas e muito menos coordenar campanhas eleitorais.
Ribeiro também criou um rentável modelo de negócio, protótipo de agência com poucas contas lucrativas, diferente do padrão de agências de seu porte com 30, 40 clientes, muitos inativos e alguns pouco, ou nada, rentáveis.
A segunda noticia desfavorável foi a morte de outro ícone da propaganda brasileira, um dos Papas da mídia no Brasil: Altino João de Barros. Altino foi um profissional de mídia à moda antiga, isso não é demérito, pelo contrário. Foi o profissional que planejava, comprava e programava mídia nos veículos; se envolvia nas ações de marketing promocional coordenando a ativação e em especial exercia a função de RP, em nome dos clientes, junto aos formadores de opinião.
Essa sua atividade constante de RP fez dele o mais badalado profissional de propaganda do Brasil entre as décadas de 1940 a 1980. Toda a mídia brasileira___ dos mais altos escalões até os operacionais__ conhecia e admirava Altino que inscreveu seu nome na história de sua empresa, a McCann, nos seus mais de 60 anos de serviços prestados à multinacional. A McCann lhe conferiu um prêmio especial como funcionário mais antigo da empresa no mundo, entre os seus mais de 5 mil colaboradores.
A terceira má noticia veio do governo federal que orientou os ministérios, me parece que por recomendação do TSE e, também, para contingenciar gastos, a promover neste ano um corte drástico nos investimentos publicitários. Ouvi dizer mais de4 50%. Será? Pegou as agências que atendem og de calças na mão, pelo que li algumas campanhas já aprovadas não serão veiculadas. Se essa orientação será cumprida é outra coisa, pode ser que sim, pode ser que não.
Fevereiro foi um mês de águas turvas, quem sabe as águas de março, sempre abundantes, sejam também cheias de boas notícias, para compensar. Esperar por isso.

Nelson Cadena
Colunista
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