Entrevista: Rodolfo Tourinho – Primeiro presidente da ABMP
“No fundo, a ABMP significou a reunião das diversas associações do segmento em uma coisa maior e que pensasse o segmento como um todo. Essa fusão foi muito positiva e possibilitou a transformação das relações e trouxe muito mais transparência.”

ABMP: Em dezembro de 1997, há quase 21 anos na Praia do Forte, durante o Fórum da Propaganda, foi sugerida a fundação da Associação Baiana do Mercado Publicitário (ABMP). Como se deu esse processo de inauguração e quais eram as maiores necessidades dos segmentos de mercado na época?
R.T: Realmente, a ideia surgiu no Fórum da Propaganda em Praia do Forte. Tínhamos algumas ideias para movimentar mais o mercado da propaganda da Bahia e precisávamos também dar uma maior transparência a esse mercado, na época muito comandado pela ABAP. Então surgiu essa ideia de fazer uma associação que englobasse todos os setores do mercado no sentido de que unidos poderíamos fortalecê-lo como um todo, pois tínhamos vários problemas na comunicação entre os associados, principalmente, em relação à cobrança de valores entre fornecedores, agências e outros segmentos de mídia. Essas ações tinham como foco deixar o cliente mais seguro em relação às empresas envolvidas com a ABMP, realizando os procedimentos de forma clara e transparente. E por ter essa premissa, tivemos o apoio irrestrito de todos.
ABMP: Independente do âmbito ou setor, inaugurar uma instituição nunca é fácil. Fale um pouco sobre a receptividade e adesão dos setores de mercado em relação à ABMP quando fundada. As expectativas e objetivos traçados foram rapidamente alcançados?
R.T: A recepção e adesão foram imediatas. Começamos um processo de reuniões para discutirmos os nossos problemas onde cada um colocou as suas dificuldades na mesa. Tínhamos na época diversos associados de todos os setores englobando fotógrafos, agências, gráficas, rádios, televisões, jornais e agências de comunicação. No fundo, a ABMP significou a reunião das diversas associações do segmento em uma coisa maior e que pensasse o segmento como um todo. Essa fusão foi muito positiva e possibilitou a transformação das relações e trouxe muito mais transparência.
ABMP: Você esteve na liderança da ABMP entre 1998 e 2003. Analise um pouco sua gestão e, se possível, pontue os principais erros e acertos, além dos legados que perduram até hoje.
R.T: Nesse tempo de liderança, ao lado de André Lemos e Sidônio Palmeira, realizamos um trabalho interessante, e a comunicação fluiu muito bem entre os associados. As decisões foram muito acertadas. Acima de tudo, defendíamos o mercado como um todo e não o interesse pessoal de cada associado. Portanto, credito parte de nosso sucesso ao fato de não termos pendido a nenhum segmento em particular. Além disso, promovemos alguns eventos, encontros e reuniões, que foram proveitosos e contribuíram com essa conotação de mercado como um todo que era a finalidade de nossa gestão. Fizemos alguns eventos como o Festival da Propaganda em Lençóis, no qual incluímos estudantes de todo o Brasil e reunimos cerca de 3 mil pessoas. Outra ação de sucesso também foi a Feira da Propaganda no Centro de Convenções.
ABMP: A ABMP completa 20 anos no dia 05 de agosto de 2018. Como você avalia a trajetória da associação durante essas duas décadas?
R.T: O fato da ABMP até hoje existir é uma grande prova da trajetória positiva da entidade, pois, na realidade, que eu saiba, ela só existe aqui na Bahia. Estou fora do mercado baiano há 15 anos. Passei 10 anos trabalhando em Recife e, mesmo sem acompanhar esses últimos anos da associação com muitos detalhes, consigo perceber os avanços. Imagino o quanto foi difícil dirigi-la nos últimos anos com toda essa crise e com o enxugamento do mercado de Salvador. Parabéns a todos que me sucederam!
ABMP: Seria possível trazer um panorama do atual momento do mercado publicitário na Bahia? Que momento estamos vivendo e qual o seu olhar sobre nosso cenário perante os outros estados do Norte-Nordeste?
R.T: Todo o mercado publicitário está vivendo um período muito difícil. Essa onda digital está transformando totalmente o setor e todos precisam se preocupar com isso, porque a mudança está ocorrendo de forma gigantesca e de uma rapidez impressionante. Nesse período de transição aparecem os problemas e as oportunidades. Pelo fato dessa transição vir acompanhada de uma crise econômica muito forte, as empresas e os profissionais precisam apurar mais e ficar atentos às novas tecnologias, principalmente pelo fato de que essas transformações acontecem em toda cadeia de produção. Nada é mais o mesmo. Além disso, estamos lidando com ambientes de trabalho cada vez mais enxutos e com receitas também em declínio. Temos, portanto, de repensar estruturas, atentar para o benefício da reforma trabalhista e também da possibilidade do home office que poderão ajudar nos ajustes necessários à sobrevivência da empresa.
ABMP: Através do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), que tem a TV Jornal como afiliada do SBT em Pernambuco, o jornalista Luciano Faccioli, com passagens pela Record, Band e Rede TV!, foi contratado e apresentou o “Faccioli na TV” entre 2014 e 2015, dentro do período em que você foi o Diretor Superintendente. Se tratou de uma ação bastante ousada. Se formos comparar, a sede da TV Globo no Nordeste também está em Recife. Por que a capital Pernambucana sempre está à frente nesse aspecto?
R.T: Minha conduta à frente de emissoras de rádios, televisões e jornais sempre foi ancorada em três pontos: união, criatividade e ousadia. Desde a época em que atuei na Rede Bahia, entre 1998 e 2003, sempre ressaltei a importância de entrar em campo para vencer ou perder, jamais para empatar. Então, nesse período, essa era nossa alma e realizamos muitos trabalhos interessantes de grande sucesso quando Salvador era um polo de novidades, o Festival de Verão, Projeto Pôr do Sol, Rádio Bazar, Projeto Cidadão e um especial de dramaturgia chamado “Danada de Sabida”, citando alguns exemplos.
Essa mesma ousadia e criatividade implantamos em Recife na TV Jornal, em um ambiente extremamente competitivo, que deixou a TV muito próxima de seu público e com bons índices de Ibope. Olhando para trás, vejo que surfamos bem. Fomos ousados e criativos.
Foto: Acervo Pessoal
Entrevista: Leonardo César – Gerente Executivo Eletromidia Bahia
" "Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades." ...
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"Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois...
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"Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois computadores e uma mesa improvisada com uma porta e dois cavaletes. Hoje, esse negócio se transformou em uma grande agência, que emprega quase 100 pessoas e é referência no Nordeste."

ABMP: Quando falamos em “Conexões Urbanas”, o que esse conceito representa para você e como ele se relaciona com a transformação das cidades?
LC:Para a Eletromidia, o conceito de “Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades.
Salvador é um exemplo dessa dinâmica. Sua força cultural e seus espaços de convivência convidam a população a viver a cidade, seja nos deslocamentos para o trabalho e para a faculdade, seja nos momentos de lazer. Cada percurso reúne diferentes necessidades e oportunidades de encontro.
É nesse movimento que a mídia out-of-home ganha relevância. Ao integrar nossos ativos à paisagem e à rotina urbana, criamos oportunidades para as marcas participarem desse cotidiano. Quando essa presença oferece informação, serviços ou experiências que fazem sentido naquele momento, a comunicação também pode transformar a relação de quem circula com o espaço ao seu redor.
ABMP: Como a publicidade e a comunicação podem contribuir para criar conexões mais relevantes entre marcas, pessoas e espaços urbanos?
LC: A veiculação de campanhas publicitárias cria inúmeras possibilidades de conexão entre marcas e pessoas, seja no varejo, comunicando promoções, seja no âmbito institucional, reforçando atributos e construindo reputação.
Mas também tem sido cada vez mais frequente o desenvolvimento de projetos especiais e interativos, que geram experiências memoráveis, serviços e benefícios para quem circula pela cidade.
Isso é o que chamamos de storyliving, que vai além do storytelling. Em vez de apenas contar uma história, a marca convida o público a vivê-la. É a valorização da experiência presencial: proporcionar momentos de participação e imersão no cotidiano da população.
ABMP: As cidades estão cada vez mais conectadas por tecnologia e dados. Como isso muda a forma de comunicar e interagir com o público?
LC: A tecnologia e os dados ampliaram a capacidade de planejar e avaliar a mídia exterior. Além da localização dos painéis, agências e anunciantes passaram a contar com estimativas de audiência e métricas como alcance, frequência e impactos, que ajudam a entender os públicos que circulam por cada ambiente e a selecionar os pontos mais adequados aos objetivos de uma campanha.
A digitalização também trouxe mais flexibilidade para o conteúdo. Nos ativos de DOOH, o Digital Out of Home, é possível trabalhar diferentes peças e adaptar as mensagens a lugares, horários e contextos. Assim, uma campanha não precisa se comunicar da mesma maneira em todos os pontos de contato: pode considerar o que faz sentido em cada etapa do trajeto.
Para o público, essa evolução pode resultar em uma comunicação mais pertinente ao momento vivido. Para as marcas, significa combinar inteligência de mídia e criatividade para decidir não apenas onde estar, mas o que dizer e como participar da rotina das pessoas. Os dados orientam essas escolhas, e a tecnologia amplia as possibilidades de colocá-las em prática.
ABMP: Qual é o papel do espaço urbano como mídia e como plataforma de experiências para as marcas?
LC: O espaço urbano faz parte da rotina das pessoas. Para as marcas, ele oferece a oportunidade de não apenas serem vistas, mas de estabelecer vínculos em diferentes momentos dessa jornada.
O projeto Abrigo Amigo Claro, em parceria com a Claro, é um exemplo prático disso. Disponível em Salvador e em outras nove cidades do país, ele utiliza nossos painéis digitais para transformar a espera no ponto de ônibus, oferecendo companhia e aumentando a sensação de segurança. É uma forma de a marca participar do cotidiano por meio de um serviço que beneficia diretamente a população.
A Eletromidia está presente em 22 estados e próxima de alcançar 100 cidades. Nossas diferentes verticais permitem acompanhar esses trajetos nas ruas, nos transportes, em elevadores, shoppings, aeroportos e nos voos com a Azul Linhas Aéreas. Mais recentemente, anunciamos também a entrada no segmento de rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo.
É assim que buscamos ressignificar o espaço urbano: como mídia, mas também como plataforma de experiências relevantes para marcas e cidadãos.
ABMP: Como equilibrar inovação, tecnologia e criatividade sem perder a conexão humana na comunicação?
LC: O ponto de partida são as pessoas. Antes de escolher um recurso ou formato, precisamos entender quem está naquele ambiente, o que está vivendo e de que maneira a comunicação pode contribuir para sua rotina.
A Eletromidia investe de forma consistente em inovação, tecnologia e uma cultura orientada por dados. Esses recursos ajudam a identificar oportunidades, planejar campanhas e avaliar resultados. Mas é a criatividade que transforma essa leitura em uma mensagem ou experiência capaz de despertar interesse e fazer sentido para o público.
Esse equilíbrio também passa pela valorização das pessoas e da gentileza nas relações. Na comunicação, significa respeitar o contexto e a disponibilidade de atenção de cada um. Nem sempre a melhor solução será a mais complexa: uma mensagem objetiva, uma informação útil ou um serviço que facilite o cotidiano podem fazer a diferença. A tecnologia deve apoiar essa conexão, e não ser um fim em si mesma.
ABMP: De que maneira a mobilidade urbana e os novos hábitos das pessoas estão influenciando o comportamento do consumidor?
LC: É nos deslocamentos durante a rotina que as pessoas entram em contato com diferentes espaços, serviços e possibilidades de consumo. As cidades têm investido em BRT, VLT, metrô e outros modais de transporte público para melhorar a mobilidade e a experiência dos moradores. Para as marcas, estações e terminais são ambientes propícios para criar conexões e experiências relevantes para quem está em trânsito.
Essa leitura também se aplica aos deslocamentos rodoviários. Recentemente, a Eletromidia anunciou uma joint venture com a Motiva e a EcoRodovias para levar mídia OOH às rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa abre novas oportunidades de contato com as pessoas nesses trajetos.
ABMP: O que torna uma experiência urbana realmente memorável e capaz de gerar conexão com as pessoas?
LC: Creio que existem vários fatores, mas contexto, utilidade e interatividade contribuem muito para isso. O contexto começa por entender onde a pessoa está e o que está vivendo naquele momento. Uma ação pode estar conectada a um evento na cidade, a uma comemoração, a um período específico do mês ou a situações comuns da rotina, como a espera pelo transporte. Quando a marca considera esse momento, a comunicação faz mais sentido para quem a recebe.
A utilidade também é importante: oferecer um serviço, uma informação ou um benefício pode fazer diferença na jornada das pessoas. E, quando existe a possibilidade de interação, elas deixam de apenas ver a mensagem e passam a participar da experiência. É essa combinação que ajuda a criar conexões reais e memoráveis no espaço urbano.
ABMP: Como você enxerga o futuro da comunicação nas cidades: mais digital, mais experiencial ou uma combinação dos dois?
LC: Vejo o futuro como uma combinação dos dois. O digital permite adaptar mensagens a diferentes lugares e momentos, atualizar conteúdos e criar oportunidades de interação. Mas esses recursos só geram uma conexão relevante quando respondem ao contexto e às necessidades de quem está naquele ambiente.
Por isso, a experiência deve orientar o uso da tecnologia. Durante um deslocamento, uma mensagem pode ajudar a descobrir um serviço próximo; em uma espera, um projeto pode oferecer companhia ou informação útil. O futuro não está apenas em ter mais telas ou recursos digitais, mas em usar essas possibilidades para tornar a presença das marcas mais pertinente na rotina das pessoas.
ABMP: Quais são os principais desafios para marcas que querem estar presentes na vida urbana de forma relevante, sem serem invasivas?
LC: O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.
Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.
A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.
O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.
Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.
A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.
