Entrevista: Americo Neto – CEO da Viamidia
“Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois computadores e uma mesa improvisada com uma porta e dois cavaletes. Hoje, esse negócio se transformou em uma grande agência, que emprega quase 100 pessoas e é referência no Nordeste.“

ABMP: A Viamídia completa 30 anos. Como nasceu a agência e o que motivou você a entrar no mercado publicitário?
AN: Sempre tive perfil empreendedor e, desde cedo, trabalhei na área comercial e de vendas. Na hora de escolher minha profissão, fiquei entre Administração e Publicidade. Fiz vestibular para ambas e passei nas duas: Administração na Federal e Publicidade na Católica.
No quarto semestre de ambos os cursos, em 1996, um colega da faculdade de Publicidade me convidou para empreender, e juntos fundamos a Via Mídia. A partir dali, começou a história da agência.
Como sempre fui um vendedor nato, costumo dizer que hoje o meu trabalho vende duas vezes: primeiro, preciso vender a campanha para o nosso cliente; depois, essa campanha precisa vender o produto do cliente para o público dele. Sou muito realizado nessa área, e foi exatamente essa paixão que nos levou a abrir a agência.
Cheguei a cursar as duas faculdades simultaneamente sabendo que iria empreender, mas, após abrir a Via Mídia com meus colegas, decidi trancar Administração para me dedicar integralmente à agência e à Publicidade.
ABMP: Ao longo dessas três décadas, o mercado de publicidade passou por grandes transformações. Quais mudanças mais impactaram a Viamídia?
AN: Sem dúvida, uma das transformações que mais impactaram as agências de propaganda foi a transformação digital. Ela mexeu completamente — e continua mexendo todos os dias — com a nossa estrutura e com a criação de novos departamentos. Antes não existia social media nem área de mídia digital; hoje eles são fundamentais.
Impulsionamentos, novas fontes de receita… tudo mudou por conta das redes sociais e plataformas digitais. Na Viamídia, lidamos super bem com esse universo porque estamos sempre nos atualizando. Costumamos dizer que a agência está em ‘beta contínuo’: estamos sempre nos adaptando, nos transformando e aprendendo sobre as novas ferramentas.
Hoje já é possível anunciar em plataformas como a Netflix e no próprio ChatGPT Ads. A cada dia surge uma novidade, o que é ótimo para o nosso mercado, pois essas plataformas são financiadas pela publicidade — o que torna a nossa área ainda mais relevante.
ABMP: Qual campanha, cliente ou projeto da história da Viamídia você considera inesquecível e por quê?
AN: A campanha que acho mais inesquecível da Viamídia é a de final de ano para o Almacen Pepe. Ela é extremamente relevante para a gente. Primeiro, porque o Almacen é um ícone, e o fundador, Pepe Faro, é uma grande referência do varejo e do empreendedorismo baiano. Trabalhar para ele, para a família dele e para essa marca é uma honra.
Há muito tempo, partiu da Viamídia a sugestão de criar um filme de final de ano emotivo — uma campanha que não focava em vender produtos, mas sim em transmitir a emoção das festas e a importância de estar em família. Isso virou uma tradição: todo ano as pessoas esperam por esse vídeo. É um projeto que marca o Natal da Bahia e fortalece nossa relação com esse cliente tão querido. Os roteiros são todos criados por nós, e cuidamos dessa campanha com muito carinho.
ABMP: O que você acredita que fez a Viamídia permanecer relevante e chegar aos 30 anos em um mercado tão competitivo?
AN: Sem dúvida alguma, o nosso grande diferencial é a capacidade de se reinventar. Acompanhamos todas as transformações do mercado publicitário, saímos do lugar comum e criamos o nosso próprio formato. Mais do que isso: aprendemos a escutar nossos clientes.
Acredito que essa capacidade de adaptação, aliada à nossa proximidade com os clientes, é o que sustenta nosso crescimento como uma das maiores agências do Nordeste. Há quase 30 anos, começamos muito pequenos — uma agência fundada por 3 estudantes de publicidade — e nos tornamos referência justamente por essa escuta ativa.
Se o cliente precisa de mídia digital, a gente entrega. Se precisa cobrir um evento ou filmar a operação para as redes sociais, a gente faz. Se a demanda agora é produzir vídeos com inteligência artificial, a gente executa. Essa proximidade e essa agilidade para nos adaptarmos são os pilares da longevidade da Viamídia.
ABMP: Como mudou a relação entre agência, clientes e consumidores nesses 30 anos?
AN: Acho que os tempos mudaram, mas a essência continua a mesma. O empreendedor quer oferecer uma solução para o desejo ou para a necessidade do consumidor. Do outro lado, o consumidor tem seus anseios e vontades, e a agência atua traduzindo esse encontro: ela informa sobre o produto, mostra que ele existe, que atende àquela necessidade e que está disponível para compra.
Na prática, tudo parte do cliente. Se eu preciso comprar um martelo, onde vou procurar? Como vou saber qual é o melhor? Os empreendedores escutam essas demandas para desenvolver produtos e canais de venda adequados. As ferramentas mudam, mas a essência da publicidade permanece exatamente a mesma.
ABMP: A tecnologia e, mais recentemente, a inteligência artificial estão transformando a publicidade. Como você enxerga esse novo momento do mercado?
AN: Eu sempre enxergo os avanços tecnológicos como aliados. A gente aprende, adapta para o nosso dia a dia e parte para cima. Foi assim quando chegou a internet, o Google, os bancos de imagens… São ferramentas que auxiliam a rotina da agência e potencializam a nossa capacidade.
Hoje, por exemplo, você consegue criar uma música ou uma imagem que antes era superdifícil — ou até impensável — com o apoio da Inteligência Artificial. A IA abre um universo de possibilidades mágicas para os criativos. Ela é uma grande aliada que vem para potencializar, e não substituir, a criatividade humana.
ABMP: Qual é o papel da criatividade hoje, diante de tantas ferramentas, dados e novas tecnologias disponíveis para as agências?
AN: Eu costumo dizer uma frase: na propaganda mudou praticamente tudo, menos a importância da criatividade. Ela é o cerne do nosso negócio. Na minha opinião, uma agência vende, em sua essência, duas coisas: criatividade e estratégia de mídia — com análises e escolhas assertivas de canais. Essa é a nossa base.
A criatividade é o que faz a diferença. É ela que faz o cliente economizar em mídia, gerar lembrança, ser relevante e se tornar inesquecível. É a criatividade que faz a mágica. E esse é o grande diferencial que nenhuma tecnologia ou ferramenta consegue roubar.
Quando surge uma nova plataforma automatizada, alguém vem, encontra um uso mais criativo para ela e transforma completamente a comunicação. A criatividade é mágica.
ABMP: Depois de 30 anos de história, qual é o legado que a Viamídia construiu e o que Americo Neto ainda sonha para os próximos 30 anos?
AN: Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois computadores e uma mesa improvisada com uma porta e dois cavaletes. Hoje, esse negócio se transformou em uma grande agência, que emprega quase 100 pessoas e é referência no Nordeste.
O maior legado que deixamos é esse exemplo para as próximas gerações: o poder do sonho aliado ao trabalho duro transforma realidades.
Para o futuro, vejo a gente continuando a nos reinventar, inovar e criar novas formas de fazer comunicação — sem fórmulas mágicas, sem copiar ninguém e sempre escutando o cliente. Essa capacidade de escuta foi o que nos trouxe até aqui e é o que vai nos levar adiante. Tenho muito otimismo, acordo cedo e saio tarde motivado e empolgado com cada projeto.
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" "Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades." ...
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"Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois computadores e uma mesa improvisada com uma porta e dois cavaletes. Hoje, esse negócio se transformou em uma grande agência, que emprega quase 100 pessoas e é referência no Nordeste."

ABMP: Quando falamos em “Conexões Urbanas”, o que esse conceito representa para você e como ele se relaciona com a transformação das cidades?
LC:Para a Eletromidia, o conceito de “Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades.
Salvador é um exemplo dessa dinâmica. Sua força cultural e seus espaços de convivência convidam a população a viver a cidade, seja nos deslocamentos para o trabalho e para a faculdade, seja nos momentos de lazer. Cada percurso reúne diferentes necessidades e oportunidades de encontro.
É nesse movimento que a mídia out-of-home ganha relevância. Ao integrar nossos ativos à paisagem e à rotina urbana, criamos oportunidades para as marcas participarem desse cotidiano. Quando essa presença oferece informação, serviços ou experiências que fazem sentido naquele momento, a comunicação também pode transformar a relação de quem circula com o espaço ao seu redor.
ABMP: Como a publicidade e a comunicação podem contribuir para criar conexões mais relevantes entre marcas, pessoas e espaços urbanos?
LC: A veiculação de campanhas publicitárias cria inúmeras possibilidades de conexão entre marcas e pessoas, seja no varejo, comunicando promoções, seja no âmbito institucional, reforçando atributos e construindo reputação.
Mas também tem sido cada vez mais frequente o desenvolvimento de projetos especiais e interativos, que geram experiências memoráveis, serviços e benefícios para quem circula pela cidade.
Isso é o que chamamos de storyliving, que vai além do storytelling. Em vez de apenas contar uma história, a marca convida o público a vivê-la. É a valorização da experiência presencial: proporcionar momentos de participação e imersão no cotidiano da população.
ABMP: As cidades estão cada vez mais conectadas por tecnologia e dados. Como isso muda a forma de comunicar e interagir com o público?
LC: A tecnologia e os dados ampliaram a capacidade de planejar e avaliar a mídia exterior. Além da localização dos painéis, agências e anunciantes passaram a contar com estimativas de audiência e métricas como alcance, frequência e impactos, que ajudam a entender os públicos que circulam por cada ambiente e a selecionar os pontos mais adequados aos objetivos de uma campanha.
A digitalização também trouxe mais flexibilidade para o conteúdo. Nos ativos de DOOH, o Digital Out of Home, é possível trabalhar diferentes peças e adaptar as mensagens a lugares, horários e contextos. Assim, uma campanha não precisa se comunicar da mesma maneira em todos os pontos de contato: pode considerar o que faz sentido em cada etapa do trajeto.
Para o público, essa evolução pode resultar em uma comunicação mais pertinente ao momento vivido. Para as marcas, significa combinar inteligência de mídia e criatividade para decidir não apenas onde estar, mas o que dizer e como participar da rotina das pessoas. Os dados orientam essas escolhas, e a tecnologia amplia as possibilidades de colocá-las em prática.
ABMP: Qual é o papel do espaço urbano como mídia e como plataforma de experiências para as marcas?
LC: O espaço urbano faz parte da rotina das pessoas. Para as marcas, ele oferece a oportunidade de não apenas serem vistas, mas de estabelecer vínculos em diferentes momentos dessa jornada.
O projeto Abrigo Amigo Claro, em parceria com a Claro, é um exemplo prático disso. Disponível em Salvador e em outras nove cidades do país, ele utiliza nossos painéis digitais para transformar a espera no ponto de ônibus, oferecendo companhia e aumentando a sensação de segurança. É uma forma de a marca participar do cotidiano por meio de um serviço que beneficia diretamente a população.
A Eletromidia está presente em 22 estados e próxima de alcançar 100 cidades. Nossas diferentes verticais permitem acompanhar esses trajetos nas ruas, nos transportes, em elevadores, shoppings, aeroportos e nos voos com a Azul Linhas Aéreas. Mais recentemente, anunciamos também a entrada no segmento de rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo.
É assim que buscamos ressignificar o espaço urbano: como mídia, mas também como plataforma de experiências relevantes para marcas e cidadãos.
ABMP: Como equilibrar inovação, tecnologia e criatividade sem perder a conexão humana na comunicação?
LC: O ponto de partida são as pessoas. Antes de escolher um recurso ou formato, precisamos entender quem está naquele ambiente, o que está vivendo e de que maneira a comunicação pode contribuir para sua rotina.
A Eletromidia investe de forma consistente em inovação, tecnologia e uma cultura orientada por dados. Esses recursos ajudam a identificar oportunidades, planejar campanhas e avaliar resultados. Mas é a criatividade que transforma essa leitura em uma mensagem ou experiência capaz de despertar interesse e fazer sentido para o público.
Esse equilíbrio também passa pela valorização das pessoas e da gentileza nas relações. Na comunicação, significa respeitar o contexto e a disponibilidade de atenção de cada um. Nem sempre a melhor solução será a mais complexa: uma mensagem objetiva, uma informação útil ou um serviço que facilite o cotidiano podem fazer a diferença. A tecnologia deve apoiar essa conexão, e não ser um fim em si mesma.
ABMP: De que maneira a mobilidade urbana e os novos hábitos das pessoas estão influenciando o comportamento do consumidor?
LC: É nos deslocamentos durante a rotina que as pessoas entram em contato com diferentes espaços, serviços e possibilidades de consumo. As cidades têm investido em BRT, VLT, metrô e outros modais de transporte público para melhorar a mobilidade e a experiência dos moradores. Para as marcas, estações e terminais são ambientes propícios para criar conexões e experiências relevantes para quem está em trânsito.
Essa leitura também se aplica aos deslocamentos rodoviários. Recentemente, a Eletromidia anunciou uma joint venture com a Motiva e a EcoRodovias para levar mídia OOH às rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa abre novas oportunidades de contato com as pessoas nesses trajetos.
ABMP: O que torna uma experiência urbana realmente memorável e capaz de gerar conexão com as pessoas?
LC: Creio que existem vários fatores, mas contexto, utilidade e interatividade contribuem muito para isso. O contexto começa por entender onde a pessoa está e o que está vivendo naquele momento. Uma ação pode estar conectada a um evento na cidade, a uma comemoração, a um período específico do mês ou a situações comuns da rotina, como a espera pelo transporte. Quando a marca considera esse momento, a comunicação faz mais sentido para quem a recebe.
A utilidade também é importante: oferecer um serviço, uma informação ou um benefício pode fazer diferença na jornada das pessoas. E, quando existe a possibilidade de interação, elas deixam de apenas ver a mensagem e passam a participar da experiência. É essa combinação que ajuda a criar conexões reais e memoráveis no espaço urbano.
ABMP: Como você enxerga o futuro da comunicação nas cidades: mais digital, mais experiencial ou uma combinação dos dois?
LC: Vejo o futuro como uma combinação dos dois. O digital permite adaptar mensagens a diferentes lugares e momentos, atualizar conteúdos e criar oportunidades de interação. Mas esses recursos só geram uma conexão relevante quando respondem ao contexto e às necessidades de quem está naquele ambiente.
Por isso, a experiência deve orientar o uso da tecnologia. Durante um deslocamento, uma mensagem pode ajudar a descobrir um serviço próximo; em uma espera, um projeto pode oferecer companhia ou informação útil. O futuro não está apenas em ter mais telas ou recursos digitais, mas em usar essas possibilidades para tornar a presença das marcas mais pertinente na rotina das pessoas.
ABMP: Quais são os principais desafios para marcas que querem estar presentes na vida urbana de forma relevante, sem serem invasivas?
LC: O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.
Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.
A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.
O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.
Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.
A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.
