A modernização de empresas tradicionais é possível?
Já inicio o texto com a resposta a esta inquietante provocação: Não só é possível, como é necessária. No segundo mandato à frente da Santa Casa da Bahia, com 470 anos de história, posso lhes dizer que modernizar processos, imagem, tecnologias e pensamentos, são fundamentais para toda organização que está no mercado e pretende ter um futuro longínquo. Afinal, seja qual for a área de atuação, mas sobretudo no campo da saúde, a concorrência e os avanços não esperam.
As empresas mais tradicionais têm o desafio de se atualizar e essa não costuma ser uma tarefa fácil, nem simples. É um processo que requer investimento e leva tempo. As instituições seculares, por exemplo, normalmente são formadas por profissionais experientes, mas nem sempre atualizados. A atração de jovens profissionais, participando e contribuindo com novas ideias, tende a contribuir para acelerar mudanças. Ter à frente gestores atualizados, independente da idade, é fundamental para conduzir este processo entre diferentes gerações. Uma gestão que entenda a importância da modernização, mas que também saiba lidar com os desafios que fatalmente serão encontradas no caminho, é fundamental.
E não me refiro, necessariamente, a mudanças bruscas de posicionamento. É possível modernizar-se sem perder a tradição, a fim de sobreviver de forma competitiva no mercado. A chegada das startups, a velocidade das mudanças, a entrada de capital estrangeiro, a explosão de aplicativos e recursos tecnológicos em geral… Este cenário exige criatividade e a implementação de inovações, complementando e atualizando o modelo de negócio tradicional.
Muitos são os exemplos de empresas tradicionais que não se adaptaram e se tornaram obsoletas, mas as que entenderam a importância de atender às novas demandas dos consumidores e do mercado, se consolidaram mais fortes do que nunca. O setor hoteleiro, de transporte e os bancos, por exemplo, tiveram que se adaptar às novas demandas dos consumidores, modernizando-se. No setor da saúde e na área social não é diferente.
É preciso estar atento às demandas e necessidades do consumidor, agir local e pensar global. Esta deve ser a nova mentalidade da cultura corporativa. Estar atualizado, estabelecer parcerias, buscar certificações de credibilidade, envolver e estimular colaboradores são partes fundamentais deste processo.
E como falar em inovação sem digitalização? A transformação digital é uma realidade necessária para todas instituições. Para se manter competitivo, é necessário unir tecnologia e competência humana, oferecendo modernidade, como é o caso da cirurgia robótica, da certificação HIMSS (Hospital sem Papel), da própria acreditação internacional – com protocolos atualizados e exigentes, mas que focam no principal: a segurança do paciente.
Desta forma, é oferecida uma melhor experiência de consumo, melhora-se a eficiência em processos, percebe-se resultados mais efetivos e aumenta-se a participação no mercado, garantindo uma modernização consciente, planejada e bem sustentada.

Roberto Sá Menezes
Colunista
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