A escol(h)a da vida
Rubem Alves, expressivo escritor do nosso tempo, certa vez escreveu que “há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”. É interessante como tal perspectiva nos releva que, na nossa vida, o mesmo ‘espaço’ pode conduzir por caminhos e olhares tão diferentes. Sempre gostei de asas. E sempre gostei da escola. Lá parecia que um mundo novo se abria e eu podia escolher o meu futuro, quase num passe de mágica. Adorava sonhar o que seria quando crescesse. Amava a possibilidade de escolher a minha profissão de “gente grande”. Nessa hora, as asas se abriam e eu voava.
Mas hoje, já adulto e ‘devidamente profissionalizado’, fico me perguntando se a escola também tem a ver com as escolhas? E as escolhas têm a ver com a escola? Acho que, para tal impasse, tenho muito mais perguntas do que respostas. É nessa hora que a convicção que me alcança é a de que são as experiências que podem nos guiar e nos livrar das ‘gaiolas’ que aprisionam, mesmo que tenhamos asas.
O fato é que são muitas as perguntas que amigos, colegas, alunos e clientes me fazem no dia a dia e que me fazem sentir que sou um eterno aprendiz. Um estudante recém-saído do jardim da infância, tateando no que andam chamando de a “escola da vida”. Esta na qual, metaforicamente, as ‘disciplinas’ são as escolhas que eu faço para me tornar uma pessoa mais humana, mais profissional, mas firme e sem medo do errar – se é que isso seja, de alguma forma, possível. Afinal, se estamos falando em escola, é nela que aprendemos. É nela que, igualmente, vamos nos formando e nos transformando por meio de inúmeras tentativas de acertos e erros.
Mas voltando ao que escolhemos ser: desde o início dos estudos somos questionados sobre o que seremos no futuro. Fazemos escolhas que os pais nem sempre entendem. Fazemos escolhas que nem sempre entendemos. Nos deparamos com escolhas que a vida nos proporciona. Algumas nos fisgam, outras acabam passando despercebidas. Contudo, agora eu bem sei, que só o tempo nos possibilitará entender e aprender as regras dessa realidade. Com a poetisa Cora Coralina bem ponderou, “matriculados na escola da vida” temos como o mestre “o tempo”.
Em matéria de escola e escolhas, o tempo tem me ensinado muitas coisas. Tem me ensinado a ouvir. Ouvir, ouvir, ouvir e só depois falar. Também tem me ensinado a questionar. A ser curioso, a viver de perguntas que talvez eu nunca tenha as respostas. Tem me ensinado, sobretudo, a me interessar por gente. Saber de gente.
Conhecer gente. Ser gente o tempo todo! O tempo igualmente tem calibrado minhas modestas asas… Quero viver de viagens, de novas paisagens e diferentes saberes. Todo dia e a toda hora! Creio que é por isso que na escola da vida encontro tanta generosidade e tanto aprendizado. E isso vai além das minhas meras possibilidades de escolhas. Pois são tão somente presentes! Entregues de todas as formas e cores: através de pessoas, cidades, textos, histórias, luzes e sabores.
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Diego Oliveira
Colunista
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