A retomada de nós mesmos

abr/2020

Nas últimas semanas, a internet tem trazido uma série de conteúdos, principalmente lives, sobre o tema: “o que podemos aprender com o novo coronavírus”.

De fato, situações extremas nos levam, muitas vezes, a reflexões mais profundas. Não que isso seja regra.

Uma das coisas que mais tenho pensado nesses tempos de isolamento é sobre a ressignificação de vários elementos que compõem a nossa vida cotidiana, em especial, o afeto, a nossa relação com o tempo e o desapego.

Muitas vezes, na correria do dia a dia, não nos damos conta de olhar para nós mesmos, o que dirá para o outro. O mundo da inteligência artificial, da internet das coisas e da vida no digital não nos deixa tempo para o que realmente importa.

Temos de estar tão constantemente por dentro de todos os assuntos, ligados em tudo, que deixamos de nos conectar com a gente mesmo.

É certo que essa quarentena alterou o curso da vida de milhares de brasileiros, mas será que, mesmo em casa, estamos tendo tempo para pensar na razão de tudo isso e como nós, indivíduos únicos, podemos contribuir para um mundo melhor? Ou será que continuamos com velhos hábitos e pensamentos, deixando de aproveitar o momento atual para estarmos em silêncio, aprender mais sobre nós e, dessa forma, também compreender melhor o próximo?

O que, efetivamente, esse vírus veio nos dizer? De cara, que o discurso do “eu quero”, “eu preciso”, “eu resolvo” não funciona no cenário atual. Ou seja, tivemos de substituir o “eu” pelo “nós”, pois sozinhos não teremos a menor chance contra essa pandemia.

Outra palavra que tem estado em alta é “conscientização”. Estamos, de fato, vivenciando o coletivo. É nossa chance de aprender de uma vez por todas que o que ocorre em qualquer parte do planeta pode me afetar, mesmo eu estando no aconchego do meu lar. Embora sejamos seres únicos, estamos todos interligados e promovendo constantes transformações no mundo. Se conseguirmos compreender isso verdadeiramente, talvez possamos ter uma vida mais equilibrada, harmoniosa e respeitosa.

Talvez, a gente tenha chegado no melhor momento para desenvolver a compaixão e olhar para o outro sem julgamentos. Para os desavisados, a Covid-19 vem mostrar que somos tomos iguais em nossas fragilidades e necessidades humanas. Não importa cor, raça, crença, sexualidade ou origem.

Este é um momento singular, em que temos oportunidades de estar mais com a gente mesmo, e porque não dizer com o outro – mesmo á distância, demonstrando amor e afeto, repensando as escolhas da vida, ajudando ao próximo e tentando, ao máximo, minimizar nossas dores e sofrimentos. Não que tudo isso não possa ser feito em tempos de não pandemia. Na verdade, seria muito melhor se conseguíssemos ter esse olhar diariamente. Porém, muitas vezes, só em estado e situação de crise é que conseguimos nos reinventar.

Diego Oliveira

Diego Oliveira

Colunista

Fundador e CEO do Grupo Youpper Consumer & Media Insight. Expert in Consumer & Media Insights. Publicitário e mestre em Comunicação pela Cásper Líbero, especialista em gestão de projetos pela FGV, professor e supervisor universitário na ESPM nos cursos de Publicidade e Propaganda.
Mais artigos

Axé para quem é de Axé! Axé, Anitta!

A perda de seguidores após uma revelação religiosa pode ser encarada como um verdadeiro livramento divino. Aqueles que se afastam de nós nesse momento estão apenas mostrando que não estavam verdadeiramente alinhados com nossos valores e crenças mais profundas. É...

ler mais

Não era amor. Era pix. A relação por interesse.

Em um mundo cada vez mais movido por interesses e conveniências, é comum nos depararmos com relacionamentos que se baseiam em trocas e benefícios mútuos, em detrimento de sentimentos genuínos e conexões emocionais reais. O que antes era conhecido como amor, agora...

ler mais

O furar bolhas necessário se cada dia

Você ainda acredita que furar bolhas é mimimi? Acorde, viu! Furar bolhas é fundamental para se tornar um profissional completo e capaz de agregar valor em sua área de atuação. Ao se manter restrito em um determinado ambiente, sem buscar experiências e conhecimentos...

ler mais

junte-se ao mercado