Bahia: Cidade da Música
Na Bahia a música está sempre em movimento. Aqui acontece o movimento da música, fazendo dessa cidade, uma cidade repleta de notas musicais.
Foi CAYMMI quem primeiro internacionalizou a música baiana, na voz de Carmen Miranda, fazendo os Estados Unidos cantar: “ o que é que a baiana tem “.
JOÃO GILBERTO inventou a Bossa Nova e a partir desse dia, o Brasil que só exportava matéria prima, começou a exportar arte, o mais alto grau da criação humana.O Trio Elétrico, um palco que anda, é uma invenção baiana, que mudou a maneira de brincar o carnaval e foi decisivo para que depois surgisse uma indústria da música na Bahia. E nessa sequência também foi inventada uma guitarra, a baiana, com muito dendê nas cordas. Instrumento que só se vê na Bahia. Viva Dodô e Osmar!
A Tropicália não existiria sem os baianos: Tom Zé, Caetano, Rogério Duarte, Gil , Capinan, Gal, que perderam o medo, criaram e experimentaram, misturando símbolos e signos, a ponto de incorporar o Hino do Senhor do Bonfim ao seu repertório de modernidade. A Tropicália chegou derrubando barreiras e preconceitos, fazendo da música atitude política e de comportamento. Caetano e Gil acabaram exilados pelo Regime militar, mas o movimento da música não parou e os anos setenta chegaram com os Novos Baianos e com esta cidade da Bahia sendo imaginário do mundo, apesar da repressão do regime militar. Todo mundo andava por estas bandas. Vinicius morava em Itapuã, Gil e Caetano voltaram do exílio, circulavam por aqui Jack Nicholson, Roman Polanski, Cat Stevens, Robert de Niro, Michael Douglas, Janis Joplin. Janis esteve aqui, com passagem por Salvador e Arembepe, tomou banho de mar no Rio Vermelho e chegou a cantar num bordel da cidade, próximo ao largo 2 de julho..
Os Novos Baianos a partir de um encontro com João Gilberto, fundiram o samba ao rock e Acabou Chorare virou um dos 10 discos mais importantes do século XX.
Moraes Moreira dando sequência a esse movimento da música, deu voz ao trio elétrico e mudou de novo o carnaval, abrindo caminho para uma legião de novos artistas, que tiveram o trio como veículo para que suas músicas alcançassem as massas. O som na Praça Castro Alves era o máximo e por lá circulavam entre a multidão Caetano, Gil, Torquato, Dedé , Jorge Mauther, Bethânia, Maria Alcina,Macalé, Sônia Braga entre outros. Era tempo de som na Praça e estar com os pés no chão é que era vip.
Luiz Caldas veio em seguida e inventou o fricote dando início ao movimento da Axé Music, permitindo o surgimento de uma indústria musical na Bahia, e fixando seus artistas na terrinha, que antes disso tinham que morar no Rio ou em São Paulo, se almejassem sucesso na carreira. Os sucessos locais se multiplicaram e o primeiro disco de Luiz caldas, Magia, vendeu meio milhão de cópias. Em mais um movimento as gravadoras inverteram a rota e vieram para a Bahia em busca de novas apostas. Criou-se o mercado baiano de música, ou o mercado da música baiana.
Neguinho do samba inventou o SAMBA REGGAE e trouxe para a Bahia Michael Jackson e Paul Simon, levando a batida do Olodum para o mundo e trazendo o mundo para a Bahia. Coisa de gênio pouco valorizado.E quem é o pai do rock? O pai do rock é RAUL SEIXAS, que inovou com Ouro de Tolo, protestou, criou a Sociedade Alternativa, foi preso, torturado , exilado nos Estados Unidos e quando voltou espalhou sucessos por todo o Brasil.E o que dizer do Samba?
O samba nasceu na Bahia, nos engenhos do recôncavo, a matriz é o samba chula.Por todos estes fatos, a Bahia por si só, a Bahia é a Cidade da Música..
Sérgio Siqueira

Sérgio Siqueira
Colunista
Formado em Administração de Empresas pela Ufba com especialização em programação visual , marketing institucional , propaganda e eventos. Gerente de Criação e Produção e desenvolvimento de projetos e campanhas institucionais e culturais da Rede Bahia.
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