“Não espere ficar tudo bem pra ser feliz!”

jul/2024

Você já pensou o quanto de autorização pessoal pra ser feliz você se oferece? Quando é que, finalmente, você vai poder dizer: “Ah! Agora eu posso!”

Se você ficar esperando estar tudo bem na sua vida pra poder celebrar, sorrir, curtir e agradecer, vai passar parte dela correndo atrás, se perdendo da direção que precisa ir, sem valorizar o quanto você já alcançou.

As pessoas transformaram a felicidade em utopia, esperando chegar o momento em que estariam gozando da plenitude para se autorizarem sentir. Não percebem que vão ficando impedidas de curtir momentos agradáveis, por julgarem serem insuficientemente dignos de comemorações. 

Então, o que é mesmo digno de celebração, hoje?

Criaram até o termo “emocionadas demais”, agregando à palavra ‘EMOÇÃO’ uma carga estereotipada, que promove, socialmente, um crivo de pessoas querendo controlar outras, no que se refere às doses aceitáveis para que se sintam emocionadas. 

Se sempre existiram pessoas que têm dificuldade em lidar com suas próprias emoções, agora é como se tivéssemos perdido a liberdade de, naturalmente, senti-las. E cada um vai se tornando juiz da felicidade alheia!

E o que isso tem acarretado? Dificuldades sobre o desfrute natural das próprias emoções! Se as pessoas mais travadas são as mais prejudicadas com esse movimento atual, precisamos, urgente, tomar consciência de que NINGUÉM colhe vantagens com isso. 

Ao contrário! O que eu tenho atendido de casais que se queixam que o par amoroso tem dificuldade de expressar emoções, vocês nem imaginam! E eu considero que parte dessas angústias são de responsabilidade desse julgamento em torno da dose que é, ou não, aceitável, de “emocionamento” das pessoas diante da vida.

Viramos, então, juízes das emoções dos outros?

Se continuarem por onde estão indo, a felicidade vai se tornando cada vez mais inalcançável, e os pequenos feitos vão perdendo a importância, num movimento de busca incessante por um estado de êxtase, mais fantasioso do que real.

Por exemplo, nas relações de amor, já é comum o comportamento de pessoas que iniciam seus vínculos afetivos investigando o “nível de ‘emocionamento” da pessoa com quem estão se envolvendo, levando a um controle sobre os sentimentos do outro e sobre sua própria maneira e apropriação do seu sentir! Então, qual entrega é possível, se até O SENTIR está no automático?

Quanto a este aspecto, confesso ainda me surpreender com qual a essência da mensagem que é trazida por falas como: “Não curto pessoas emocionadas demais”; “Pra mim, se a pessoa já chega muito emocionada é porque está carente, e eu não dou conta de administrar carência alheia nesse estágio da vida”.

Estão querendo alguém que AME no automático? Como assim?

Viver envolve momentos de amor e de dor, e se as pessoas não compreenderem que todo mundo passa por isso, nesse percurso, que é viver, vai ser perpetuada a expectativa de uma vida sem dificuldades, que é sabido que poucas pessoas têm a sorte e o destino de experimentarem. 

Se autorizar a sentir alegria e estar feliz envolve algo maior, no sentido da pessoa administrar as próprias culpas e saber transpor determinadas crenças de menos valia e não merecimento. Quanto de leveza e estado de graça você julga ter recursos emocionais para sustentar? Já pensou sobre isso?

Projetar um parâmetro futuro de felicidade muitas vezes leva a um rigor sobre a forma de avaliar pequenos episódios de alegria que estejam acontecendo no seu momento presente. Quantas pessoas vocês conhecem que arrastam memórias do passado e idealizam novas formas de viver o futuro, sem conseguirem se manter no estado de presença? E quantas coisas essas pessoas estão deixando de sentir porque não se permitem manter-se onde estão? 

Agora imagine viver num mundo em que expressar suas emoções passa por um crivo social, que faz com que você seja julgado? A pessoa mais intensa vira alvo e, nessa dinâmica, quem transborda emoção se expõe à análise dos outros. Tem vigorado uma ordem velada sob o entendimento de que quem domar o que sente garante um refúgio contra exposições e consequentes julgamentos.

Saímos da geração da triste realidade do “engula o choro” para uma mais castradora geração do “é inadequado se emocionar”, que traz implícita a mensagem de que é insuportável conviver de perto com o aquele que se permite SENTIR SEM CONTROLE. 

Se cada um cuidar do que sente, e parar de querer controlar a forma do outro sentir, será possível compreender que uma pessoa pode (e deve) comemorar uma conquista profissional, ainda que sua vida amorosa não seja aquela que ela sonhou ter; ou pode (e deve) gozar de uma viagem, ainda que não tenha alcançado o padrão financeiro que planejou para si; ou pode comparecer a uma festa, dançar e sorrir, mesmo tendo passado o dia cuidando de um parente que esteja acamado, por motivo de doença. A vida é dinâmica, e alegrias e tristezas podem caminhar juntinhas.

Na realidade, a liberdade daquele que se permite sentir sem controle só agride quem não sabe lidar com suas próprias emoções. Então, termina sendo tudo sobre a pessoa que julga, e muito pouco sobre a pessoa que sente. Dessa forma, se o que você sente mora em você, a entrega disso ao mundo não deveria ser dosada pelo medo do que o outro vai pensar de ti.

Já se deu conta do que VOCÊ está fazendo com o que VOCÊ sente? 

Quantas coisas você tem permitido passar despercebidas sobre você, por medo de senti-las como deveria, e terminar sendo julgado? 

É muito difícil estar tudo sempre bem, mas isso não é justificativa pra você não observar o que está. Não adianta ignorar suas emoções, pois sua mente conta tudo pro seu corpo. Então, tome posse, já, de tudo o que você sente, e se permita a liberdade de expressar do jeito que você quiser. 

A felicidade é uma permissão que temos que nos dar!

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O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Sinara Dantas Neves

Sinara Dantas Neves

Colunista

@acuradoraferida
Doutora e pós doutoranda em Família na Sociedade Contemporânea (UCSaL-BR/ ICS- Universidade de Lisboa – PT);
Mestre em Psicologia (USP); Psicoterapeuta sistêmica (ABRATEF 206-BA); Professora universitária há 23 anos;
Pesquisadora da Conjugalidade; Escritora; Palestrante;

Mãe, amante da sua profissão e apaixonada por gente!

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junte-se ao mercado 

jul/2024

"Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois computadores e uma mesa improvisada com uma porta e dois cavaletes. Hoje, esse negócio se transformou em uma grande agência, que emprega quase 100 pessoas e é referência no Nordeste."                                                                                                                                                                                       

 

ABMP: Quando falamos em “Conexões Urbanas”, o que esse conceito representa para você e como ele se relaciona com a transformação das cidades?

LC:Para a Eletromidia, o conceito de “Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades.

Salvador é um exemplo dessa dinâmica. Sua força cultural e seus espaços de convivência convidam a população a viver a cidade, seja nos deslocamentos para o trabalho e para a faculdade, seja nos momentos de lazer. Cada percurso reúne diferentes necessidades e oportunidades de encontro.

É nesse movimento que a mídia out-of-home ganha relevância. Ao integrar nossos ativos à paisagem e à rotina urbana, criamos oportunidades para as marcas participarem desse cotidiano. Quando essa presença oferece informação, serviços ou experiências que fazem sentido naquele momento, a comunicação também pode transformar a relação de quem circula com o espaço ao seu redor.

ABMP: Como a publicidade e a comunicação podem contribuir para criar conexões mais relevantes entre marcas, pessoas e espaços urbanos?

LC: A veiculação de campanhas publicitárias cria inúmeras possibilidades de conexão entre marcas e pessoas, seja no varejo, comunicando promoções, seja no âmbito institucional, reforçando atributos e construindo reputação.

Mas também tem sido cada vez mais frequente o desenvolvimento de projetos especiais e interativos, que geram experiências memoráveis, serviços e benefícios para quem circula pela cidade.

Isso é o que chamamos de storyliving, que vai além do storytelling. Em vez de apenas contar uma história, a marca convida o público a vivê-la. É a valorização da experiência presencial: proporcionar momentos de participação e imersão no cotidiano da população.

ABMP: As cidades estão cada vez mais conectadas por tecnologia e dados. Como isso muda a forma de comunicar e interagir com o público?

LC: A tecnologia e os dados ampliaram a capacidade de planejar e avaliar a mídia exterior. Além da localização dos painéis, agências e anunciantes passaram a contar com estimativas de audiência e métricas como alcance, frequência e impactos, que ajudam a entender os públicos que circulam por cada ambiente e a selecionar os pontos mais adequados aos objetivos de uma campanha.

A digitalização também trouxe mais flexibilidade para o conteúdo. Nos ativos de DOOH, o Digital Out of Home, é possível trabalhar diferentes peças e adaptar as mensagens a lugares, horários e contextos. Assim, uma campanha não precisa se comunicar da mesma maneira em todos os pontos de contato: pode considerar o que faz sentido em cada etapa do trajeto.

Para o público, essa evolução pode resultar em uma comunicação mais pertinente ao momento vivido. Para as marcas, significa combinar inteligência de mídia e criatividade para decidir não apenas onde estar, mas o que dizer e como participar da rotina das pessoas. Os dados orientam essas escolhas, e a tecnologia amplia as possibilidades de colocá-las em prática.

ABMP: Qual é o papel do espaço urbano como mídia e como plataforma de experiências para as marcas?

LC: O espaço urbano faz parte da rotina das pessoas. Para as marcas, ele oferece a oportunidade de não apenas serem vistas, mas de estabelecer vínculos em diferentes momentos dessa jornada.

O projeto Abrigo Amigo Claro, em parceria com a Claro, é um exemplo prático disso. Disponível em Salvador e em outras nove cidades do país, ele utiliza nossos painéis digitais para transformar a espera no ponto de ônibus, oferecendo companhia e aumentando a sensação de segurança. É uma forma de a marca participar do cotidiano por meio de um serviço que beneficia diretamente a população.

A Eletromidia está presente em 22 estados e próxima de alcançar 100 cidades. Nossas diferentes verticais permitem acompanhar esses trajetos nas ruas, nos transportes, em elevadores, shoppings, aeroportos e nos voos com a Azul Linhas Aéreas. Mais recentemente, anunciamos também a entrada no segmento de rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo.

É assim que buscamos ressignificar o espaço urbano: como mídia, mas também como plataforma de experiências relevantes para marcas e cidadãos.

 

ABMP: Como equilibrar inovação, tecnologia e criatividade sem perder a conexão humana na comunicação?

LC: O ponto de partida são as pessoas. Antes de escolher um recurso ou formato, precisamos entender quem está naquele ambiente, o que está vivendo e de que maneira a comunicação pode contribuir para sua rotina.

A Eletromidia investe de forma consistente em inovação, tecnologia e uma cultura orientada por dados. Esses recursos ajudam a identificar oportunidades, planejar campanhas e avaliar resultados. Mas é a criatividade que transforma essa leitura em uma mensagem ou experiência capaz de despertar interesse e fazer sentido para o público.

Esse equilíbrio também passa pela valorização das pessoas e da gentileza nas relações. Na comunicação, significa respeitar o contexto e a disponibilidade de atenção de cada um. Nem sempre a melhor solução será a mais complexa: uma mensagem objetiva, uma informação útil ou um serviço que facilite o cotidiano podem fazer a diferença. A tecnologia deve apoiar essa conexão, e não ser um fim em si mesma.

ABMP: De que maneira a mobilidade urbana e os novos hábitos das pessoas estão influenciando o comportamento do consumidor?

LC: É nos deslocamentos durante a rotina que as pessoas entram em contato com diferentes espaços, serviços e possibilidades de consumo. As cidades têm investido em BRT, VLT, metrô e outros modais de transporte público para melhorar a mobilidade e a experiência dos moradores. Para as marcas, estações e terminais são ambientes propícios para criar conexões e experiências relevantes para quem está em trânsito.

Essa leitura também se aplica aos deslocamentos rodoviários. Recentemente, a Eletromidia anunciou uma joint venture com a Motiva e a EcoRodovias para levar mídia OOH às rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa abre novas oportunidades de contato com as pessoas nesses trajetos.

ABMP: O que torna uma experiência urbana realmente memorável e capaz de gerar conexão com as pessoas?

LC: Creio que existem vários fatores, mas contexto, utilidade e interatividade contribuem muito para isso. O contexto começa por entender onde a pessoa está e o que está vivendo naquele momento. Uma ação pode estar conectada a um evento na cidade, a uma comemoração, a um período específico do mês ou a situações comuns da rotina, como a espera pelo transporte. Quando a marca considera esse momento, a comunicação faz mais sentido para quem a recebe.

A utilidade também é importante: oferecer um serviço, uma informação ou um benefício pode fazer diferença na jornada das pessoas. E, quando existe a possibilidade de interação, elas deixam de apenas ver a mensagem e passam a participar da experiência. É essa combinação que ajuda a criar conexões reais e memoráveis no espaço urbano.

ABMP: Como você enxerga o futuro da comunicação nas cidades: mais digital, mais experiencial ou uma combinação dos dois?

LC: Vejo o futuro como uma combinação dos dois. O digital permite adaptar mensagens a diferentes lugares e momentos, atualizar conteúdos e criar oportunidades de interação. Mas esses recursos só geram uma conexão relevante quando respondem ao contexto e às necessidades de quem está naquele ambiente.

Por isso, a experiência deve orientar o uso da tecnologia. Durante um deslocamento, uma mensagem pode ajudar a descobrir um serviço próximo; em uma espera, um projeto pode oferecer companhia ou informação útil. O futuro não está apenas em ter mais telas ou recursos digitais, mas em usar essas possibilidades para tornar a presença das marcas mais pertinente na rotina das pessoas.

 

ABMP: Quais são os principais desafios para marcas que querem estar presentes na vida urbana de forma relevante, sem serem invasivas?

LC: O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.

 

O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

 

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

 

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.