Entre o subterrâneo e o submerso: o que está à mostra numa relação a dois?

abr/2024

Foi unânime a reação das pessoas, pelas redes sociais, diante da cena (humilhante de assistir), em que um participante de um reality show tem suas roupas jogadas na piscina, por outra participante.

Não se tratava de um par amoroso, mas, vale a reflexão sobre quantas cenas, tristes de assistir, vocês já presenciaram entre pessoas que estão vivendo uma história amorosa?

Cenas como: rasgar as roupas; tocar fogo em objetos; quebrar vidros de carros; jogar os pertences pela janela; zunhar; morder; sacolejar ou esmurrar paredes e portas…

Quem está como personagem das cenas, geralmente não tem dimensão da proporção onde o relacionamento chegou. Mas, pra quem está de fora, simplesmente testemunhando, dá um aperto no coração, pela impotência que se sente ao não saber como tirar o casal dessa escalada simétrica, em que, somente 1 dos 2 poderá se retirar.

São expressões de descontrole, que denunciam, justamente, a dificuldade de comunicação existente entre o casal.

Na minha prática clínica com casais, percebo o quanto a competição é um elemento presente nas relações de amor.
Quando o casal vicia estar no vínculo, nutrindo laços competitivos, perdem o ‘time’ de controlarem alguns impulsos, cegos pela energia de disputa. E, aí, o risco de se desrespeitarem também fica eminente, já que, nesse nível, é como se valesse tudo, para garantir a razão.

Enquanto os casais acharem que precisam encontrar “de quem foi a culpa” pelos acontecimentos da sua relação, irão gastar energia em vão, porque, na conjugalidade, não se considera que 1 dos membros foi culpado de nada que envolve os 2, mas, sim, ambos têm responsabilidade por tudo que acontece com o par.

É importante pensar o quanto você se compromete por essa relação, e o quanto seu par tem se responsabilizado, também.

Cada um assumindo suas responsabilidades, fica mais fácil perceberem o quanto devem se comprometer, daquele momento em diante.

Comprometer-se pelo vínculo é missão numa relação de amor. Na verdade, deveria ser!

Quando os 2 não se comprometem, fica sempre algo boiando, ou algo submerso.

E, então, quando alguém é confrontado, tenta, assim como no reality show, se mostrar pior do que fora acusado, como forma de expor sua indignação e chamar atenção para o que, provavelmente, já precisava ser visto antes.

No reality, a participante que jogou as roupas do colega na piscina, fazia, aos berros, alertando que, já que fora considerada baixa, precisava demonstrar ser ainda mais baixa, do que baixa, o que ela chamou de ‘subterrânea’.

Quantos casais vocês já testemunharam ser tão subterrâneos por não terem olhado para o que estava submerso nas suas relações?

Lembrem que somos de uma geração que assistiu as reações de indignação por infidelidade na TV, no cinema e até na porta da casa dos vizinhos!

Sim, isso não resolve as questões conjugais, mas ilustra a incapacidade do casal em não ter construído uma forma eficaz de comunicação, se permitindo permanecer em relações que já tinham acabado, mas não tinham chegado ao fim.

E o pior panorama ainda é aquele em que se busca responsabilizar uma 3a pessoa, descontando nela a decepção da sensação de traição, que, atitudes de deslealdade ao vínculo causam.

A sensação é mais profunda que os danos da infidelidade, e as ações são explicadas pela impossibilidade de olhar pra onde precisa ser visto, e de responsabilizar quem precisava ser responsabilizado e punido.
Elege-se um bode expiatório, muitas vezes desavisado, como depositário das angústias, se há o reconhecimento pessoal de não conseguir sustentar a decisão de se impor diante do cônjuge, e assumirem um término.

Então, assim, as dores continuam submersas, e suas causas permanecem no subterrâneo… e não faltarão estímulos para que aconteçam novas cenas de repúdio, que vão se tornando familiares aos casais, ainda que, absolutamente, não saudáveis/disfuncionais.

Quantos casais vocês conhecem, que vivem assim?

_______________
O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Sinara Dantas Neves

Sinara Dantas Neves

Colunista

@acuradoraferida
Doutora e pós doutoranda em Família na Sociedade Contemporânea (UCSaL-BR/ ICS- Universidade de Lisboa – PT);
Mestre em Psicologia (USP); Psicoterapeuta sistêmica (ABRATEF 206-BA); Professora universitária há 23 anos;
Pesquisadora da Conjugalidade; Escritora; Palestrante;

Mãe, amante da sua profissão e apaixonada por gente!

Mais artigos

Outubro não é o começo do fim

Chegamos a outubro. E talvez uma das primeiras sensações seja aquela velha frase: “O ano está acabando.” Mas será? Gosto de pensar no início do último trimestre de uma maneira diferente. Em vez de enxergar outubro como o começo do fim, por que não tratá-lo como o...

ler mais

Menos IA, mais IE

Recentemente, em uma conversa com Pedro Dornas, profissional e aluno da ESPM, falávamos sobre a quantidade de encontros, cursos, palestras e debates que vêm sendo realizados para discutir Inteligência Artificial. Em determinado momento, surgiu uma provocação simples:...

ler mais

Fui ver Anitta. Encontrei uma aula de gestão, fé e respeito.

Minha decisão de ir ao último show desta temporada de Equilibrium, de Anitta, foi de última hora. Daquelas decisões que a gente toma sem elaborar muito. Eu tinha acabado de formar meus alunos em São Paulo quando resolvi comprar uma passagem. Vim encontrar quem eu...

ler mais

Atrair, reter e fidelizar: o marketing que praticamos na vida

Aprendemos no marketing que uma marca precisa saber atrair, reter e fidelizar. Mas, quanto mais observo a vida e as relações, mais percebo que essa lógica não pertence apenas aos negócios. Ela está em praticamente tudo: na nossa casa, no trabalho, nas amizades, nos...

ler mais

junte-se ao mercado 

abr/2024

"Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois computadores e uma mesa improvisada com uma porta e dois cavaletes. Hoje, esse negócio se transformou em uma grande agência, que emprega quase 100 pessoas e é referência no Nordeste."                                                                                                                                                                                       

 

ABMP: Quando falamos em “Conexões Urbanas”, o que esse conceito representa para você e como ele se relaciona com a transformação das cidades?

LC:Para a Eletromidia, o conceito de “Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades.

Salvador é um exemplo dessa dinâmica. Sua força cultural e seus espaços de convivência convidam a população a viver a cidade, seja nos deslocamentos para o trabalho e para a faculdade, seja nos momentos de lazer. Cada percurso reúne diferentes necessidades e oportunidades de encontro.

É nesse movimento que a mídia out-of-home ganha relevância. Ao integrar nossos ativos à paisagem e à rotina urbana, criamos oportunidades para as marcas participarem desse cotidiano. Quando essa presença oferece informação, serviços ou experiências que fazem sentido naquele momento, a comunicação também pode transformar a relação de quem circula com o espaço ao seu redor.

ABMP: Como a publicidade e a comunicação podem contribuir para criar conexões mais relevantes entre marcas, pessoas e espaços urbanos?

LC: A veiculação de campanhas publicitárias cria inúmeras possibilidades de conexão entre marcas e pessoas, seja no varejo, comunicando promoções, seja no âmbito institucional, reforçando atributos e construindo reputação.

Mas também tem sido cada vez mais frequente o desenvolvimento de projetos especiais e interativos, que geram experiências memoráveis, serviços e benefícios para quem circula pela cidade.

Isso é o que chamamos de storyliving, que vai além do storytelling. Em vez de apenas contar uma história, a marca convida o público a vivê-la. É a valorização da experiência presencial: proporcionar momentos de participação e imersão no cotidiano da população.

ABMP: As cidades estão cada vez mais conectadas por tecnologia e dados. Como isso muda a forma de comunicar e interagir com o público?

LC: A tecnologia e os dados ampliaram a capacidade de planejar e avaliar a mídia exterior. Além da localização dos painéis, agências e anunciantes passaram a contar com estimativas de audiência e métricas como alcance, frequência e impactos, que ajudam a entender os públicos que circulam por cada ambiente e a selecionar os pontos mais adequados aos objetivos de uma campanha.

A digitalização também trouxe mais flexibilidade para o conteúdo. Nos ativos de DOOH, o Digital Out of Home, é possível trabalhar diferentes peças e adaptar as mensagens a lugares, horários e contextos. Assim, uma campanha não precisa se comunicar da mesma maneira em todos os pontos de contato: pode considerar o que faz sentido em cada etapa do trajeto.

Para o público, essa evolução pode resultar em uma comunicação mais pertinente ao momento vivido. Para as marcas, significa combinar inteligência de mídia e criatividade para decidir não apenas onde estar, mas o que dizer e como participar da rotina das pessoas. Os dados orientam essas escolhas, e a tecnologia amplia as possibilidades de colocá-las em prática.

ABMP: Qual é o papel do espaço urbano como mídia e como plataforma de experiências para as marcas?

LC: O espaço urbano faz parte da rotina das pessoas. Para as marcas, ele oferece a oportunidade de não apenas serem vistas, mas de estabelecer vínculos em diferentes momentos dessa jornada.

O projeto Abrigo Amigo Claro, em parceria com a Claro, é um exemplo prático disso. Disponível em Salvador e em outras nove cidades do país, ele utiliza nossos painéis digitais para transformar a espera no ponto de ônibus, oferecendo companhia e aumentando a sensação de segurança. É uma forma de a marca participar do cotidiano por meio de um serviço que beneficia diretamente a população.

A Eletromidia está presente em 22 estados e próxima de alcançar 100 cidades. Nossas diferentes verticais permitem acompanhar esses trajetos nas ruas, nos transportes, em elevadores, shoppings, aeroportos e nos voos com a Azul Linhas Aéreas. Mais recentemente, anunciamos também a entrada no segmento de rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo.

É assim que buscamos ressignificar o espaço urbano: como mídia, mas também como plataforma de experiências relevantes para marcas e cidadãos.

 

ABMP: Como equilibrar inovação, tecnologia e criatividade sem perder a conexão humana na comunicação?

LC: O ponto de partida são as pessoas. Antes de escolher um recurso ou formato, precisamos entender quem está naquele ambiente, o que está vivendo e de que maneira a comunicação pode contribuir para sua rotina.

A Eletromidia investe de forma consistente em inovação, tecnologia e uma cultura orientada por dados. Esses recursos ajudam a identificar oportunidades, planejar campanhas e avaliar resultados. Mas é a criatividade que transforma essa leitura em uma mensagem ou experiência capaz de despertar interesse e fazer sentido para o público.

Esse equilíbrio também passa pela valorização das pessoas e da gentileza nas relações. Na comunicação, significa respeitar o contexto e a disponibilidade de atenção de cada um. Nem sempre a melhor solução será a mais complexa: uma mensagem objetiva, uma informação útil ou um serviço que facilite o cotidiano podem fazer a diferença. A tecnologia deve apoiar essa conexão, e não ser um fim em si mesma.

ABMP: De que maneira a mobilidade urbana e os novos hábitos das pessoas estão influenciando o comportamento do consumidor?

LC: É nos deslocamentos durante a rotina que as pessoas entram em contato com diferentes espaços, serviços e possibilidades de consumo. As cidades têm investido em BRT, VLT, metrô e outros modais de transporte público para melhorar a mobilidade e a experiência dos moradores. Para as marcas, estações e terminais são ambientes propícios para criar conexões e experiências relevantes para quem está em trânsito.

Essa leitura também se aplica aos deslocamentos rodoviários. Recentemente, a Eletromidia anunciou uma joint venture com a Motiva e a EcoRodovias para levar mídia OOH às rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa abre novas oportunidades de contato com as pessoas nesses trajetos.

ABMP: O que torna uma experiência urbana realmente memorável e capaz de gerar conexão com as pessoas?

LC: Creio que existem vários fatores, mas contexto, utilidade e interatividade contribuem muito para isso. O contexto começa por entender onde a pessoa está e o que está vivendo naquele momento. Uma ação pode estar conectada a um evento na cidade, a uma comemoração, a um período específico do mês ou a situações comuns da rotina, como a espera pelo transporte. Quando a marca considera esse momento, a comunicação faz mais sentido para quem a recebe.

A utilidade também é importante: oferecer um serviço, uma informação ou um benefício pode fazer diferença na jornada das pessoas. E, quando existe a possibilidade de interação, elas deixam de apenas ver a mensagem e passam a participar da experiência. É essa combinação que ajuda a criar conexões reais e memoráveis no espaço urbano.

ABMP: Como você enxerga o futuro da comunicação nas cidades: mais digital, mais experiencial ou uma combinação dos dois?

LC: Vejo o futuro como uma combinação dos dois. O digital permite adaptar mensagens a diferentes lugares e momentos, atualizar conteúdos e criar oportunidades de interação. Mas esses recursos só geram uma conexão relevante quando respondem ao contexto e às necessidades de quem está naquele ambiente.

Por isso, a experiência deve orientar o uso da tecnologia. Durante um deslocamento, uma mensagem pode ajudar a descobrir um serviço próximo; em uma espera, um projeto pode oferecer companhia ou informação útil. O futuro não está apenas em ter mais telas ou recursos digitais, mas em usar essas possibilidades para tornar a presença das marcas mais pertinente na rotina das pessoas.

 

ABMP: Quais são os principais desafios para marcas que querem estar presentes na vida urbana de forma relevante, sem serem invasivas?

LC: O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.

 

O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

 

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

 

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.