Entrevista: Ticiano Cortizo – Gerente de marketing do Shopping Bela Vista

jun/2022

“As ações promocionais, através da realização de nossos eventos e patrocínio de outros, colaboram com a materialização da cultura em nosso shopping e presença da marca na vida e no cotidiano dos baianos. Já somos reconhecidos por ter o melhor São João da cidade, devido aos anos de realização do Arraiá do Bela.”         

                                                                                                                                                                        

Já já completa 10 anos que o Shopping Bela Vista chegou e vem participando da vida dos baianos, especialmente dos soteropolitanos. Nessa década, muita coisa aconteceu. Entre os acontecimentos mais marcantes, sem dúvida, as edições de São João figuram no topo. Hoje, o centro de compras patrocina o Galinho, transforma todos os anos a praça central num pedaço do interior, e realiza ações diversas, como venda de ingressos para festas, arraiás, apresentações musicais e ofertas especiais.

Para entender melhor o que o Shopping Bela Vista planeja para 2022, a ABMP conversa com o gerente de marketing do centro de compras, Ticiano Cortizo. Além de falar sobre a programação de eventos, ele dá detalhes da parceria com o Galinho, hoje principal festival junino de Salvador.

ABMP: Cada centro de compras enxerga um período festivo de uma maneira. Alguns são mais tradicionais no Natal, outros ganham notoriedade pela atuação no Carnaval. No caso do Bela Vista, um dos pontos altos é o de festa junina. A programação sempre chama a atenção e atrai muitos visitantes. Como vocês estão se organizando para as celebrações deste ano?

TC: Esse ano o Bela Vista está preparando um grande evento. Transformamos nossa Praça Central numa verdadeira cidade do interior. Além de uma decoração e cenografias lindas e ricas, temos jogos e brincadeiras como roda gigante, touro mecânico, arremessos de argolas e teste de força. Temos uma barraca vendendo todos os produtos típicos juninos, como bolos, mingaus, licores, amendoim, doces e salgados. O grande palco vem recebendo grandes nomes e atrações de nosso São João. São 31 bandas que se apresentam todos os dias, até 26 de junho, das 18h às 19h.

O Boteco do Bela também está com apresentações musicais tematizadas para o período, sempre às quintas-feiras, sábados e domingos, das 19h às 21h.

ABMP: Quais são os principais pilares da comunicação do shopping no período junino? Por que promover ações e estar no calendário regional? O que isto representa para a instituição, além das vendas?

TC: O Bela Vista possui um mix de comunicação muito eficiente para o período. Além de uma intensa divulgação em nossas redes sociais com mais de 310.000 seguidores, realizamos o marketing direto com nossa base de mais de 250.000 clientes cadastrados, além de ativar nosso time exclusivo de 10 digital influencers. Ao mesmo tempo, utilizamos nosso plano de mídia, que contempla televisão, rádios e outdoor.

As ações promocionais, através da realização de nossos eventos e patrocínio de outros, colaboram com a materialização da cultura em nosso shopping e presença da marca na vida e no cotidiano dos baianos. Já somos reconhecidos por ter o melhor São João da cidade, devido aos anos de realização do Arraiá do Bela. Dito isso, as vendas são consequência da atração do target correto, através de ações e eventos aderentes a esse público.

ABMP: O shopping, inclusive, é um dos patrocinadores oficiais do Galinho, evento de forte tradição, promovido pela TV Aratu, que abre os festejos juninos no estado. De que forma e por que o Bela entrou como patrocinador do projeto?

TC: O Shopping Bela Vista é patrocinador desde 2019, sendo esse o quarto ano consecutivo, o que foi uma enorme alegria para mim, que entrei aqui em agosto de 2020. O Arraiá do Galinho complementa todos os nossos objetivos de homenagear um dos momentos mais importantes de nossa cultura raiz, que é o São João. Ter nossa marca associada a um evento do porte e da importância como o Galinho é muito relevante para nossa estratégia de branding.

Curioso que, coincidentemente, já conhecia o projeto há muitos anos. Já havia patrocinado o Galinho durante seis anos consecutivos quando fui gerente de marketing de outro shopping em Salvador. Sempre fui um fã, entusiasta do formato e resultados atingidos.

ABMP: Por ser uma época festiva, muitos consumidores vão aos centros de compras para se divertir e também adquirir produtos. Não à toa, é um dos períodos mais importantes para os lojistas, especialmente os do Nordeste. Qual a expectativa do Bela Vista em relação ao comportamento do público neste ano?

TC: Pretendemos superar em 15% de vendas o ano de 2019, que foi o melhor ano de nossa história. Lembrando que em 2020 os shoppings estavam em lockdown total e, em 2021, estávamos abertos, mas ainda com muitas restrições. Esse ano temos tudo para realizarmos um São João maravilhoso para todos, lojistas e clientes.

ABMP: Mas o consumidor não quer mais apenas comprar. Quer experiência, interação, sair do shopping com mais que sacolas. O centro de compras pensou nisso, vai promover momentos Galinho no shopping pra que as duas marcas interajam mais?

TC: Esse é um dos pontos mais importantes da parceria entre o Shopping Bela Vista e o Grupo Aratu. Não se trata apenas do patrocínio de um evento. O Galinho vem pra dentro do Bela Vista em diversos momentos. Temos um ponto de vendas dos ingressos para o Galinho, que recebe frequentemente a visita de influencers e do querido mascote do evento, sempre acompanhados de um trio nordestino, que alegra a todos que passam por perto. Graças à parceria com o Galinho, tivemos no último domingo de maio uma tarde dedicada às apresentações de quadrilha, uma tradição que precisamos manter viva. Teremos ainda alguns flashes de nossas programações musicais dentro da programação da TV Aratu. Enfim, a sinergia entre o Galinho e o Arraiá do Bela é total!

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ABMP: Quando falamos em “Conexões Urbanas”, o que esse conceito representa para você e como ele se relaciona com a transformação das cidades?

LC:Para a Eletromidia, o conceito de “Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades.

Salvador é um exemplo dessa dinâmica. Sua força cultural e seus espaços de convivência convidam a população a viver a cidade, seja nos deslocamentos para o trabalho e para a faculdade, seja nos momentos de lazer. Cada percurso reúne diferentes necessidades e oportunidades de encontro.

É nesse movimento que a mídia out-of-home ganha relevância. Ao integrar nossos ativos à paisagem e à rotina urbana, criamos oportunidades para as marcas participarem desse cotidiano. Quando essa presença oferece informação, serviços ou experiências que fazem sentido naquele momento, a comunicação também pode transformar a relação de quem circula com o espaço ao seu redor.

ABMP: Como a publicidade e a comunicação podem contribuir para criar conexões mais relevantes entre marcas, pessoas e espaços urbanos?

LC: A veiculação de campanhas publicitárias cria inúmeras possibilidades de conexão entre marcas e pessoas, seja no varejo, comunicando promoções, seja no âmbito institucional, reforçando atributos e construindo reputação.

Mas também tem sido cada vez mais frequente o desenvolvimento de projetos especiais e interativos, que geram experiências memoráveis, serviços e benefícios para quem circula pela cidade.

Isso é o que chamamos de storyliving, que vai além do storytelling. Em vez de apenas contar uma história, a marca convida o público a vivê-la. É a valorização da experiência presencial: proporcionar momentos de participação e imersão no cotidiano da população.

ABMP: As cidades estão cada vez mais conectadas por tecnologia e dados. Como isso muda a forma de comunicar e interagir com o público?

LC: A tecnologia e os dados ampliaram a capacidade de planejar e avaliar a mídia exterior. Além da localização dos painéis, agências e anunciantes passaram a contar com estimativas de audiência e métricas como alcance, frequência e impactos, que ajudam a entender os públicos que circulam por cada ambiente e a selecionar os pontos mais adequados aos objetivos de uma campanha.

A digitalização também trouxe mais flexibilidade para o conteúdo. Nos ativos de DOOH, o Digital Out of Home, é possível trabalhar diferentes peças e adaptar as mensagens a lugares, horários e contextos. Assim, uma campanha não precisa se comunicar da mesma maneira em todos os pontos de contato: pode considerar o que faz sentido em cada etapa do trajeto.

Para o público, essa evolução pode resultar em uma comunicação mais pertinente ao momento vivido. Para as marcas, significa combinar inteligência de mídia e criatividade para decidir não apenas onde estar, mas o que dizer e como participar da rotina das pessoas. Os dados orientam essas escolhas, e a tecnologia amplia as possibilidades de colocá-las em prática.

ABMP: Qual é o papel do espaço urbano como mídia e como plataforma de experiências para as marcas?

LC: O espaço urbano faz parte da rotina das pessoas. Para as marcas, ele oferece a oportunidade de não apenas serem vistas, mas de estabelecer vínculos em diferentes momentos dessa jornada.

O projeto Abrigo Amigo Claro, em parceria com a Claro, é um exemplo prático disso. Disponível em Salvador e em outras nove cidades do país, ele utiliza nossos painéis digitais para transformar a espera no ponto de ônibus, oferecendo companhia e aumentando a sensação de segurança. É uma forma de a marca participar do cotidiano por meio de um serviço que beneficia diretamente a população.

A Eletromidia está presente em 22 estados e próxima de alcançar 100 cidades. Nossas diferentes verticais permitem acompanhar esses trajetos nas ruas, nos transportes, em elevadores, shoppings, aeroportos e nos voos com a Azul Linhas Aéreas. Mais recentemente, anunciamos também a entrada no segmento de rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo.

É assim que buscamos ressignificar o espaço urbano: como mídia, mas também como plataforma de experiências relevantes para marcas e cidadãos.

 

ABMP: Como equilibrar inovação, tecnologia e criatividade sem perder a conexão humana na comunicação?

LC: O ponto de partida são as pessoas. Antes de escolher um recurso ou formato, precisamos entender quem está naquele ambiente, o que está vivendo e de que maneira a comunicação pode contribuir para sua rotina.

A Eletromidia investe de forma consistente em inovação, tecnologia e uma cultura orientada por dados. Esses recursos ajudam a identificar oportunidades, planejar campanhas e avaliar resultados. Mas é a criatividade que transforma essa leitura em uma mensagem ou experiência capaz de despertar interesse e fazer sentido para o público.

Esse equilíbrio também passa pela valorização das pessoas e da gentileza nas relações. Na comunicação, significa respeitar o contexto e a disponibilidade de atenção de cada um. Nem sempre a melhor solução será a mais complexa: uma mensagem objetiva, uma informação útil ou um serviço que facilite o cotidiano podem fazer a diferença. A tecnologia deve apoiar essa conexão, e não ser um fim em si mesma.

ABMP: De que maneira a mobilidade urbana e os novos hábitos das pessoas estão influenciando o comportamento do consumidor?

LC: É nos deslocamentos durante a rotina que as pessoas entram em contato com diferentes espaços, serviços e possibilidades de consumo. As cidades têm investido em BRT, VLT, metrô e outros modais de transporte público para melhorar a mobilidade e a experiência dos moradores. Para as marcas, estações e terminais são ambientes propícios para criar conexões e experiências relevantes para quem está em trânsito.

Essa leitura também se aplica aos deslocamentos rodoviários. Recentemente, a Eletromidia anunciou uma joint venture com a Motiva e a EcoRodovias para levar mídia OOH às rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa abre novas oportunidades de contato com as pessoas nesses trajetos.

ABMP: O que torna uma experiência urbana realmente memorável e capaz de gerar conexão com as pessoas?

LC: Creio que existem vários fatores, mas contexto, utilidade e interatividade contribuem muito para isso. O contexto começa por entender onde a pessoa está e o que está vivendo naquele momento. Uma ação pode estar conectada a um evento na cidade, a uma comemoração, a um período específico do mês ou a situações comuns da rotina, como a espera pelo transporte. Quando a marca considera esse momento, a comunicação faz mais sentido para quem a recebe.

A utilidade também é importante: oferecer um serviço, uma informação ou um benefício pode fazer diferença na jornada das pessoas. E, quando existe a possibilidade de interação, elas deixam de apenas ver a mensagem e passam a participar da experiência. É essa combinação que ajuda a criar conexões reais e memoráveis no espaço urbano.

ABMP: Como você enxerga o futuro da comunicação nas cidades: mais digital, mais experiencial ou uma combinação dos dois?

LC: Vejo o futuro como uma combinação dos dois. O digital permite adaptar mensagens a diferentes lugares e momentos, atualizar conteúdos e criar oportunidades de interação. Mas esses recursos só geram uma conexão relevante quando respondem ao contexto e às necessidades de quem está naquele ambiente.

Por isso, a experiência deve orientar o uso da tecnologia. Durante um deslocamento, uma mensagem pode ajudar a descobrir um serviço próximo; em uma espera, um projeto pode oferecer companhia ou informação útil. O futuro não está apenas em ter mais telas ou recursos digitais, mas em usar essas possibilidades para tornar a presença das marcas mais pertinente na rotina das pessoas.

 

ABMP: Quais são os principais desafios para marcas que querem estar presentes na vida urbana de forma relevante, sem serem invasivas?

LC: O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.

 

O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

 

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

 

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.