Eu, também, não ganhei na megasena da virada

jan/2024

Se você, assim como eu, não teve a sorte de ser dono de uma das 5 apostas premiadas (117 milhões para cada uma), seja bem vindo ao clube e exercitemos juntos nosso direito momentâneo à lamentação e à reflexão sobre o que isso pode dizer a respeito da nossa sociedade. 

Segundo informações da Agência Gov de 31/12/23, A 15ª edição da Mega da Virada registrou mais de 485,25 milhões de apostas em todo o país, totalizando mais de R$ 2,42 bilhões em arrecadação, 23,9% a mais do que no ano passado.

Realmente, impressionante. Não há disponível, pelo menos na pesquisa simples que fiz, informações sobre a média de apostadores para esse evento. E não é possível fazer a conta de um para um, já que um mesmo apostador pode realizar incontáveis apostas, além disso, o país não tem 485 milhões de pessoas. 

Ainda assim, vamos “chutar” que estejamos pensando na casa de milhões de apostadores. Bem provável que o “chute” seja certeiro. 

E o que isso significa?

Há milhões de pessoas desesperadas com suas situações econômicas? Há milhões de pessoas insatisfeitas com suas condições? Há milhões de pessoas infelizes e necessitando de ajuda? 

Pobreza No Brasil 

Segundo dados publicados pela CNN em 06/12/2023, com base no IBGE, o Brasil tem um contingente de 67,8 milhões de pessoas vivendo na pobreza, ou seja, sobrevivendo com algo em torno de R$ 21,23/dia. Os que vivem na extrema pobreza são 12,7 milhões e sobrevivem com R$ 6,67/dia. 

Isso significa que dos 207,7 milhões de brasileiros (IBGE), 38,7% vivem em situação precária. Não deixe o percentual frio lhe afastar da verdade do número, são mais de 80 milhões de pessoas nesse contexto. Comparativamente, seria necessário somar os três estados mais populosos do Brasil (SP, MG e RJ) com mais algumas pessoas para chegar aos 80 milhões.

Voltando aos dados da Agência Gov, o país tem mais ou menos 10 milhões de pessoas que não sabem ler e/ou escrever, isso não contabilizando as pessoas com formação precária e baixa competência nesse campo. 

O último PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que foi de 2022, não demonstrou avanços em relação à última aplicação feita em 2018 (antes da pandemia). O que por si só não é nada bom, já que os dados são ruins. De forma geral, em um ranking composto por 81 países, o Brasil se encontra em 65º lugar em Matemática; 61º lugar em Ciências e 53º lugar em Leitura. 

Pobreza e Consumo

O Brasil tem avançado muito na proteção dos direitos do consumidor, desde o Código de Defesa do Consumidor criado em 11/09/1990, pela Lei nº 8.078 até a criação dos Procons e outros órgãos. Todavia, a grande defesa efetiva é a educação. Pessoas com maior nível de instrução tendem a optar e exigir melhores serviços e produtos, inclusive, por terem acesso e conhecimento sobre seus direitos. 

Desta forma, para 2024 eu gostaria muito de ver um avanço nas políticas educacionais que formam cidadãos e não apenas consumidores, apesar desses dois papeis não mais se desassociarem. 

Nestor Garcia Canclini afirma – a luta pela cidadania passa pelo acesso à condição de consumidor (livro – Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização), portanto, para além da demanda por uma cidadania mais plena, atravessada e suportada pelo acesso ao voto e pela atuação correta das instituições democráticas, é preciso que o mercado e seus diversos players compreendam suas responsabilidades na formação dos cidadãos e não apenas dos consumidores. 

A cidadania deveria permear todos que vivem em nosso país, por outro lado, o consumo é privilégio somente daqueles que têm poder aquisitivo para realizá-lo. 

Empresas e marcas possuem obrigações para com os cidadãos da nação e não somente para com os consumidores. Essa responsabilidade empresarial e marcária deveria passar pela lógica: se ganho com eles (consumidores e cidadãos), eles também devem ganhar comigo. Essa estrutura básica ajudaria a tornar a sociedade mais digna para todos. 

Precisamos de um país onde o objetivo coletivo e individual seja conquistar a plena cidadania, com o direito a uma educação de qualidade e não ser premiado pela sorte. 

Sendo assim, o que desejo para 2024 é que a megasena da virada tenha pouquíssimas apostas. 

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O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Fábio Caim

Fábio Caim

Colunista

Branding Creative Thinker

baitech.agency | Branding Dinâmico

Pós-doc, Dr em Comunicação e Semiótica, Publicitário, Psicanalista e Prof. Universitário

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junte-se ao mercado 

jan/2024

"Acho que a primeira grande contribuição da Viamídia é mostrar que todo sonho é possível. Ela é a prova viva disso. Três jovens estudantes de publicidade, lá em 1996, sem dinheiro, sem conexões no mercado e começando do zero, montaram uma empresa com apenas dois computadores e uma mesa improvisada com uma porta e dois cavaletes. Hoje, esse negócio se transformou em uma grande agência, que emprega quase 100 pessoas e é referência no Nordeste."                                                                                                                                                                                       

 

ABMP: Quando falamos em “Conexões Urbanas”, o que esse conceito representa para você e como ele se relaciona com a transformação das cidades?

LC:Para a Eletromidia, o conceito de “Conexões Urbanas” sintetiza nossa razão de ser: aproximar marcas e pessoas nos diferentes ambientes e trajetos que fazem parte da vida nas cidades.

Salvador é um exemplo dessa dinâmica. Sua força cultural e seus espaços de convivência convidam a população a viver a cidade, seja nos deslocamentos para o trabalho e para a faculdade, seja nos momentos de lazer. Cada percurso reúne diferentes necessidades e oportunidades de encontro.

É nesse movimento que a mídia out-of-home ganha relevância. Ao integrar nossos ativos à paisagem e à rotina urbana, criamos oportunidades para as marcas participarem desse cotidiano. Quando essa presença oferece informação, serviços ou experiências que fazem sentido naquele momento, a comunicação também pode transformar a relação de quem circula com o espaço ao seu redor.

ABMP: Como a publicidade e a comunicação podem contribuir para criar conexões mais relevantes entre marcas, pessoas e espaços urbanos?

LC: A veiculação de campanhas publicitárias cria inúmeras possibilidades de conexão entre marcas e pessoas, seja no varejo, comunicando promoções, seja no âmbito institucional, reforçando atributos e construindo reputação.

Mas também tem sido cada vez mais frequente o desenvolvimento de projetos especiais e interativos, que geram experiências memoráveis, serviços e benefícios para quem circula pela cidade.

Isso é o que chamamos de storyliving, que vai além do storytelling. Em vez de apenas contar uma história, a marca convida o público a vivê-la. É a valorização da experiência presencial: proporcionar momentos de participação e imersão no cotidiano da população.

ABMP: As cidades estão cada vez mais conectadas por tecnologia e dados. Como isso muda a forma de comunicar e interagir com o público?

LC: A tecnologia e os dados ampliaram a capacidade de planejar e avaliar a mídia exterior. Além da localização dos painéis, agências e anunciantes passaram a contar com estimativas de audiência e métricas como alcance, frequência e impactos, que ajudam a entender os públicos que circulam por cada ambiente e a selecionar os pontos mais adequados aos objetivos de uma campanha.

A digitalização também trouxe mais flexibilidade para o conteúdo. Nos ativos de DOOH, o Digital Out of Home, é possível trabalhar diferentes peças e adaptar as mensagens a lugares, horários e contextos. Assim, uma campanha não precisa se comunicar da mesma maneira em todos os pontos de contato: pode considerar o que faz sentido em cada etapa do trajeto.

Para o público, essa evolução pode resultar em uma comunicação mais pertinente ao momento vivido. Para as marcas, significa combinar inteligência de mídia e criatividade para decidir não apenas onde estar, mas o que dizer e como participar da rotina das pessoas. Os dados orientam essas escolhas, e a tecnologia amplia as possibilidades de colocá-las em prática.

ABMP: Qual é o papel do espaço urbano como mídia e como plataforma de experiências para as marcas?

LC: O espaço urbano faz parte da rotina das pessoas. Para as marcas, ele oferece a oportunidade de não apenas serem vistas, mas de estabelecer vínculos em diferentes momentos dessa jornada.

O projeto Abrigo Amigo Claro, em parceria com a Claro, é um exemplo prático disso. Disponível em Salvador e em outras nove cidades do país, ele utiliza nossos painéis digitais para transformar a espera no ponto de ônibus, oferecendo companhia e aumentando a sensação de segurança. É uma forma de a marca participar do cotidiano por meio de um serviço que beneficia diretamente a população.

A Eletromidia está presente em 22 estados e próxima de alcançar 100 cidades. Nossas diferentes verticais permitem acompanhar esses trajetos nas ruas, nos transportes, em elevadores, shoppings, aeroportos e nos voos com a Azul Linhas Aéreas. Mais recentemente, anunciamos também a entrada no segmento de rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo.

É assim que buscamos ressignificar o espaço urbano: como mídia, mas também como plataforma de experiências relevantes para marcas e cidadãos.

 

ABMP: Como equilibrar inovação, tecnologia e criatividade sem perder a conexão humana na comunicação?

LC: O ponto de partida são as pessoas. Antes de escolher um recurso ou formato, precisamos entender quem está naquele ambiente, o que está vivendo e de que maneira a comunicação pode contribuir para sua rotina.

A Eletromidia investe de forma consistente em inovação, tecnologia e uma cultura orientada por dados. Esses recursos ajudam a identificar oportunidades, planejar campanhas e avaliar resultados. Mas é a criatividade que transforma essa leitura em uma mensagem ou experiência capaz de despertar interesse e fazer sentido para o público.

Esse equilíbrio também passa pela valorização das pessoas e da gentileza nas relações. Na comunicação, significa respeitar o contexto e a disponibilidade de atenção de cada um. Nem sempre a melhor solução será a mais complexa: uma mensagem objetiva, uma informação útil ou um serviço que facilite o cotidiano podem fazer a diferença. A tecnologia deve apoiar essa conexão, e não ser um fim em si mesma.

ABMP: De que maneira a mobilidade urbana e os novos hábitos das pessoas estão influenciando o comportamento do consumidor?

LC: É nos deslocamentos durante a rotina que as pessoas entram em contato com diferentes espaços, serviços e possibilidades de consumo. As cidades têm investido em BRT, VLT, metrô e outros modais de transporte público para melhorar a mobilidade e a experiência dos moradores. Para as marcas, estações e terminais são ambientes propícios para criar conexões e experiências relevantes para quem está em trânsito.

Essa leitura também se aplica aos deslocamentos rodoviários. Recentemente, a Eletromidia anunciou uma joint venture com a Motiva e a EcoRodovias para levar mídia OOH às rodovias, com início na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa abre novas oportunidades de contato com as pessoas nesses trajetos.

ABMP: O que torna uma experiência urbana realmente memorável e capaz de gerar conexão com as pessoas?

LC: Creio que existem vários fatores, mas contexto, utilidade e interatividade contribuem muito para isso. O contexto começa por entender onde a pessoa está e o que está vivendo naquele momento. Uma ação pode estar conectada a um evento na cidade, a uma comemoração, a um período específico do mês ou a situações comuns da rotina, como a espera pelo transporte. Quando a marca considera esse momento, a comunicação faz mais sentido para quem a recebe.

A utilidade também é importante: oferecer um serviço, uma informação ou um benefício pode fazer diferença na jornada das pessoas. E, quando existe a possibilidade de interação, elas deixam de apenas ver a mensagem e passam a participar da experiência. É essa combinação que ajuda a criar conexões reais e memoráveis no espaço urbano.

ABMP: Como você enxerga o futuro da comunicação nas cidades: mais digital, mais experiencial ou uma combinação dos dois?

LC: Vejo o futuro como uma combinação dos dois. O digital permite adaptar mensagens a diferentes lugares e momentos, atualizar conteúdos e criar oportunidades de interação. Mas esses recursos só geram uma conexão relevante quando respondem ao contexto e às necessidades de quem está naquele ambiente.

Por isso, a experiência deve orientar o uso da tecnologia. Durante um deslocamento, uma mensagem pode ajudar a descobrir um serviço próximo; em uma espera, um projeto pode oferecer companhia ou informação útil. O futuro não está apenas em ter mais telas ou recursos digitais, mas em usar essas possibilidades para tornar a presença das marcas mais pertinente na rotina das pessoas.

 

ABMP: Quais são os principais desafios para marcas que querem estar presentes na vida urbana de forma relevante, sem serem invasivas?

LC: O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.

 

O principal desafio é entender que estar no caminho das pessoas não significa ter sua atenção garantida. A comunicação precisa respeitar o ambiente e o momento da jornada: quem está de passagem tem uma disponibilidade diferente de quem espera pelo transporte ou circula em um shopping.

 

Isso exige mensagens claras, adequadas ao tempo de contato e ao contexto de cada espaço. Nem toda presença precisa se transformar em uma experiência interativa. Em alguns casos, uma informação objetiva é suficiente; em outros, um serviço ou projeto especial pode acrescentar valor à rotina.

 

A relevância vem dessa escolha: participar da vida urbana com uma comunicação que faça sentido para o público, sem exigir mais atenção do que aquele momento permite.