Fui ver Anitta. Encontrei uma aula de gestão, fé e respeito.

set/2026

Minha decisão de ir ao último show desta temporada de Equilibrium, de Anitta, foi de última hora. Daquelas decisões que a gente toma sem elaborar muito.

Eu tinha acabado de formar meus alunos em São Paulo quando resolvi comprar uma passagem. Vim encontrar quem eu tinha que encontrar. E, no meio desse encontro, acabei me deparando com outro: uma experiência que, por si só, virou uma aula.

Fui e pronto.

Só depois entendi que havia muito mais para observar ali.

Esperava música, dança, espetáculo e entretenimento. Encontrei tudo isso. Mas encontrei também uma aula sobre algo que talvez passe despercebido quando olhamos apenas para o palco: gestão.

Um evento daquela dimensão exige planejamento, disciplina, processos, controle, liderança e uma enorme capacidade de fazer diferentes engrenagens funcionarem ao mesmo tempo. E existe um detalhe que, para mim, diz muito sobre respeito ao consumidor: pontualidade.

Respeitar o horário é respeitar quem comprou o ingresso, organizou a própria vida e escolheu estar ali.

Experiência de marca também é isso. Não é apenas o que acontece no palco. É a sensação de cuidado com quem chega, com quem trabalha, com quem espera e com quem decidiu dedicar algumas horas da própria vida àquela experiência.

Mas, em determinado momento, percebi que havia outra camada naquele espetáculo.

Anitta fala de espiritualidade sem transformá-la em distância. Fala de fé sem estabelecer qual fé é melhor. Há espaço para ancestralidade, para o sagrado, para o corpo, para a mente e, principalmente, para o respeito àquilo que cada pessoa escolheu carregar consigo.

Talvez tenha sido isso que mais me atravessou.

Em tempos nos quais discordar parece ter se tornado motivo para atacar, assistir a um espetáculo que propõe convivência ganha um significado ainda maior. Não precisamos acreditar nas mesmas coisas. Precisamos aprender a respeitar aquilo em que o outro acredita.

E há ainda uma mensagem sobre saúde que merece atenção. Saúde do corpo, mas também da mente. Cuidar de si, reconhecer limites, buscar equilíbrio e entender que potência não significa estar bem o tempo inteiro. Em uma sociedade que cobra performance permanente, falar de equilíbrio também é falar de humanidade.

Talvez algumas pessoas que criticam o espetáculo, sua estética ou suas referências pudessem se permitir uma experiência diferente: assistir antes de julgar.

Seja presencialmente, seja pela televisão. Não necessariamente para concordar com tudo, mas para compreender a mensagem que existe por trás da festa.

Porque entretenimento também educa.
A música comunica.
O palco posiciona.
A experiência transforma.

Saí de lá pensando que talvez Equilibrium seja menos sobre encontrar um estado perfeito de equilíbrio e mais sobre reconhecer tudo aquilo que precisamos equilibrar diariamente: trabalho e vida, corpo e mente, razão e fé, individualidade e coletividade, liberdade e respeito.

No fim, eu fui encontrar quem precisava encontrar.

Fui ver Anitta.

E acabei encontrando também uma aula sobre gestão, experiência, espiritualidade, saúde mental, respeito e convivência.

Talvez seja exatamente disso que estejamos precisando: menos julgamento sobre a fé, o corpo e as escolhas do outro — e um pouco mais de disposição para construir um mundo no qual caibam todos os nossos equilíbrios.

E isso também é gestão.
É comunicação.
É humanidade.

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O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Diego Oliveira

Diego Oliveira

Colunista

Diego Oliveira é pensador em marketing, professor e coordenador acadêmico da ESPM, além de doutorando em Comportamento do Consumidor. Colunista do Meio & Mensagem, Let’s Go e ABMP, e palestrante na ETD, pesquisa e debate temas como Brasil Plural, protagonismo digital e comunicação em tempos de incerteza.

Criador dos movimentos Isokan e Qual é o seu Plano A?, além do projeto #DiegoQueDisse, acredita nos múltiplos Brasis — diversos, potentes e em movimento — e conecta inovação, diversidade e impacto social para transformar dados em cultura, decisões mais humanas e caminhos de futuro.

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