Janeiro, fevereiro e março

jan/2019

Janeiro foi um mês consagrado ao Deus Janus, daí a sua denominação, divindade das portas e dos portões, é clara a simbologia da porta que abre um novo ciclo. A sua representação iconográfica era curiosa: um Deus olhando para frente e para trás, para o futuro (o ano novo) e para o passado (o ano velho). Fevereiro não era tão alvissareiro assim, o seu nome derivou de Fébruo o Deus dos Etruscos associado à morte, era nesse período que os etruscos praticavam seus sacrifícios rituais. E março se originou de Marte, o Deus Romano da guerra, na Europa era o primeiro mês da Primavera, quando os romanos iniciavam suas campanhas militares.

No mundo ocidental conservamos essas denominações, mas, a ninguém lhe ocorreu assimilar a sua simbologia, ainda bem. No Brasil o período de janeiro a março se chama de fato e de direito Carnaval e na Bahia não é diferente. O espírito de Momo comanda os ambientes profissionais e de entretenimento e é claro a comunicação, direcionada para esse consumidor mais relaxado e em busca de produtos e serviços referenciados com o tempo de festas, divertimentos, praia, verão, tudo… Ou seja Carnaval.

Carnaval, entendido nesse contexto, de período de festas, é uma oportunidade de alavanca de vendas. O varejo e o segmento de turismo e de entretenimento são os maiores beneficiados, movimentam grandes verbas, porém apenas uma mínima parcela passa pelas agências de propaganda. Apenas a parte que diz respeito ao ponto de venda.: supermercados e shopping centers. O Live Marketing tem mais oportunidades do que as agências de publicidade de ampliar o seu faturamento, nesta época, com ações de ativação para marcas multinacionais e nacionais que focam no verão e Carnaval.

Diferente do que deveria ser as agências de propaganda nesta época do ano e ainda prevalecendo a recessão no mercado imobiliário, tem menos oportunidades do que no resto do ano que podemos jogar os 9 meses restantes num saco e chamar de inverno. No inverno temos felizmente as datas promocionais que impulsionam o varejo, o nosso maior segmento de mercado, e as verbas públicas, tímidas no verão, com exceção da divulgação turística e de serviços no Carnaval, se expandem.

Se para os romanos de Roma março era o mês simbólico para o início de suas campanhas militares, para os romanos da propaganda é o mês que tem que acabar logo para o início de outras campanhas: a busca de oportunidades e a guerra para convencer o cliente que a recessão já está passando, ao menos assim parece, e é hora de voltar a anunciar.

Nelson Cadena

Nelson Cadena

Colunista

Escritor, jornalista e publicitário.

Mais artigos

O Mal do Malandro e a Arte de não ser Otário

O mal do malandro é achar que todo mundo é otário. Essa frase, que é puro suco de Brasil, carrega uma profundidade que até Sun Tzu* respeitaria. Se formos beber na fonte do livro A Arte da Guerra, a lição é clara: estratégia não é enganar, é domíniar da percepção. É...

ler mais

KPIs cheios, caixa vazio.

Tem uma coisa curiosa acontecendo no mercado: nunca se mediu tanto… e, ao mesmo tempo, nunca se vendeu com tanta dificuldade. Dashboards completos, relatórios impecáveis, uma infinidade de KPIs — e, no fim do dia, a pergunta continua ecoando: cadê a venda? Métrica,...

ler mais

O algoritmo da empatia: o que a IA ainda não entende

A inteligência artificial já escreve textos, recomenda produtos, antecipa desejos e até simula conversas com impressionante precisão. Ela aprende rápido, escala melhor ainda e, sem dúvida, transformou a forma como fazemos marketing. Mas há algo que ainda escapa aos...

ler mais

Em CTV, o horário nobre dura 24 horas

Segundo a Comscore, a TV Conectada atingiu 64% da população digital brasileira em 2024, ante 50% registrados dois anos antes. Número que supera a média latino-americana de 59%. São mais de 80 milhões de pessoas alcançáveis via CTV, e num ano de Copa do Mundo, que...

ler mais

Investimento para a vida

Uma vez, numa reunião de consultoria de imagem, dessas em que falamos de postura, presença e narrativa, eu fiz algo que costumo fazer: abri um pouco a janela da minha própria história. Gosto de lembrar que nenhuma imagem se sustenta sem alma. E a alma é feita de...

ler mais

junte-se ao mercado