Janeiro, fevereiro e março
Janeiro foi um mês consagrado ao Deus Janus, daí a sua denominação, divindade das portas e dos portões, é clara a simbologia da porta que abre um novo ciclo. A sua representação iconográfica era curiosa: um Deus olhando para frente e para trás, para o futuro (o ano novo) e para o passado (o ano velho). Fevereiro não era tão alvissareiro assim, o seu nome derivou de Fébruo o Deus dos Etruscos associado à morte, era nesse período que os etruscos praticavam seus sacrifícios rituais. E março se originou de Marte, o Deus Romano da guerra, na Europa era o primeiro mês da Primavera, quando os romanos iniciavam suas campanhas militares.
No mundo ocidental conservamos essas denominações, mas, a ninguém lhe ocorreu assimilar a sua simbologia, ainda bem. No Brasil o período de janeiro a março se chama de fato e de direito Carnaval e na Bahia não é diferente. O espírito de Momo comanda os ambientes profissionais e de entretenimento e é claro a comunicação, direcionada para esse consumidor mais relaxado e em busca de produtos e serviços referenciados com o tempo de festas, divertimentos, praia, verão, tudo… Ou seja Carnaval.
Carnaval, entendido nesse contexto, de período de festas, é uma oportunidade de alavanca de vendas. O varejo e o segmento de turismo e de entretenimento são os maiores beneficiados, movimentam grandes verbas, porém apenas uma mínima parcela passa pelas agências de propaganda. Apenas a parte que diz respeito ao ponto de venda.: supermercados e shopping centers. O Live Marketing tem mais oportunidades do que as agências de publicidade de ampliar o seu faturamento, nesta época, com ações de ativação para marcas multinacionais e nacionais que focam no verão e Carnaval.
Diferente do que deveria ser as agências de propaganda nesta época do ano e ainda prevalecendo a recessão no mercado imobiliário, tem menos oportunidades do que no resto do ano que podemos jogar os 9 meses restantes num saco e chamar de inverno. No inverno temos felizmente as datas promocionais que impulsionam o varejo, o nosso maior segmento de mercado, e as verbas públicas, tímidas no verão, com exceção da divulgação turística e de serviços no Carnaval, se expandem.
Se para os romanos de Roma março era o mês simbólico para o início de suas campanhas militares, para os romanos da propaganda é o mês que tem que acabar logo para o início de outras campanhas: a busca de oportunidades e a guerra para convencer o cliente que a recessão já está passando, ao menos assim parece, e é hora de voltar a anunciar.

Nelson Cadena
Colunista
Escritor, jornalista e publicitário.
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