Mãe Menininha o poder real

mar/2017

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No aniversário de 113 anos de Mãe Menininha, passei 3 dias filmando os festejos, que envolvia o lançamento de um selo num dia, de um livro sobre ela no outro e um show na Concha acústica com vários artistas. O interessante foi conhecer mais um pouco de Mãe Menininha através da visão de pessoas diferentes, via as entrevistas que fizemos na época, muito bem conduzida por Rafaela Carrijo. O senador Antônio Carlos Magalhães disse que gostava muito de privar de sua sabedoria e que a Bahia não tinha um Papa, mas tinha uma Papisa, Mãe Menininha era a Papisa da Bahia. Dona Canô disse que Zezinho, seu marido, ficou muito impressionado e disse que ela era uma pessoa que enxergava longe. Na época, preocupados que estavam com o que tinha acontecido a Caetano e o exílio, foi tranquilizada por ela que disse: “ Dona Canô, não se preocupe com Caetano, a senhora vai ver como ele vai voltar”, dando a entender que ele ia voltar forte, melhor do que quando tinha saído. Um momento impactante dessa fala, foi quando dona Canô disse olhando para a Câmara, que falando sobre feitiço, Mãe Menininha disse para ela : “ Não existe feitiço minha filha, o que existe é olho grande, inveja “. Gal Costa, também fala sobre a capacidade de Mãe Menininha enxergar longe, dizendo que ela enxergava através das paredes e que quando esteve a primeira vez com Mãe Menininha, viu ela se agigantar, crescer, uma luz poderosa. Olhando com Tanira e Déa, filhas da Casa, essa entrevista, Tanira falou sobre a “ olhar através das paredes”, dizendo que Menininha dentro do quarto, sabia se tinha alguém mexendo nas panelas dela lá na cozinha e sem ouvir ruído algum gritava : “ Oi menina, olha quem está mexendo aí nas minhas panelas “. Ela sabia de tudo que estava acontecendo em sua volta e controlava do quarto. Maria Bethânia diz que o que mais gostava era privar da companhia dela e ficarem horas em silêncio. “ Mãe Menininha me ensinou a gostar do silêncio e até hoje eu sempre busco momentos de silêncio, eu preciso deles.” Complementando, o historiador Francisco Sena, citou Jorge Amado para descreve-la. O escritor falou que Mãe Menininha era a maior expressão do povo baiano e a descreveu da seguinte maneira : “ Na Bahia existe uma mulher que não possuindo nada, não sendo rica, não tendo nenhum posto, não mandando na política, não sendo cardeal, não sendo revestida de nenhum desses falsos poderes, detém o poder real que provém do povo “

Sérgio Siqueira

Sérgio Siqueira

Colunista

Formado em Administração de Empresas pela Ufba com especialização em programação visual , marketing institucional , propaganda e eventos. Gerente de Criação e Produção e desenvolvimento de projetos e campanhas institucionais e culturais da Rede Bahia.

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