O MARKETING, A FESTA, A TRADIÇÃO.

Há de se tomar cuidado com o Marketing quando se trata de tradição e cultura. Se ele se tornar “over” é um tiro no pé. As Festas Populares por exemplo, que resistem ao tempo, estão sendo descaracterizadas com o passar desse mesmo tempo. Isso começou lá atrás, quando uma canetada resolveu que as barracas que eram arte, deveriam ficar todas iguais, acabando em parte com o colorido e diversidade das festas. O autor ou autores da ideia alegavam condições de higiene das barracas para a mudança, quando deveriam por exemplo, fazerem um concurso premiando as melhores barracas com base nos critérios : criatividade, identidade Bahia e higiene. Isso resolvia e o colorido da arte popular das barracas que corria o mundo via as lentes dos fotógrafos não desapareceria. Elas eram tão bonitas e incríveis que foram inclusive objeto de ensaio de vários grandes fotógrafos como Adenor Gondim e Aristides Alves, só para citar dois. Neste século XXI, no ano 2017, algumas festas acabaram e outras continuam fortes, como a de São Lázaro, Santa Bárbara, Bonfim e Iemanjá, mas geram preocupações, pelo marketing agressivo que vem tomando conta delas, transformando seu colorido em propaganda de uma cor só, impedindo com isso o registro dos fotógrafos e consequentemente que essas imagens corram o mundo, uma propaganda gratuita e natural, que não tem preço. Há alguns anos atrás, por exemplo, as velas de todas as embarcações da Festa de Iemanjá do Rio Vermelho, foram tomadas pela propaganda de uma marca de cerveja ,gerando protestos nos jornais e com o marketing da marca dando um tiro no pé e prejudicando também o turismo, a medida que pouca gente teve animo de fotografar as embarcações, elas tinham perdido o encanto. Não deve ser permitido que se coloque balões, faixas ou qualquer propaganda, defronte de monumentos ou que atrapalhem as cenas importantes que fazem o deleite dos fotógrafos brasileiros e estrangeiros. Essas imagens que correm na Rede são um importante instrumento de comunicação e lógico tornam-se também uma ajuda substancial para divulgação do produto Bahia, sem qualquer custo para os Orgãos dirigentes desse setor. Finalizando, deve existir um link permanente entre os homens de Marketing e os Gestores de Cultura e Turismo, todos conscientes de que essas festas são um patrimônio de muito valor, da cidade e do estado , elas atraem turistas do Brasil e do exterior, criando empregos e trazendo divisas. As Festas Tradicionais tem que ser olhadas como cartão postal, todo cuidado é pouco com esse tesouro, que sempre despertou encanto a quem nos visita, desde os tempos de exatamente, veja abaixo um trecho do famoso escritor Stefan Zweig em 1939, há exatamente 76 anos atrás..
“Ainda hoje, para esse povo cordial e sensível, a religião está indissoluvelmente ligada a festejo, alegria, espetáculo: cada parada, cada procissão, cada missa, para eles, traz felicidade. Por isso, a Bahia é a cidade das festas religiosas. Um feriado na Bahia não é apenas um dia marcado em vermelho no calendário, mas torna-se obrigatoriamente um dia de festa popular, um espetáculo, e toda a cidade empenha-se em participar de alguma forma.” ( Stefan Zweig – escritor em 1939 )

Sérgio Siqueira
Colunista
Formado em Administração de Empresas pela Ufba com especialização em programação visual , marketing institucional , propaganda e eventos. Gerente de Criação e Produção e desenvolvimento de projetos e campanhas institucionais e culturais da Rede Bahia.
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