O que a vida quer da gente é coragem
Ultimamente, venho utilizando este espaço não apenas para discutir temas relacionados à carreira e ao mercado, mas também para entrelaçar esses olhares a outras percepções sobre a vida. Afinal, é dessa forma que vejo as coisas e acredito que isso pode ressoar em outras pessoas. No mês passado, escrevi sobre a jornada do herói, usando metáforas para explorar como a ficção se alinha com a vida real. A todo momento, a vida nos convida ao inusitado, oferecendo uma oportunidade de explorar as diversas experiências que ela pode proporcionar.
Neste mês, continuando com essa ideia do chamado, resolvi escrever sobre a coragem. Antes de mais nada, sempre que escolho um conceito ou palavra específica para abordar, gosto de buscar sua etimologia para compreender seu verdadeiro significado. Uma rápida consulta ao dicionário etimológico revela que a raiz da palavra coragem vem do latim “coraticum“, que significa a bravura que emana de um coração forte. Em latim, “coraticum” tinha o mesmo significado que coragem. A pessoa com coragem não se esconde; ela enfrenta desafios e medos com a ajuda de sua força interior. Essa força interior vai além da simples força de vontade. Ela se relaciona com o seu EU INTERIOR, o seu EU espiritual, que é o seu verdadeiro EU.
Na vida, cada escolha que fazemos implica uma renúncia imediata. No mercado corporativo, por exemplo, ao decidir investir em um novo projeto, a empresa pode ter que abandonar outras iniciativas promissoras devido a recursos limitados. Esse ato de escolher entre alternativas é uma constante e cada decisão traz consigo uma renúncia inevitável. Escolher aceitar um novo emprego pode significar deixar para trás colegas, uma rotina confortável e até mesmo uma cidade amada. Essas renúncias, embora difíceis, são necessárias para o crescimento e a exploração de novas oportunidades. É a coragem que nos impulsiona a tomar essas decisões, a despeito das perdas que possam acarretar.
E você, como lida com suas vontades do coração no dia a dia? Já refletiu sobre as pequenas e grandes decisões que toma diariamente e como elas moldam seu futuro? Será que tem sido corajoso ao ponto de seguir o que realmente deseja, enfrentando os medos e incertezas? A coragem, como exploramos, é enfrentar o desconhecido com o coração aberto. Você tem tido essa bravura em suas escolhas pessoais e profissionais? Lembre-se, o verdadeiro crescimento ocorre quando ousamos sair da nossa zona de conforto e abraçamos o novo, confiando na força interior que todos possuímos.
Quantas vezes você deixou de fazer algo por medo ou insegurança? Um novo emprego, uma mudança de casa, cidade, estado ou até mesmo de país. Uma transformação de vida. Quantas oportunidades passaram à sua frente e você simplesmente deixou escapar por falta de coragem? Guimarães Rosa uma vez escreveu “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza!”
Escrevo este texto em Madrid, carregando em minhas malas diversas renúncias, escolhas e decisões, mas com o coração, desculpe-me a redundância, cheio de coragem, em seu mais fiel sentido da palavra, e o olhar entusiastas pela vida. Espero ansiosamente um novo voo para lugares ainda não explorados por mim, em busca de novas experiências, trocas e visões de mundo. A única certeza que levo comigo é que, caso volte ao Brasil, jamais retornarei com as mesmas ideias que lá deixei, assim como os heróis estruturados pela teoria de Campbell.
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Emanuel Bizerra
Colunista
Comunicólogo e ecologista, estudante de consumo, marcas e comunicação (Lato Sensu). Observador da vida cotidiana e amante da natureza, escrevo quando pede o coração
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