O que uma das comunidades mais violentas do mundo pode nos ensinar sobre inovação?
O Caso da Comuna 13, Medellin – Colômbia
Quantas vezes nos perguntamos o que podemos fazer pelo mundo? Não importa se, quando falo de mundo, você lê planeta, ambiente, pessoas. Mas quantas vezes reclamamos do mundo e de como as coisas acontecem à nossa volta e quantas vezes, de fato, nos mexemos de forma consciente para que algo mude?
Se você colocar isso em uma balança, quem ganha?! O seu lado que reclama ou o seu lado que ajuda?
Acabo de chegar da Colômbia. Fui uma das painelistas da SheIs, Fórum Internacional sobre Inovação e Equidade de Gênero. E, claro, não poderia deixar de falar sobre o tema sem puxar o gancho do ESG ou a importância de um Capitalismo Consciente como um dos pilares para que ações de equidade de gênero aconteçam.
Muito se fala sobre o espaço de poder ocupado pelas mulheres atualmente, mas o que de fato se vê na prática? Quais empresas você conhece (de perto) que desenvolve políticas de igualdade de gênero e de governança com grande eficiência?
A verdade é que estamos todos aprendendo com o bonde andando.
Trago essa provocação neste espaço da LetsGo, justamente para que a gente possa pensar junto o que nós, como pessoas jurídicas, físicas, Estado e ONGs podemos fazer para inovar e solucionar problemas antigos com novas abordagens.
E assim como comecei a minha palestra em Barranquilla, uma das cidades mais portuárias da Colômbia, começo esse texto reforçando que: Inovação não é só tecnologia. Tecnologia é um dos meios por onde se inova. Inovação é o ato de tentar resolver um problema antigo com soluções novas.
Como exemplo, trago a Comuna 13, uma comunidade pacificada em Medellin, que depois de passar por anos de violência, brigas de facções, milícias, mortes de inocentes, população assustada, sequestros e diversas outras atrocidades que a rotularam como uma das cidades mais violentas do mundo, hoje respira ciência, tecnologia e inovação e está construindo o futuro da segunda maior cidade colombiana.
O grafite de rua, por exemplo, foi um dos pilares fundamentais para transformação local. E isso é inovação.
Hoje, a comunidade vive do turismo, do artesanato e dos moradores locais que fizeram de suas janelas, vitrines para vendas de produtos. Cada ladeira respira arte e história. Cada morador estampa nos olhos o sentimento de pertencimento e orgulho de ter se tornado uma das comunidades mais inovadoras do mundo.
Com Wi-Fi grátis por todos os lados e escadas rolantes que facilitam o sobe e desce da população e dos turistas, a comunidade tem bondinhos a cabo como meios de transporte que fazem boa parte da conexão entre as ruas da Comuna 13 e o centro da cidade de Medellin.
Subir, descer, se perder e conhecer os moradores e empresários locais, as crianças e toda a enxurrada de cultura e lição de superação que eles nos deram durante um dia inteiro, para mim, não tem preço.
A comunidade também tem um Centro de Inovação Social que participa ativamente da formação gratuita dos moradores e na construção coletiva da cidade, tendo como eixo central o trabalho colaborativo para enfrentar os desafios sociais que exigem ideias transformadoras.
Lá, a união do setor público, privado e academia dão força a um trabalho que é visível e palpável em cada esquina. É uma escola experiencial a céu aberto.
Não adianta termos políticas criminais apenas com ações de combate à violência. Precisamos pensar nas pessoas que estão ali e como reintegra-las de forma digna ao restante da sociedade.
Segundo os próprios moradores da comunidade, além de todo processo de pacificação, um dos fatores mais impactantes foi a mudança de consciência da população local e da sociedade como um todo. Uma mudança de mentalidade que aquece o coração e aumenta o sentimento de pertencimento das pessoas que vivem por lá.
Sabemos que problemas de igualdade de gênero, política ambiental, social e planetário não são assuntos novos para ninguém, mas de um tempo para cá, as organizações se colocaram ainda mais à disposição para discutir questões de ESG (Environmental, Social e Governance, em português: Ambiental, Social e de Governança). Mas e daí? Quero ver na prática.
O Estado também precisa inovar e avançar. Combater a criminalidade exige criatividade e muita inovação tecnológica, social e, principalmente de mindset. Não adianta termos políticas criminais apenas com ações de combate à violência. Precisamos pensar nas pessoas que estão ali e como reintegra-las de forma digna ao restante da população.
Precisamos inovar na forma de pensar em nosso mundo e nas pessoas que vivem nele.
Frase destaque: Inovação não é só tecnologia. Tecnologia é um dos meios por onde se inova. Inovação é o ato de tentar resolver um problema antigo com soluções novas.
Fotos:
- Foto Mel Oliveira
- Fotos Comuna13, Medellin – Colômbia

Mel Oliveira
Colunista Convidada
Publicitária, Master em Negócios Internacionais pela Universitat Politècnica de Catalunya, Barcelona. Habilitada em E-Marketing pela Middlesex University, E-Branding pelo Chartered Institute of Marketing – Inglaterra – e Especialista em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas.
Atualmente é Empresária, Professora de Pós-Graduação, Sócia-Fundadora da Agência Converse, Business Agency focada em negócios digitais, Sócia-Fundadora da MChannel.Ad, empresa focada em tecnologia para o mercado de publicidade e Diretora Local do Founder Institute, uma das maiores aceleradoras de startups do mundo com sede no Vale do Silício.
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/meloliveira/
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