O respeito à flor da pele.
Há poucos dias resolvi fazer uma tatuagem. Em meio a repercussão do ato, uma amiga fez o seguinte questionamento: por que você resolveu marcar a sua pele com essa palavra? Naquele momento, minha resposta foi carregada de obviedades e, talvez por isso, não a tenha convencido. Passado o impacto causado pela audácia da pergunta, refleti que a tatuagem causaria menos estranheza se marcasse o nome dos meus filhos ou um grafismo qualquer. Mas escolhi a palavra “RESPEITO”. Por quê? No meu ponto de vista existem, pelo menos, três perspectivas que estão associadas a forma como as pessoas se relacionam consigo mesma, com o outro e com a sociedade. Peço licença ao leitor para, por meio de um exemplo pessoal, abordar um tema tão relevante também no âmbito corporativo.
O autoconhecimento e a autoconsciência proporcionam que possamos reconhecer nossos limites, crenças, valores e desejos. Um conjunto de forças que ajuda a compor a personalidade. Distraídas e, muitas vezes atuando no automático, as pessoas podem agir por desrespeitar os próprios sentimentos possibilitando, desta forma, o surgimento da frustação, insatisfação e tristeza. Você já presenciou colegas se deixarem levar até o limite e, ao se darem conta, estarem imersos em sentimentos negativos e contraditórios? Respeito próprio tem a ver com cuidar de si, do seu bem-estar e da forma como organiza as emoções. Tem a ver também com a barreira que se estabelece frente à opinião contrária emitida pelo outro. Porque auto respeito é saber comunicar nosso posicionamento frente às nossas individualidades e subjetividades. É problematizar a aceitação que concedemos ou não para que terceiros se manifestem contra nós com o objetivo de diminuir, descontruir e desvalorizar decisões e ações.
No mundo competitivo em que vivemos, o respeito não costuma emergir gratuitamente e saber impô-lo pode viabilizar ou dificultar o desenvolvimento profissional. Existe uma medida invisível e imprecisa que deve ser regulada. Alguns interlocutores demandam uma postura nossa mais forte que outros. Bem como algumas situações pedem uma sinalização de limite bem mais evidente. Essa medida precisa ser encontrada, especialmente em ambientes hostis que costumam ser permissivos com quem é, pensa ou age diferente. Particularmente, comemoro o fato da sociedade estar caminhando para maior respeito a diversidade. Muitas empresas já perceberam a riqueza que é conviver com profissionais dotados de variados perfis, histórias de vidas e até formações acadêmicas e culturais diversas.
Eu tatuei a palavra respeito em minha pele porque ela é o meu principal valor. Porque quero me lembrar todos os dias que para ser respeitada preciso impor respeito, respeitar o outro e a mim mesma. E você, se fosse tatuar um dos seus valores, qual seria?
Matéria publicada originalmente no Site Bahia Notícias na edição de 18 de junho de 2019.

Alessandra Calheira
Colunista
Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas, na linha de Cibercultura, pela UFBA; Especialista em Marketing pela ESPM e Publicitária pela UCSal. É sócia fundadora da Proxima e consultora para Gestão Educacional e Empregabilidade da Rede FTC. É ainda professora da Pós-Graduação da UNIFACS e colunista do Bahia Notícias.
Atuou como criativa e redatora publicitária quando foi laureada com um Leão no Festival Internacional de Cannes, com uma medalha no Clube de Criação de São Paulo, Top de Marketing da ADVB, entre outros.
A Ressaca de Março: o que o ‘Luto Dopaminérgico’ ensina sobre o consumidor.
Dizem que no Brasil, e mais especificamente em Salvador, o ano só começa depois do Carnaval. Mas, para quem observa o comportamento humano de perto, a verdade é que março chega com uma ressaca existencial. Atravessamos um túnel de hiperestimulação: o brilho do...
ENTRE NIETZSCHE E NISKIER. Uma breve reflexão sobre A ALMA IMORAL.
Recentemente, assisti, pela quinta ou sexta vez (não lembro ao certo), a peça A ALMA IMORAL, que, em vias de completar 20 anos, se consolida como uma das peças mais icônicas do teatro brasileiro. E o que impressiona, ainda mais, é o fato de se tratar de monólogo......
O futuro não é ancestral. Mas o presente é. E, talvez o melhor — ou o mais desafiado — seja saber que carregamos essa essência mesmo quando fingimos que não.
A ancestralidade não vive apenas nos livros, nos rituais ou nos símbolos. Ela vive em nós. No jeito de falar, na intuição que orienta, no silêncio que protege, na coragem que surge sem aviso, na sensibilidade que escapa à lógica. O presente que habitamos é atravessado...
Investimento para a vida
Uma vez, numa reunião de consultoria de imagem, dessas em que falamos de postura, presença e narrativa, eu fiz algo que costumo fazer: abri um pouco a janela da minha própria história. Gosto de lembrar que nenhuma imagem se sustenta sem alma. E a alma é feita de...
A falácia de que branding não vende
Caro profissional de marketing, eu aposto que ano passado (2025), ao organizar seu orçamento para 2026, você focou a verba em performance, e bem menos em branding. Acertei? Não se sinta mal caso tenha feito isso, porque você está alinhado ao mercado. Das 363...
Branding é Método, Não Magia
Nos últimos anos, a construção de marca ganhou espaço no discurso de empresas, empreendedores e profissionais de diferentes áreas. Termos como propósito, posicionamento e arquétipos passaram a circular com frequência, o que, em um primeiro momento, é positivo. Isso...
junte-se ao mercado
