Os velhos paradigmas e o novo marketing digital

ago/2019

Já se tornou um clichê falarmos sobre as transformações provocadas pela popularização da internet e pela emergência das Redes Sociais Digitais. Estamos conectados 24 horas por dia, 7 dias por semana e utilizamos, com enorme naturalidade, recursos que há bem pouco tempo pareciam poder existir apenas em filmes de ficção científica. Provedores de informação, organizações do setor público e privado sabem mais sobre quem somos, do que nossos amigos mais próximos. Como consequência de tantas e tão rápidas transformações, novos mercados, produtos e serviços estão sendo criados. Muitas profissões estão se extinguindo e tantas outras estão surgindo no mesmo time da internet: de um clique. O xis da questão é que a sociedade tem dificuldade de avançar com a urgência que o mercado exige e as pessoas terminam ficando presas a paradigmas criados lá no tempo do modem U.S. Robotics ou, na melhor das hipóteses, no tempo do Orkut! Para melhor compreender o mercado atual é necessário que todos revejam alguns conceitos e busquem adequar necessidades empresariais a profissionais com capacidade de atender a desafios que surgem da noite para o dia.

O primeiro grande paradigma é pensar que executar um bom plano de comunicação digital é de graça ou custa muito barato. Há anos, gigantes como o Google e o Facebook investem seus esforços visando atrair um sem número de usuários oferecendo bons serviços gratuitos. Esses sistemas, sabemos, são capazes de entreter e “viciar” multidões. Enquanto todos se divertem fazendo selfies, criando hashtags e se associando a comunidades virtuais, por exemplo, essas empresas fortalecem a sua base com dados e metadados, e ajustam o seu algoritmo para restringir o alcance orgânico de publicações empresariais. O impulsionamento de posts, vídeos e fotos é a única maneira de fazer com que o conteúdo alcance seu taget. E para isso é preciso pagar. A boa comunicação digital não pode ser mais uma aventura.

O outro paradigma é pensar que jovens talentosos são capazes de cuidar sozinhos de estratégias de marketing. Dizem que os millennials já nascem com um chip instalado na cabeça e que, por isso, dominam técnicas e tecnologias digitais por completo. São capazes de produzir vídeos incríveis e atrair milhares de seguidores usando apenas o seu smartphone. De fato é impressionante observar a destreza com que muitos desses jovens constroem narrativas e atraem olhares. Muitos deles desejam se transformar em Youtubers e em influenciadores digitais. O mercado, que é vivo e não é bobo, já transformou alguns desses produtos em commodities. Quem nunca se deparou com um anúncio do tipo “fazemos o seu site por apenas R$59,90”? O olhar desses jovens profissionais deve estar atento a essas transformações inerentes ao seu próprio contexto. Por acreditarem que dominam o cenário, podem não perceber que para atuar com consistência profissional terão que enriquecer incansavelmente o seu repertório, criar conteúdos que atendam a demandas específicas e, sobretudo, tenham um perfil analítico e entendam de números. Acreditar que os profissionais formados na área de Humanas não sabem lidar com números é o nosso último e mais importante paradigma. Bem, na verdade, não sabem mesmo! Mas precisam mudar. Por conta desta infinidade de informações coletadas por meio de aplicativos, perfis em sites de redes sociais, cadastros digitais, pesquisas on-line etc. o profissional que deseja atuar com sucesso em empresas de marketing digital terá que desenvolver a “terrível” competência que evitou durante a sua trajetória acadêmica. As melhores e mais consistentes ações na área digital que já estão sendo implementadas em mercados mais ricos, contemplam enorme análise de dados e em tempo real. Softwares complexos, capazes de coletar e gerar muitas informações possibilitam que os esforços feitos sejam analisados minuto a minuto tomando como base o movimento natural dos consumidores. Ajustes devem ser feitos na mesma velocidade e também em tempo real.

Independente dos objetivos definidos em seus planejamentos, as empresas, que, afinal, passarão a investir mais, buscam realizar conversões. Criatividade sem dúvida ainda é um fator humano dos mais relevantes, mas competências que aliam conhecimento analítico e foco preciso em resultados rápidos são os maiores desafios de uma geração incrivelmente talentosa.

 

Matéria publicada originalmente no Jornal A Tarde na edição de 15 de dezembro de 2017.

Alessandra Calheira

Alessandra Calheira

Colunista

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas, na linha de Cibercultura, pela UFBA; Especialista em Marketing pela ESPM e Publicitária pela UCSal. É sócia fundadora da Proxima e consultora para Gestão Educacional e Empregabilidade da Rede FTC. É ainda professora da Pós-Graduação da UNIFACS e colunista do Bahia Notícias.

Atuou como criativa e redatora publicitária quando foi laureada com um Leão no Festival Internacional de Cannes, com uma medalha no Clube de Criação de São Paulo, Top de Marketing da ADVB, entre outros.

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