Precisa-se de Humanos 2.0
Na Inglaterra do século XIX, as pessoas testemunharam a explosão do Ludismo, um movimento de tecelões que viam as máquinas, recém-criadas pela Revolução Industrial, como uma ameaça aos seus empregos. Desde então, o medo tem sido um sentimento presente nas relações que envolvem homens e máquinas e continua fortalecido no século XXI. Alguns analistas acreditam que a Inteligência Artificial será, em um futuro próximo, responsável por exterminar milhares de postos de trabalho em todo o mundo. Mas, conhecendo a história, será mesmo que devemos nos preocupar? Podemos fazer algo para preservar nossas carreiras e nos mantermos atuantes?
A resposta para ambas as questões é: sim! Devemos nos preocupar e desenvolver ações para nos mantermos competitivos. Neste contexto, é importante ter clareza que se há uma máquina ou tecnologia viável economicamente ela deverá executar as tarefas para a qual foi criada de forma mais eficiente que um ser humano. Mas, mesmo podendo capturar, armazenar, analisar milhares de dados e ainda por cima aprender, elas nunca terão algo que apenas nós temos: humanidade. Por isso, para começar precisamos mudar o mindset e colocar as máquinas em seus devidos lugares. Tecnologias existem para facilitar o nosso trabalho e deixar a nossa vida melhor. Existem para nos servir e não o contrário. Vendo as máquinas como parceiras e não como inimigas, podemos refletir mais livremente sobre como elevar a nossa humanidade exponencialmente. Isso realmente se faz necessário.
A intuição, por exemplo, é a capacidade que temos de identificar e/ou prever situações sem que haja elementos prévios concretos e racionais para chegar a determinada conclusão. Há alguns anos, a intuição deixou de ser um tema associado ao esoterismo e ao misticismo para ser estudada por matérias como psicologia e neurociência. Ela vem sendo cada dia mais usada em ambientes corporativos sendo, inclusive, investigada por recrutadores em seus processos seletivos.
A meditação também é outra técnica que foi durante muitos anos associada ao misticismo. Hoje, o mundo já entende que meditar com frequência pode estimular as pessoas a alcançarem níveis elevados de consciência, elaborem raciocínios mais sofisticados e resolvam problemas complexos. Usando a intuição e técnicas de meditação, todos nós humanos poderemos praticar a empatia, desenvolver melhor competências socioemocionais e estabelecer conexões de cooperação e afeto.
Em um mundo onde os carrinhos de supermercado poderão monitorar nossas emoções visando influenciar decisões comerciais, só teremos chance se elevarmos a nossa humanidade a outro nível.

Alessandra Calheira
Colunista
Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas, na linha de Cibercultura, pela UFBA; Especialista em Marketing pela ESPM e Publicitária pela UCSal. É sócia fundadora da Proxima e consultora para Gestão Educacional e Empregabilidade da Rede FTC. É ainda professora da Pós-Graduação da UNIFACS e colunista do Bahia Notícias.
Atuou como criativa e redatora publicitária quando foi laureada com um Leão no Festival Internacional de Cannes, com uma medalha no Clube de Criação de São Paulo, Top de Marketing da ADVB, entre outros.
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