Uma historinha para cobrir a falta de assunto
Definitivamente estou sem assunto e isso me preocupa. Quando falta assunto é por que sobra preguiça, mas, para vocês não saírem por aí me imputando esse pecado capital, melhor eu contar uma historinha, juro que não é ficção, ou, mais de uma, por que não?
Aconteceu em Juazeiro nos anos 80. O jornal A Tarde preparava um caderno especial sobre o município. O representante na cidade correu o comércio para vender anúncios, porém, um cliente em especial, proprietário de uma loja de eletrodomésticos, não gostou do leiaute que lhe foi apresentado pela sucursal do jornal como sugestão.
Refeito o leiaute o cliente novamente recusou e ao longo da semana, já próximo do fechamento publicitário, nada dele se decidir. Todas as opções eram descartadas. O jeito foi um dos corretores do jornal tentar resolver o impasse. Ligou para o cidadão, ouviu as queixas. Ele queria que o anuncio tivesse a foto da fachada da loja, toda ela, o que era impossível pois uma imensa árvore cobria boa parte. O corretor de brincadeira falou: “só o senhor cortando a árvore”.
O cidadão não pensou duas vezes. Mandou cortar a amendoeira e ligou para o jornal: “Pode vir fazer a foto, cortei a árvore, pois não quero ficar de fora desse caderno especial”.
A outra historinha aconteceu em Salvador, na década de 90. A Tarde tinha encomendado à Publivendas/Engenhonovo uma campanha comunitária para a Semana do Trânsito, que seria assinada pela A Tarde e a Copene, esta pagaria os custos. Para ganhar tempo a agência fez dois leiautes, um para apresentação a Arthur Couto, diretor do jornal, outro para apresentação na Copene, no mesmo dia e hora.
Ocorre que Arthur Couto amou a campanha e foi logo dizendo:
– Está aprovada, mas, tirem a Copene, não quero dividir os créditos.
Fernandinho Passos, ponderou:
– Não dá Arthur, agora mesmo Tarcísio do atendimento está a caminho do Polo.
A reação de Arthur foi rápida: Qual é o carro dele e como é ele? Mal Fernandinho tinha acabado de responder, Arthur pegou o telefone e ligou para o comandante da Polícia Militar:
– Coronel, preciso que me prenda um sujeito de óculos que vai passar ai no posto policial da Via Parafuso, ele está num Monza azul escuro.
— O que ele fez Arthur?
— Nada, é gente boa. Nosso amigo. Mas não pode chegar de jeito nenhum em Camaçari. Peça aos policiais para mandar ele retornar e se apresentar no jornal A Tarde.
Tarcísio tomou um baita susto e como naquele tempo não existia celular precisou ir ao jornal para saber o que estava acontecendo. Sobrou para a agência que teve que inventar uma desculpa para o marketing da Copene e criar às presas outra campanha para apresentar no dia seguinte.

Nelson Cadena
Colunista
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