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20 anos da ABMP

ago/2018

Toda entidade de classe nasce de uma necessidade, ou, de uma provocação. A ABMP nasceu das duas.

A necessidade foi a de se constituir uma entidade que reunisse todos os segmentos da comunicação. Existia um precedente, a AP-Bahia (sigla de Associação de Propaganda da Bahia), constituída em 1977 para realizar em Salvador o IV Congresso Brasileiro de Propaganda; este não aconteceu por conta de um desentendimento entre a ABAP nacional e a Associação Brasileira de Anunciantes-ABA. Conflito de interesses. Não sendo realizado o Congresso, a AP-Bahia perdeu a sua funcionalidade.

A provocação que levou à iniciativa de se criar a ABMP foi a dificuldade dos veículos e fornecedores de comunicação de estabelecer um diálogo, em igualdade de condições, com as duas entidades que representavam as agências de propaganda da Bahia: ABAP/Bahia e SINAPRO/Bahia. Os veículos não tinham representação classista desde o fim do Grupo de Atendimento de Veículos- GRAVE, constituído em 1978, e, também, desativado com a decisão da ABAP de não realizar o IV Congresso em Salvador.

O entendimento dos idealizadores da ABMP, uma ideia que surgiu durante o Fórum Baiano de Propaganda realizado na Praia do Forte, em 1997, era de que agências, veículos e fornecedores deveriam estar juntos, em torno de algo mais abrangente do que os interesses específicos de cada um desses segmentos. Seria a melhor forma de superar conflitos e impasses comerciais. O objetivo traçado foi o de fortalecer o mercado. E daí a escolha prioritária da palavra Mercado para compor a sigla ABMP.

Os primeiros passos

A entidade teve como seus principais articuladores, nesse processo, Rodolfo Tourinho, então Diretor da Rede Bahia; Sidônio Palmeira que então presidia a ABAP e André Lemos do grupo Bigraf. Outros profissionais logo se incorporaram a esse projeto, nesta face inicial: Fernando Passos da Engenhonovo; José Linhares da Central de Outdoor; Mauricio Xavier da RX30; Pedro Dourado da Uranus; Maria Eduarda Baleeiro, dentre outros. Assim nasceu a ABMP.

Em 1999 fui convidado para desenvolver alguns projetos. Primeiro a Feira Baiana de Propaganda, uma das realizações da entidade de maior visibilidade. Motivo de orgulho para mim que já exibia no meu currículo de planejador de eventos os projetos do Arraiá da Capitá, Fenagro e Bahia Recall, dentre outros. A Feira foi realizada durante quatro anos, a última versão contou com mais de 50 expositores e mais de 10 mil visitantes. Mais tarde realizamos o Encontro de Propaganda de Lençóis que chegou a reunir 3 mil profissionais e estudantes em torno de uma agenda com grandes nomes da propaganda brasileira.

Os fundamentos

É importante ressaltar dois princípios da ABMP sem os quais provavelmente não teria sobrevivido e muito menos alcançado a marca de 20 anos. O primeiro e mais importante foi a decisão de que o presidente da entidade sempre seria um diretor de veículo ou de fornecedor e não um dono de agência. Alguns empresários de propaganda não concordaram com esse princípio e em vários momentos sugeriram uma nova regra. O Conselho da ABMP, sempre que instado a opinar sobre o assunto, manteve esse fundamento.

O segundo princípio foi a criação de um Conselho com a representação de todos os presidentes das entidades de classe da propaganda baiana. Se a ideia era juntar forças e fortalecer o mercado, nada melhor do que pensar e agir juntos. O sucesso de todas as realizações da ABMP teve muito a ver com essa soma de esforços e de vontades.

Mais projetos

Devemos ressaltar outros projetos da ABMP que marcaram a sua trajetória, além da Feira Baiana de Propaganda: o Prêmio ABMP foi um deles. Realizado por um processo de escolha feita pelos próprios profissionais, destacava os melhores em várias categorias: dirigente de agência; profissional de mídia, de criação e atendimento; profissional de comunicação corporativa e de marketing promocional; fornecedor; dentre outros. Também marcou pelo ineditismo o Programa Credifácil Anunciante, linha de crédito concedida pelo Desenbahia, para financiar planos de mídia de pequenos anunciantes.

E ainda, a se destacar, entre os projetos de maior alcance, a Pesquisa ABMP realizada junto a mais de 1300 players do mercado publicitário da capital e interior, inédita no país, pela sua abrangência e pela diversidade da informação obtida, além do engajamento das empresas que responderam os questionários. Permitiu estabelecer um diagnóstico de nosso mercado. Outros projetos compõem esta retrospectiva dos 20 anos da entidade, não menos importantes do que os aqui mencionados, mas, o espaço é curto para enumerá-los.

Esta trajetória de 20 anos, iniciada com a gestão de Rodolfo Tourinho, teve continuidade com Marcelo Lyra da Rede Bahia, Ney Bandeira da TV Aratu, Pedro Dourado da Uranus, João Gomes da Rede Bahia e Ana Coelho da TV Aratu. A eles e as respectivas diretorias que somaram esforços em cada gestão se deve o fortalecimento do fundamento maior da entidade, destacada como objetivo nos seus estatutos: agregar o mercado e promover, enquanto possível, o seu desenvolvimento.

Nelson Cadena

Nelson Cadena

Colunista

Escritor, jornalista e publicitário.

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