Comunicação como estratégia de sobrevivência às filantrópicas

mar/2017

Quantas, das cerca de 18 mil instituições sem fins lucrativos da Bahia, você conhece? Muitas vezes, instituições filantrópicas passam despercebidas. Focadas em seu papel social, esse tipo de iniciativa geralmente se inicia sem estrutura, motivada pelo interesse em prestar um serviço necessário à população que não tem acesso.

Mas é preciso estruturação e comunicação. É necessário uma gestão profissional, um olhar estratégico e planejamento. Além disso, um dos primeiros fatores que podem contribuir para que o negócio se torne (re)conhecido, diferenciado e adquira mais notoriedade, é uma divulgação direcionada, estratégica e, principalmente, criativa. Para que isso seja possível, é imprescindível conhecer o público-alvo e estudar o melhor canal e linguagem de cada um.

A busca pelo conhecimento também deve ser frequente e incessante, com atualização constante sobre as principais e atuais tendências da comunicação. Afinal, todos nós sabemos que quem “não é visto não é lembrado”. Por isso, um dos papéis mais importantes das filantrópicas é o de conferir maior visibilidade à instituição para arrecadar doações, através da máxima “promover para captar”.

Tal visibilidade envolve ainda a identidade das instituições filantrópicas, que, por sua vez, podem auxiliar na construção ou reforço positivo de suas imagens, – apesar dos conceitos de identidade e imagem serem diferentes e obterem propósitos distintos.

Nesse sentido, a comunicação deve ser percebida e compreendida como uma espécie de “prestação de contas” necessária, já que normalmente são ofertados serviços de utilidade pública, que se fazem extremamente úteis à sociedade. Mas é importante destacar que comunicar vai muito além de prestar contas.  É uma forma de despertar a atenção e a importância pelo trabalho desenvolvido, levando ao conhecimento do maior número do pessoas sobre o “negócio” que, por sua vez, deve ser gerido com profissionalismo, transparência e ética.

A comunicação também pode ser utilizada como uma poderosa ferramenta e, concomitantemente, relevante, permitindo captação de recursos não só através de doações da população, mas abrangendo ações com grandes empresários e suas marcas. A iniciativa privada pode (e deve) estar junto das filantrópicas, a serviço do bem.

Mas, para que tudo isso seja viável, é preciso que haja uma gestão que compreenda a importância de viabilizar e estreitar o relacionamento entre a instituição e seus respectivos públicos. Prestar o serviço é nobre e necessário; comunicar e engajar é estratégia de sobrevivência.

Roberto Sá Menezes

Roberto Sá Menezes

Colunista

Provedor da Santa Casa da Bahia, fundador e presidente do Grupo de Apoio à Criança com Câncer da Bahia (GACC-BA), membro do Conselho Fiscal da Associação Obras Sociais Irmã Dulce (AOSID) e do Conselho Consultivo da Confederação das Santas Casas de Misericórdia do Brasil (CMB).

 

Mais artigos

Alto astral e bom humor, apesar dos pesares

A cabeça da gente contém um caldeirão de conexões, são muitas informações conflitantes e efervescentes onde se processa o humor. Sua manifestação externa se dará sobre a forma de anedotas, piadas, risadas, manobras mentais   inteligentes cuja função é devolver leveza...

ler mais

VIVA O SABER

Livros, debates, recitais, saraus e do nada, ou com tudo, o desabitado Pelourinho tem suas ruas invadidas por pessoas alegres, com riso estampado na face. Ali estava sendo oferecido algo, que não está presente no cotidiano, as escolas envelheceram. Na Flipelô tudo era...

ler mais

A morte do Teaser

O “teaser” nasceu no século XIX, teve seu auge no século seguinte e morreu de falência múltipla dos órgãos em inicios deste século e hoje permanece insepulto, aguarda talvez um cortejo fúnebre à altura da importância que teve, imagino todo o mercado ostentando...

ler mais

Seriam os azulejos portugueses as primeiras mídias do Brasil?

Fico com o coração partido quando vejo a deterioração dos painéis de azulejos do claustro do convento de São Francisco, no centro histórico de Salvador. Quem nunca ouviu falar da igreja de ouro de S. Francisco no Pelourinho? Ela fica entre o convento dos frades...

ler mais

Cinema africano?

De longe, o cenário cultural da Nigéria não sugere uma indústria cinematográfica vigorosa, mas ela existe. Nollywood é a terceira maior do mundo perdendo apenas para Hollywood (EUA) e Bollywood (Índia). Isso em termos de faturamento, pois em termos de títulos, fala-se...

ler mais

O gosto e desgosto da mídia

Enxovalhar a mídia é uma das propostas e atitudes recorrentes dos internautas nas redes sociais, em especial no facebook. Parte-se do princípio de que se eu não gosto disso e não concordo com isso é por que o veículo que informa, ou, emite opinião, através de seus...

ler mais

junte-se ao mercado