2018 e o desafio da saúde

jan/2018

Começamos o novo ano com um cenário de incertezas para a área da saúde. Por ser um ano de eleições e, sobretudo, em um período de instabilidade política, é difícil fazer previsões. Mesmo após o ano de 2017 ter sido mais positivo em relação ao ano anterior, com tímida recuperação, 2018 apresenta-se desafiador devido ao atual quadro político-econômico. A dúvida sobre a condução da economia, após as eleições, pode prejudicar – ou melhorar (assim espero!) – o cenário da saúde suplementar e pública.

Atualmente acompanhamos, apreensivos, um mercado de saúde que demora em reagir. Presenciamos o modelo de saúde privada em colapso, com os convênios ameaçados e buscando novas formas de manter-se ativos. Se nada for feito, a previsão é que em três anos os planos não se sustentem com o modelo atual. Com este cenário, muitos convênios estão realizando reestruturações significativas e apertando o cerco ao uso indiscriminado de seus serviços, além de renegociações com prestadores de serviços, visando, ainda mais, redução de preços.

Na saúde pública, presenciamos muita dificuldade no financiamento e, ainda, remuneração defasada, prejudicando a oferta de serviços à população. Junte-se a isso, a procura cada vez maior pelos serviços públicos de saúde, seja pelos consumidores que perderam o plano de saúde privado (junto com o emprego fixo) ou por aqueles que não podem continuar pagando por um. O resultado é uma demanda cada vez maior, desproporcional ao financiamento do setor.

O desafio este ano, portanto, é sobreviver com criatividade e, sobretudo, com transparência. E para isso, acredito que o ponto fundamental seja a comunicação. Afinal, a busca pela transparência, esclarecendo e conscientizando os consumidores, oferece a possibilidade de diálogo positivo e de cuidado com a imagem. Hoje, mais do que nunca, é fundamental se comunicar e ouvir cada vez mais o consumidor, dando-o voz ativa, ouvindo as sugestões e propostas, aperfeiçoando sempre o atendimento.

Uma comunicação ativa também é fundamental no reposicionamento para o mercado. Informar quais problemas e situações estão sendo enfrentados e debatê-los não faz o negócio regredir, apenas demostra o motivo pelo qual algumas ações precisam ser tomadas e traz pra perto os clientes, os parceiros e até os concorrentes – que possivelmente estão passando pelo mesmo.

 

 

Roberto Sá Menezes

Roberto Sá Menezes

Colunista

Provedor da Santa Casa da Bahia, fundador e presidente do Grupo de Apoio à Criança com Câncer da Bahia (GACC-BA), membro do Conselho Fiscal da Associação Obras Sociais Irmã Dulce (AOSID) e do Conselho Consultivo da Confederação das Santas Casas de Misericórdia do Brasil (CMB).

 

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