72% das profissionais de comunicação já viveram alguma situação de assédio no trabalho

mar/2023

Em abril de 2022, a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) divulgou um dado assustador: 72% das profissionais de comunicação do país, já sofreram alguma situação de assédio no ambiente de trabalho.

De acordo com o relatório da pesquisa “A Mulher na Comunicação – sua força, seus desafios” – 2ª edição, assédio e desigualdades fazem parte da realidade feminina no trabalho. Das 554 mulheres ouvidas, o assédio e a desigualdade são fatores de grande impacto no desenvolvimento profissional. Entre as principais reclamações, 35% das entrevistadas apontam redução nas suas responsabilidades empresariais, 34% sinalizam diferenças de remuneração e 22% dificuldades em obter promoções.

Por mais que estejamos empenhados na promoção de iniciativas igualitárias para todos e todas, entendendo a importância da equidade no processo, ainda nos assustamos com atitudes e realidades desapontadoras do comportamento machista.

Com 7 anos de agência e uma equipe majoritariamente feminina, não foi só uma vez que precisei intervir e reagir diretamente ao assédio de profissionais da comunicação às mulheres do meu time. Cantadas, invasões, piadas sem propósito acontecem eventualmente, como que numa tentativa de “vai que cola”.

Acontece que, no exercício profissional onde os contatos acontecem diariamente, em uma dinâmica de colaboração mútua – proposição de notícia x notícia na imprensa –, é essencial que nasçam vínculos, mas eles precisam acontecer na medida do respeito à atividade, sem que simpatias sejam confundidas com espaços de flerte, aventura e abertura.

Não são todos e, acima de tudo, precisamos ter muito cuidado com essas afirmações, mas em um cenário machista, homens se sentem à vontade e autorizados a assediarem as mulheres, acreditando que esse comportamento seja natural e socialmente aceitável.

Entenda: não é.

Aproveitando o mês da mulher, onde evidenciam-se pautas e contextos que precisam ser questionados e revistos, convido os homens do mercado de comunicação – sejam eles gestores, lideranças ou não, a reverem suas posturas profissionais em relação à equidade de direitos das mulheres em suas atividades, ao mesmo tempo em que convoco todos os demais ao entendimento dos limites que precisam existir nas relações de trabalho, respeitando a mulher em todos os ambientes e transformando nossa área em exemplo para toda a sociedade. 

Que essa convocação não seja em vão.

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Rodrigo Almeida

Rodrigo Almeida

Colunista

Relações Públicas, Mestre em Gestão e Tecnologia Industrial, Professor Universitário e Diretor da agência CRIATIVOS.

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