Se o seu algoritmo é branco, a culpa é sua
Em setembro deste ano assisti a uma palestra da atriz e apresentadora Regina Casé, direcionada para uma turma de artistas, criativos, formadores de opinião e empresários de todo o país.
Entre ponderações, risadas e provocações, uma fala me atiçou à reflexão: não cabe mais a ninguém, em nenhuma esfera social e/ou política, afirmar não possuir amigos(as) negros(as) por falta de oportunidade.
De acordo com os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56% da população brasileira se reconhece como preta ou parda.
Em contraponto, quando partimos para analisar os ambientes digitais, a quarta edição da pesquisa anual “Diversidade na Comunicação de marcas em Redes Sociais”, produzida pela consultoria global Elife Group, em parceria com a agência SA365 e a plataforma Buzzmonitor, revelou que a presença de negros e pardos contempla apenas 44% das publicações nas mídias sociais das marcas, demonstrando um desequilíbrio entre o volume populacional e a sua representatividade na publicidade.
Apesar de aparente minoria produtora de conteúdo, já que segundo dados fornecidos pela SamyRoad em 2021, dos mais de 900 mil perfis de influenciadores cadastrados em sua plataforma, apenas 20% são de pessoas negras. Ainda assim, estamos falando de aproximadamente 200 mil influencers negros (só entre os cadastrados na plataforma), criando e produzindo conteúdos para redes sociais, com as mais diversas entregas e abordagens temáticas.
O fato é que por mais incomodo que seja esse questionamento, quando numericamente entendemos sobre a cor da nossa população, a possibilidade de não termos uma rede de relacionamento com pessoas negras é injustificável.
Quando a atriz Regina Casé, convidada do Jantar do Alô Alô Bahia, provoca uma plateia majoritariamente branca à reflexão sobre as suas relações pessoas e a cor desses círculos sociais, um desconforto proposital acomete os convidados, colocando-os em um lugar sem respostas e nem justificativas.
É fato que, em um simples “passar de olhos” pelas redes de algumas pessoas, identificamos a ausência de diversidade e uma naturalidade nesse “acaso”, aleatoriedade essa que se repete entre os amigos dos amigos e assim em diante.
Extrapolar a circunstância e provocar (sim!!!) a diversidade de gêneros, cores, raças, etnias, idades, contextos sociais e condições físicas entre as redes de relacionamento, o ambiente de trabalho e as interações sociais é uma missão de todos e todas, sem ‘mimimi’, ‘bater de pé’ ou ‘muxoxo’.
A partir de agora nenhuma desculpa será aceita.
Conversados?
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Rodrigo Almeida
Colunista
Relações Públicas, Mestre em Gestão e Tecnologia Industrial, Professor Universitário e Diretor da agência CRIATIVOS.
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