Da Paternidade à Filantropia
Ao me tornar pai, já imaginava que minha vida ia passar por transformações, mas jamais da forma como aconteceram. Aos nove anos, meu filho foi diagnosticado com câncer. Travamos uma batalha que felizmente foi vencida e, a partir daí, uma nova força foi gerada. Durante o tratamento do meu filho, tive acesso ao drama de várias outras crianças que passavam por situação semelhante, mas nem sempre com final feliz. A dificuldade existia principalmente entre as famílias carentes vindas do interior, que não tinham estrutura na capital baiana e acabavam por não dar continuidade ao tratamento.
Mobilizado por essa realidade, eu e outras pessoas envolvidas nesta luta – pais e médicos – fundamos o Grupo de Apoio a Criança com Câncer (GACC-BA), em 1988. Naquela época, todos os desafios encontrados para fazer com que o GACC iniciasse sua missão foram motivadores para que eu me envolvesse com a filantropia. Era necessário articular parcerias e transitar por diversos setores. As nossas necessidades incluíam a ampliação do atendimento hospitalar na capital baiana e as próprias necessidades da instituição, como uma cozinha industrial e móveis. O nosso objetivo sempre foi o de contar com uma casa feita especialmente para receber os pacientes do interior e seus responsáveis, um local onde eles tivessem todo o acolhimento e auxílio necessário para evitar interrupções no tratamento e assim aumentasse as chances de cura.
Desde então, minha relação com a filantropia só aumentou. Em 2002, iniciei minha trajetória de forma voluntária na Santa Casa da Bahia, instituição secular voltada a servir a sociedade baiana. Primeiramente, atuei como membro da irmandade, depois como tesoureiro e mordomo de saúde, até ser eleito como provedor, em 2014. Desse período, gostaria de destacar a inauguração da Central de Doações da Santa Casa, com toda estrutura para arrecadação de recursos voltados para as atividades sociais da Instituição, além do programa de capacitação e incentivo ao voluntariado, parte essencial na transformação promovida pelas organizações do terceiro setor na sociedade.
Mesmo com todo o empenho, não me afastei das atividades profissionais na área de formação – a economia, para a geração e manutenção da renda familiar. Entretanto, percebi que a vida já tinha me levado para novos rumos, por isso em 2003 me especializei em Gestão de Iniciativas Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Este envolvimento me levou também a assumir, de 2012 a 2014, o cargo voluntário de Presidente da Diretoria Executiva da CONIACC – Confederação Nacional das Instituições de Apoio ao Câncer Infantojuvenil. Atualmente, atuo ainda como Diretor do IBROSS – Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde; membro da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal da Associação Obras Sociais Irmã Dulce (AOSID); membro do Conselho de Gestão das Organizações Sociais; e como membro do CMB – Conselho Consultivo da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas.
Como dito, jamais imaginei que a paternidade pudesse me levar para caminhos tão valiosos e transformadores. Toda essa trajetória na filantropia aconteceu naturalmente, como geralmente é marcado o início das entidades, que nascem pelo desejo de prestar um serviço social. Entretanto, é preciso mais que o desejo de contribuir para a sociedade. É necessário profissionalismo na gestão para perpetuar o trabalho e gerir as atividades e recursos. Mantenha as instituições saudáveis, tal como um filho.
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Roberto Sá Menezes é Provedor da Santa Casa da Bahia, fundador e presidente do GACC-BA (Grupo de Apoio à Criança com Câncer da Bahia), membro do Conselho Fiscal da Associação Obras Sociais Irmã Dulce (AOSID) e do Conselho Consultivo da Confederação das Santas Casas do Brasil (CMB).

Roberto Sá Menezes
Colunista
Provedor da Santa Casa da Bahia, fundador e presidente do Grupo de Apoio à Criança com Câncer da Bahia (GACC-BA), membro do Conselho Fiscal da Associação Obras Sociais Irmã Dulce (AOSID) e do Conselho Consultivo da Confederação das Santas Casas de Misericórdia do Brasil (CMB).
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