Entrevista: Carmen Silva – Líder do Movimento dos Sem-Teto do Centro – MSTC

dez/2020

“Dia após dia estamos conquistando mais espaços como cidadãos, outrora invisíveis na grande São Paulo. Hoje, o MSTC trabalha em rede e coletividade, interligando vários setores e demonstrando atuação como agente transformador na escala urbana e social.”                                                                                                                                                                    

                                                                                                                                                                          

 

 

 

Carmen Silva é ativista pelo direito à cidade, líder do Movimento dos Sem-Teto do Centro – MSTC e conselheira estadual de habitação da cidade de São Paulo. Urbanista prática, ao longo desses 20 anos de luta, tirou das ruas cerca de três mil pessoas e já lecionou em cursos de arquitetura e discute de maneira altiva com autoridades dos setores públicos, privados e acadêmicos, a questão da visibilidade das pessoas que não possuem endereço, promovendo inclusão social, acesso à saúde, educação e cultura.


Palestrante convidada no Scream 2020, nessa entrevista, ela dá detalhes de sua luta diária e conta um pouco da sua trajetória, que já rendeu prêmios e reconhecimento nacional.
 

 

 

ABMP: Desde os anos 1990, você integra o MSTC, que luta ininterruptamente pela visibilidade das pessoas que não possuem endereço. Em quase três décadas de atuação, quais foram as principais conquistas e desafios?

CS: Nesses meus 30 anos de luta, a principal conquista foi propiciar moradias definitivas para mais de 3 mil famílias. A vitória na demanda Cambridge (reforma do antigo edifício Hotel Cambridge, localizado no centro da cidade de São Paulo), por exemplo, marcou nossa trajetória. Trata-se do nosso lar ascendente na luta por direitos de milhares de pessoas, que obteve reconhecimento público nacional e internacional.

Sobre os desafios, eles são muitos, e para aqueles que não possuem endereço, as principais são a descontinuidade de programas de habitação e enfrentamento da criminalização dos movimentos sociais.

ABMP: Ser mulher neste ambiente, às vezes hostil, dá um peso maior à esta missão?

CS: A mulher é quem inicia o processo de ocupação em quase todos os casos. É a mulher quem vem com seus filhos, que assume o trabalho e aceita o desafio de luta. Ser mulher é uma condição que potencializa e une todas nós. Somos muitas em busca do direito da moradia digna para nós e nossos filhos.

 

ABMP: Temos visto, através das urnas, mudança de pensamento da população. Para os movimentos como o MSTC, o que mudou neste período aos olhos da sociedade?

CS: Dia após dia estamos conquistando mais espaços como cidadãos, outrora invisíveis na grande São Paulo. Hoje, o MSTC trabalha em rede e coletividade, interligando vários setores e demonstrando atuação como agente transformador na escala urbana e social.

 

ABMP: A pandemia, obviamente, atrapalhou as atividades do MSTC, na luta diária pela justiça social. Muitas pessoas se viram desabrigadas neste período. Como vocês se adaptaram à pandemia e mantiveram o suporte aos moradores de rua?

CS: Com a chegada da pandemia, a Casa Verbo e o MSTC se uniram para criação do Comitê Popular de Combate ao Covid19: a Operação Povo Sem Fome. Esse movimento selou um pacto de solidariedade entre a sociedade civil, poder público e investidores financeiros, para amparar a população que se encontra em situação vulnerável.

Nesse período, foram mais de 12 mil famílias atendidas, somando cerca de 60 mil pessoas recebendo itens básicos e alimentação digna.

 

ABMP: Muito se fala hoje de um ideal de cidade. Um lugar que acolhe, que dá oportunidade aos seus moradores e proporciona uma boa qualidade de vida, com justiça social. Sonhar com isso no Brasil é possível? Se sim, quais caminhos o país deve seguir na busca por esse ideal?

CS: Sim, é possível sonhar com um ideal de cidade. Um dos caminhos para se viver numa sociedade justa e inclusiva é respeitar a diversidade, onde os diferentes atuam juntos e em rede, contando com a participação efetiva da sociedade civil junto ao poder público, atuando nos vários conselhos, por uma cidade que comtemple a todos.

Outras entrevistas

Entrevista: Paulo Coelho – Presidente do Sinapro Bahia

"É gratificante perceber que o mercado enxerga no Sinapro-Bahia uma entidade viva, relevante, capaz de promover o diálogo e fortalecer as relações entre agências, clientes e parceiros. Essa energia que veio do Enapro nos inspira a começar o trabalho com disposição...

ler mais

Entrevista: Laura Passos – Presidente da ABAP Bahia

"As mulheres estão fazendo um trabalho incrível na publicidade, e é nossa obrigação garantir as condições para que possamos ocupar esses espaços, contribuindo para a melhoria do nosso mercado"                                                                           ...

ler mais

Entrevista: André Mascarenhas – Presidente do Sinapro-Bahia

"O Enapro é da Bahia para todo o Brasil. Um local capaz de inspirar, conectar e onde as pessoas queiram estar."                                                                                                                                                             ...

ler mais

Entrevista: Cristiana Chaves – Grupo de Mídia da Bahia

"Nossa proposta é manter o grupo como um espaço vivo e ativo, pautado por temas relevantes e pela escuta atenta das demandas do mercado. A curadoria de conteúdo será essencial, assim como o estímulo à participação dos membros. Vamos promover enquetes, compartilhar...

ler mais

Entrevista: Rafael Linhares – A Linhares

"Fazer a nova identidade visual de uma empresa que é quase centenária não foi nada fácil. O nosso desejo é unir a tradição de uma empresa pioneira e inovadora com a nova forma de comercializar uma mídia que está mais atual do que nunca. Novos formatos de mídia...

ler mais

Entrevista: Márcio Lima – Presidente da CUFA Bahia

"O Cri.ativos da favela chega pra romper essas barreiras, oferecendo ferramentas concretas e valorizando talentos que já existem nas favelas. "                                                                                                                             ...

ler mais

junte-se ao mercado