Dois de Julho
Sorte nossa de comemorarmos duas independências, a da Bahia e a do Brasil. Comemoramos a primeira em 2 de julho com uma festa dita cívica, mas com elementos caraterísticos de outras festas populares: capoeira, samba, grupos de fanfarras, alegorias. E comemoramos em 07 de setembro com um desfile militar.
A Independência da Bahia foi posterior à Independência do Brasil, um ano de diferença, mas as comemorações são anteriores. O primeiro desfile do 2 de Julho aconteceu em 1824; já o primeiro desfile de 7 de setembro, algumas décadas após.
Sábios ou sabidos foram nossos antepassados em transformar o 2 de julho, originalmente um desfile oficial para o público apreciar, e apenas isso, em um desfile espontâneo com participação popular. Não foi um processo simples. O povo tomou a iniciativa e foi se intrometendo e tomando conta e essa a graça do evento hoje. Deve ser a única festa cívica de independência do mundo sem tanques de guerra, artilharia e aviões das esquadrias de fumaça.
É um evento diferenciado e quem não participa não sabe o que perde, é uma das melhores festas populares da terrinha, porém, conheço muita gente que nunca participou e imagina que o 2 de Julho é aquilo que nos mostram os meios de comunicação. Nada a ver.
A cobertura da mídia costuma ser uma farsa e a depender do veículo mostra uma festa do 2 de julho bem distante da realidade. O rádio e os sites de noticias e de certo modo os jornais priorizam a participação dos políticos, a fofoca, o disse me disse, o mi mi mi… Que pena!
Para sorte nossa a Televisão consegue ser mais fiel aos acontecimentos. O tempo curto para exibição dificulta o mi mi mi e no geral a edição de imagens costuma retratar o ambiente do desfile do 2 de julho. Mostra o povo que é quem realmente faz a festa. Ninguém está interessado no empurra empurra das claques dos políticos, a não ser os próprios veículos que estimulam essa audiência seletiva.
Até quando isso? A minha percepção é que vai demorar para a mídia descobrir que fofoca não é notícia.

Nelson Cadena
Colunista
O Mal do Malandro e a Arte de não ser Otário
O mal do malandro é achar que todo mundo é otário. Essa frase, que é puro suco de Brasil, carrega uma profundidade que até Sun Tzu* respeitaria. Se formos beber na fonte do livro A Arte da Guerra, a lição é clara: estratégia não é enganar, é domíniar da percepção. É...
KPIs cheios, caixa vazio.
Tem uma coisa curiosa acontecendo no mercado: nunca se mediu tanto… e, ao mesmo tempo, nunca se vendeu com tanta dificuldade. Dashboards completos, relatórios impecáveis, uma infinidade de KPIs — e, no fim do dia, a pergunta continua ecoando: cadê a venda? Métrica,...
O algoritmo da empatia: o que a IA ainda não entende
A inteligência artificial já escreve textos, recomenda produtos, antecipa desejos e até simula conversas com impressionante precisão. Ela aprende rápido, escala melhor ainda e, sem dúvida, transformou a forma como fazemos marketing. Mas há algo que ainda escapa aos...
Em CTV, o horário nobre dura 24 horas
Segundo a Comscore, a TV Conectada atingiu 64% da população digital brasileira em 2024, ante 50% registrados dois anos antes. Número que supera a média latino-americana de 59%. São mais de 80 milhões de pessoas alcançáveis via CTV, e num ano de Copa do Mundo, que...
ENTRE NIETZSCHE E NISKIER. Uma breve reflexão sobre A ALMA IMORAL.
Recentemente, assisti, pela quinta ou sexta vez (não lembro ao certo), a peça A ALMA IMORAL, que, em vias de completar 20 anos, se consolida como uma das peças mais icônicas do teatro brasileiro. E o que impressiona, ainda mais, é o fato de se tratar de monólogo......
Investimento para a vida
Uma vez, numa reunião de consultoria de imagem, dessas em que falamos de postura, presença e narrativa, eu fiz algo que costumo fazer: abri um pouco a janela da minha própria história. Gosto de lembrar que nenhuma imagem se sustenta sem alma. E a alma é feita de...
junte-se ao mercado
