ÉTICA, IA E COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

set/2025

Na comunicação digital os algoritmos de Inteligência Artificial (IA) atuam como mediadores onipresentes, personalizando o conteúdo e influenciando as decisões de consumo. A IA, ao processar vastos volumes de dados comportamentais, cria perfis preditivos que orientam desde anúncios publicitários até a curadoria de conteúdo. No entanto, essa busca por eficiência opera em um nível inconsciente, explorando vieses e mecanismos cerebrais que regulam o comportamento do consumidor. 

Muito se fala sobre como os algoritmos respondem aos interesses do consumo, seja de produtos, bens, serviços ou conteúdo. A cada semana o Meta traz novos insights ou lógicas algorítmicas, e a tão sonhada performance reconfigura as regras do jogo. Em uma era de busca exacerbada pela performance, todos acabam seguindo as mesmas regras e, na tentativa de se diferenciar, tornam-se iguais. 

Nesse mar de algoritmos, há um oceano de informações. Mas, ao contrário do que o senso comum imagina, não somos nós, usuários, que moldamos os algoritmos, e sim somos moldados por eles. Seguimos um roteiro para o sucesso, ditado por quem domina as plataformas. 

A informação é o nosso maior poder, a internet a grande arma de destruição em massa, ao passo em que o digital se funde à vida real. Logo, não basta acessar a notícia, é preciso que ela seja verdadeira e bem embasada. Em um mundo onde tudo pode ser fake, ver para crer é apenas o ponto de partida. Distinguir o que é manipulado pela Inteligência Artificial, com o objetivo de criar novos parâmetros, desejos e posicionamentos, se mostra fundamental..

A ética se torna um pilar fundamental da busca por transcendência. A Inteligência Artificial, em particular, com sua capacidade de criar realidades e conteúdos cada vez mais convincentes e personalizados, exige uma reflexão urgente. Se a IA pode simular a autenticidade e manipular a percepção da realidade em grande escala, a capacidade de distinguir o genuíno do artificial se torna um desafio crítico para a saúde mental e o bem-estar social. 

A busca pela verdade e por valores éticos e sólidos é uma necessidade de segurança que transcende as camadas iniciais da Pirâmide de Maslow*. A integridade e a transparência das marcas e dos indivíduos se tornam um diferencial, pois o consumidor busca refúgio em fontes confiáveis e genuínas. A defesa da ética na comunicação digital e no uso da IA não é apenas um debate filosófico, mas uma necessidade existencial para que a sociedade possa avançar em direção à sublimação, mantendo sua base de segurança e credibilidade.

 

Insights e Relações com Pesquisas Recentes

Diversas pesquisas de mercado e relatórios de tendências reforçam a tese da busca por transcendência, autenticidade e segurança emocional, que são o cerne da nova camada proposta para a Pirâmide de Maslow.

  • A busca pelo “Eu Autêntico”: um estudo da Ipsos intitulado Global Trends in Brand Communication: Authenticity is King (2023) aponta que a autenticidade se tornou um conceito vital, mas complexo para as marcas. As pessoas buscam marcas que se alinhem com seus valores e que sejam transparentes em suas ações. Essa tendência está diretamente relacionada à necessidade de se expressar e se conectar com a própria identidade, um reflexo do nível de sublimação.
  • Valorização da Experiência sobre o Produto: o relatório Mintel Global Consumer Trends 2024 (2024) destaca uma das principais tendências: o “Sendo Humano”. Este conceito sugere que os consumidores buscam experiências que os ajudem a se reconectar com sua humanidade, valorizando produtos e serviços que ofereçam propósito e significado. Essa é uma clara manifestação do revivalismo e do bucolismo mencionados, onde as pessoas buscam no passado e na simplicidade uma fuga da complexidade da vida moderna.
  • A “Segurança” como Bem-Estar: o estudo The Future of Identity, da Ipsos (2022), reforça que a necessidade de segurança transcendeu a proteção física, elevando-se a um nível emocional e psicológico. A busca por refúgio da sobrecarga de informações e pressões sociais é um movimento de defesa da saúde mental, que se manifesta na procura por um estilo de vida mais simples e com menos estímulos.
  • A Relação com a Tecnologia: conforme o relatório Marketing Trends 2024 da Kantar (2024), a Inteligência Artificial e a cultura de dados moldarão o mercado, mas a busca por autenticidade e valores culturais continuarão fortes. O estudo revela que 80% dos consumidores globais se sentem mais dispostos a comprar de empresas que apoiam causas relevantes para eles. Isso demonstra que, em meio ao avanço tecnológico, os consumidores buscam conexões humanas e propósito, impulsionando a necessidade de transcendência em suas escolhas.

Em essência, as pesquisas demonstram que, em um mundo caótico e hiperconectado, o consumidor não se baseia apenas em preço ou qualidade, mas em valores e propósitos que se conectam diretamente com a nova camada da Pirâmide de Maslow: a transcendência. É o ser humano em busca de sua essência.

 

* Pirâmide de Maslow: a hierarquia de necessidades de Maslow é uma teoria da psicologia proposta por Abraham Maslow em seu artigo “A teoria da motivação humana”, publicado em 1943 na revista Psychological Review. Maslow define cinco categorias de necessidades humanas: fisiológicas, segurança, afeto, estima e as de auto realização.

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O conteúdo e opinião publicados neste artigo são de inteira responsabilidade do autor ou autora.

Olivia Berni

Olivia Berni

Colunista

Neuroestrategista de comunicação e CEO do Neuro Insights News e da Plenamind

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