Não fique vendo a vida passar. Acompanhe o desfile.
Não sei vocês, mas tenho tido cada vez mais a impressão de que as pessoas não sabem o que seguir, e então, na dúvida, ficam onde estão. Nos disseram que após a pandemia o mundo estaria diferente e as pessoas esbanjariam humanidade. Sim, o mundo ficou diferente, mas, as pessoas, parece que se perderam de si mesmas, e não sabem pra qual direção ir. Ah! E a humanidade ainda é um valor a ser alcançado pela grande maioria.
Mário Lago, certa vez, declarou que vivia como num espetáculo: não ficou vendo a vida passar, ao contrário, sempre acompanhou o desfile. E foi numa leitura em torno desse depoimento que eu parei: certa de que precisamos seguir, ainda que somente acompanhando o desfile, mas procurando fazer o melhor com as condições que dispusermos.
Crianças presas em telas; jovens formando uma geração “nem-nem”: nem trabalham e nem estudam; adultos vidrados na perfeição estética, disputando saberes com a inteligência artificial e convivendo, sem culpas, com o envelhecimento ativo dos seus pais, que, hoje, representam uma parcela significativa responsável pelo sustento financeiro de suas famílias.
Se o desânimo nos deixar paralisados diante dessa conjuntura, qual será a fonte por onde renascerá a esperança?
É preciso deixar o nosso coração falar por nós, na certeza de que são nossos movimentos que nos levam a outros lugares. Você, leitor, por exemplo, tá se movendo por onde e pra onde? Em qual local você se coloca, nas relações que estabelece? Acordar é pouco, nesse mundo fluido, instável e de pouca solidez. É preciso despertar!
Estamos, todos, vivenciando a transitoriedade, o individualismo, o consumo exacerbado, a instabilidade. O medo, a busca por sentido e a necessidade de adaptação constante são nossas sombras diárias. Fomos nós, da geração X, quem educamos os jovens da geração Z, e agora temos que encontrar estímulos para seguirmos o baile. Educar envolve ensinar limites, promover autonomia, incentivar o desenvolvimento de novas habilidades, saber lidar com sofrimentos psíquicos, estimular a tolerância às frustrações…são tantos aspectos que nos convocam, e cada pessoa precisa percorrer distâncias distintas para chegar onde deseja.
É preciso uma mudança de comportamento, um despertar de consciência e uma vigilância ativa, para não sermos pegos pelo pessimismo, pela desilusão e pelo abatimento. Mas, de onde podemos tirar forças?
Tenho estimulado as pessoas que atendo a pensarem nas suas conquistas e nas experiências que consideram terem sido vitoriosas, para conseguirem dimensionar o que têm a perder, tirando-as um pouquinho do foco do que querem alcançar. Olhar para as memórias as fazem se afastar do movimento ansiogênico de aguardar os desejos se concretizarem e de se culpabilizarem pela falta de energia da qual se queixam.
Reconhecer onde estão é o primeiro passo para qualquer mudança. Reconhecer sem julgar, sem cobrar, sem atribuir menos valia. Quanta dificuldade as pessoas têm de aceitar que estão onde estão porque é o que conseguiram com os recursos emocionais que dipunham! E, justamente, é preciso essa consciência para saber qual direção seguir.
O mundo das comparações nas redes sociais tem nos levado a sermos mais chicote, do que colo, para nós mesmos. Vidas idealizadas, sem sabermos, de fato, como estão os alicerces que levaram às imagens. Pessoas se sentindo inadequadas e insatisfeitas com suas próprias vidas, guiadas por sentimentos de inferioridade, expostas ao sucesso alheio, que gera dúvidas sobre suas próprias capacidades e habilidades.
Quando vamos parar de nos afastar da nossa própria identidade e nos concentrarmos mais nas nossas vidas, do que na dos outros? Acompanhe o desfile e pare de ficar vendo a vida do outro passar: isso é o mínimo do compromisso que devemos ter CONOSCO! Tem um monte de recursos emocionais pra você adquirir e você perdendo tempo e gastando energia julgando a vida e as decisões DOS OUTROS. Desperte! Faltam 6 meses para o ano acabar. Temos muito tempo, se você começar AGORA!
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Sinara Dantas Neves
Colunista
@acuradoraferida
Doutora e pós doutoranda em Família na Sociedade Contemporânea (UCSaL-BR/ ICS- Universidade de Lisboa – PT);
Mestre em Psicologia (USP); Psicoterapeuta sistêmica (ABRATEF 206-BA); Professora universitária há 23 anos;
Pesquisadora da Conjugalidade; Escritora; Palestrante;
Mãe, amante da sua profissão e apaixonada por gente!
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